Porque será que bons colaboradores acabam fazendo coisas ruins?

Porque será que bons colaboradores acabam fazendo coisas ruins?
Por Mario Cezar Nogales

Este é um ponto que sempre me intrigou: o porquê excelentes colaboradores, capazes de quase tudo, com excelente background, motivados e felizes no que fazem, acabam, por assim dizer, meter os pés pelas mãos?

Em minha rotineira pesquisa, topei comum trabalho do Sr. Muel Kaptein que é consultor em ética nos negócios e atualmente é um dos sócios da KPMG, seu trabalho foi divulgado com o nome “Why good people sometimes do bad things: 52 reflections on ethics at work” disponível para download no site da SSRN (Social Science Research Network).

Obviamente que já devorei a publicação e vou compartilhar com vocês algumas reflexões sobre o assunto:

O Hotel e seus colaboradores tem uma visão curta
O estabelecimento de Metas e Objetivos alcançáveis e mensuráveis para todos os níveis hierárquicos é uma prática obrigatória no mundo dos negócios, quem dirá para vendas então!

Já foi comprovado que este método realmente funciona e faz com que a maioria dos colaboradores acaba sendo motivados e trabalham mais e melhor, o problema é quando isto se torna uma fixação nas mentes e quando a maioria apenas pensa em si e não no conjunto.

Muitas vezes as metas e objetivos são atingidas sem que atenda as necessidades gerais do hotel, como já ouvi por ai, “minha meta é a ocupação” e acabam por se esquecer da rentabilidade do negocio e o tiro acaba saindo pela culatra, pois a bisca por estes objetivos e metas acaba por desconfigurar, até mesmo a ética envolvida no negocio e acabam vendendo por vender.

O desconhecimento do significado das palavras pode deixar um comportamento antiético parecer trivial.
A corrupção, que parece moda em terras tupiniquins, parece algo não tão grave, quando na verdade é o grande vilão para qualquer pessoa, empresa, quem dirá para uma nação.

Quando o fraude contábil é chamado de “contabilidade criativa”, “caixa 2” e etc., acabamos por afirmar que a corrupção é algo que se deva praticar e explorar, obviamente que o que está infringindo de bom acaba por corromper todo o sistema e todas as pessoas.

Logo, se é pratica do proprietário do hotel fazer esta “contabilidade criativa” com certeza seus colaboradores também fazem a “contabilidade criativa” e não adianta colocar a culpa neles, afinal, exemplos valem mais que palavras.

A boa postura que nos leva a ser vilões
Intuitivamente, fazendo a coisa certa acaba por nos levar a fazer as coisas ruins, isto se chama a lei da compensação que Kaptein menciona em sua obra, quando as pessoas vêm por um longo período sendo o modelo de colaborador dentro de sua empresa, eles se sentem como o depositário do “credito ético” da empresa, isto sem mencionar que na maioria das empresas o colaborador padrão acaba sendo escolhido “a dedo”, o que nos leva à questão de corrupção que mencionei anteriormente.

O detentor do “credito ético” acaba, naturalmente, compensando esta credibilidade ética fazendo algo contra a sua própria ética. Um pesquisa de: Nina Mazar e Chen-Bo Zhong descobriram que as pessoas que compram apenas produtos sustentáveis ??tendem a mentir e roubar mais do que aqueles que compraram os produtos padrão.

Conclusão
Pela perspectiva holística quando “uma borboleta bate as asas em São Paulo, chove em Shangai”, logicamente que isto é apenas um exemplo de quão intrincado e conectado somos todos uns dos outros, podemos até dar credito a que uma pessoa obesa é responsável pela fome de outra pessoa do outro lado do planeta e isto é o que se chama de efeito de compensação.

As pessoas naturalmente interagem entre si, e seus sentimentos, necessidades e objetivos sempre estarão entrelaçados e logicamente quando há 7 anos de vacas gordas, com certeza haverão 7 anos de vacas magras e isto é demonstrado e observado por todos.

Devemos compreender que o equilíbrio é a fonte e a forma de tudo, logo, quando andamos desiquilibrados tanto no âmbito pessoal, quanto no âmbito dos negócios, sempre ocorrerá algo para equilibrar e nos manter no equilíbrio, logo, antes de demitir aquele colaborador que fez uma “....da homérica” tente se questionar, porque o fez e o que o levou a fazê-lo.

 

Mario Cezar Nogales
Diretor da SN Hotelaria Consultoria Especializada
Instituto de Gestão Hoteleira para a ampliação de seus conhecimentos e a Aquia Hotéis -Administradora com foco diferenciado de todas as outras administradoras.
Tel.:(11) 2081-1853 / 9 8135-0888
www.snhotelaria.com.br
mario@snhotelaria.com.br

 

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