Claude Troisgros nega que vá se aposentar: ‘Nunca trabalhei tanto’

Por: Cleo Guimarães

Claude Troisgros é CEO do Grupo Troisgros Brasil, que engloba cinco restaurantes e uma pâtisserie, e pode ser visto atualmente em cinco programas de TV diferentes no GNT. Apesar de todas essas atividades, a notícia de que ele estaria se aposentando se espalhou pelo mundo da gastronomia – mas o chef diz ao povo que fica. Não pretende sair da cozinha tão cedo, muito pelo contrário. Claude conversou com a coluna.

Fala-se que você está se aposentando. Para algumas pessoas, fica a impressão de que, aos poucos, o seu filho Thomas vai assumindo as suas funções. É isso mesmo?
Nunca trabalhei tanto e me senti tão vivo na minha vida. A aposentadoria, da forma como está sendo falada na imprensa, não faz parte do meu DNA. Sou agitado e amo minha profissão. Nos dois últimos anos, passei o bastão do Olympe para meu filho Thomas, não porque quis me aposentar, mas porque achei que a única maneira de ele crescer e formar a sua própria personalidade gastronômica era me retirando aos poucos de lá. É a minha hora de criar outros conceitos, me dedicar aos meus outros restaurantes, aos programas de TV.

Há dez anos você brilha em programas de gastronomia na TV. Estar no ar te dá mais prazer do que cozinhar?
Não me considero um apresentador de TV, eu sou um cozinheiro que deu certo mostrando a sua arte na televisão. Gosto e me divirto o tempo todo com meu parceiro e amigo Batista, mas cozinhar é a minha grande paixão e estou cozinhando mais do que nunca, nos meus restaurantes e para milhões de telespectadores.

Roberta Sudbrack fechou seu restaurante e criticou a alta gastronomia e a fórmula do menu degustação. O que você acha disso?
Cozinhar é ser livre na forma de agir e de pensar. Respeito a minha amiga Roberta como cozinheira e como pessoa. Acho que o cozinheiro tem o direito de mostrar a sua arte da forma que ele quiser, em comida de boteco, em cozinha tradicional ou regional, em cozinha moderna e criativa, em menu degustação ou não. O mais importante de tudo isso é respeitar o produto e a nossa terra, o resto é polêmica e modismo, e não terá meu interesse.

Qual o seu prato preferido?
No Brasil, é jabá com jerimum com manteiga de garrafa. Na França, o salmão com azedinha criado pelo meu pai e meu tio em 1964, sem esquecer os nhoques da minha avó italiana, uma lembrança sentimental.

O Rio (e o Brasil) estão em crise. Como manter o padrão dos restaurantes com clientes que cada vez têm menos dinheiro para comer fora?
É um momento importante para repensar os seus custos, menus, conceitos. É um momento de mudar, refletir e criar.

Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/post/claude-troisgros-nega-que-va-se-aposentar-nunca-trabalhei-tanto.html

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