Um coquetel vermelho em taças grandes vêm chamando à atenção nos bares da cidade, o Spritz. Não é de hoje que esta mistura à base de espumante faz sucesso no mundo todo
Anote a receita: Em uma taça de vinho grande e larga coloque 1 parte de um bom espumante brasileiro, 1 parte de água com gás ou soda limonada, 1 rodela de laranja, bastante gelo e finalmente 1 dose de Aperol – um aperitivo italiano feito com ervas aromáticas que dará cor vermelha à mistura.
O Spritz é um drink leve, fácil de fazer, fácil de beber e com uma cor chamativa e super bonita.
Cor forte atrai olhares dos vizinhos de mesa
A tonalidade incomum, um laranja bem chamativo, também ajuda na difusão do drinque, que, em geral, é servido em copos baixos ou taças grandes de Bordeaux. O efeito é aquela tradicional olhadinha dos clientes das mesas vizinhas que acabam perguntando para o garçom do que se trata. Mas, não é isso, o Grupo Campari, dono do Aperol, tem feito várias ações de marketing para promover a bebida. Em junho, por exemplo, milhares de pessoas se reuniram na Piazza San Marco, em Veneza, para realizar o maior brinde de Aperol spritz no mundo.
O investimento é tamanho que Milão ganhou um espaço dedicado ao aperitivo: o Terrazza Aperol, que tem uma varanda de frente para a Duomo, o ponto turístico mais famoso da cidade. O lugar, recém-inaugurado, vende cerca de 300 doses do drinque por dia:
— Fizemos uma experiência a partir de junho, mas abrimos oficialmente em setembro. Estamos trabalhando para que este seja o point do próximo verão em Milão — diz o diretor do bar, Maurizio Marchesi.
A procura pelo Aperol spritz na Itália é tão grande que alguns bares, como o Bàcaro Jazz, em Veneza, estampam uma placa bem em frente ao balcão deixando claro que ali não é possível apreciar a bebida.
O Brasil também está no foco da marca, que inaugurou uma página em português no Facebook em agosto do ano passado. Segundo a diretora de Marketing da Campari do Brasil, Julka Villa, a venda de Aperol no país cresceu mais de 404% em volume de litros entre 2010 e novembro de 2012:
— São Paulo ainda é o maior mercado, mas o Rio e a região Sul já registram um aumento grande no consumo da bebida.
Receitas brasileiras, um pouco conservadoras
Os “íntimos” já chamam a mistura apenas de spritz, que, na verdade, é apenas a combinação de água com gás com vinho branco ou prosseco. Por isso é comum encontrar Campari spritz, Cynar spritz ou Select spritz. Todos na mesma proporção 3, 2, 1.
Eleito o drinque do momento pelo “New York Times”, o Aperol spritz já ganhou releituras, inclusive no Brasil. No cardápio dos bares do Hotel Fasano Rio, há, por exemplo, o Cross spritz (R$ 34), que leva, além do Aperol, Angostura, refrigerante de limão, prosseco e gelo. No Stuzzi, no Leblon, o barman Vitor Barros criou versões em jarras, como o Stuzzi spritz (R$ 49), preparado com vinho branco, morangos, mix de frutas e licor de mandarino. Desde a inauguração do bar, há mais de um ano, é o drinque mais vendido. Outra opção é o Giallo spritz (R$ 49), feito com vinho branco, mix de frutas cítricas, hortelã, Limoncello e Syrup de maçã verde.
As receitas brasileiras, no entanto, podem até ser consideradas conservadoras, menos para os puristas, claro, se comparadas a uma criação nova-iorquina que mistura Aperol com suco de limão, clara de ovo, mel e prosecco.
Por ser uma bebida que lembra licor, o Aperol também é bastante utilizado em receitas de sobremesas, compondo mousses, macarons, cupcakes e até picolés caseiros. Há quem o utilize também como uma espécie de calda para sorvetes.
Uma boa opção para quem quisesse manter o corpo em dia
O Aperol foi criado em 1919 pela família Barbieri, em Pádua, na Itália. Pouco tempo depois, nos anos 1930, uma campanha publicitária dedicada às mulheres foi publicada nos jornais de grande circulação do país, apresentando a bebida como uma boa opção para quem quisesse manter o corpo em dia graças ao seu baixo teor alcoólico.
A versão spritz veio bem mais tarde, no meio da década de 1980, mas a fama do drinque só começou a surgir entre 2005 e 2006 quando estudantes universitários da região do Vêneto passaram a tomá-lo enquanto se reuniam nos bares após as aulas.
— Por ser uma área muito frequentada por turistas (principalmente Veneza), entre 2008 e 2009 o drinque foi exportado e disseminado para Alemanha e Áustria, onde a cultura do spritz se estabeleceu — explica Julka Villa.
A expansão continuou, e, em 2010, o drinque conquistou outras áreas do Mediterrâneo. Daí para Nova York, foi um pulo:
— O drinque veio para ficar. Não é apenas mais um amor de verão — acredita Julka.
Fontes: Simplesmente Vinho e O Globo
![[01g]](http://guiagphr.com.br/Imagens/galeria_8128_0113153156.jpg)