O fim da escala 6×1 pode redefinir a gestão de bares e restaurantes

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Mudança em debate no Congresso deve levar empresários do foodservice a rever jornadas, produtividade, retenção de equipes e eficiência operacional

O debate sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro das discussões trabalhistas no Brasil e acendeu um alerta para um dos setores mais dependentes de mão de obra presencial, o foodservice. Caso haja mudanças na legislação, bares e restaurantes deverão rever jornadas, organizar equipes e buscar maior eficiência operacional para equilibrar custos e manter a qualidade do atendimento.

Para Marcelo Marani, professor, empresário do foodservice, fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para empresários do setor na América Latina, a discussão representa uma oportunidade para acelerar uma transformação que muitos estabelecimentos já deveriam ter iniciado.

“O debate sobre o fim da escala 6×1 não deve ser visto apenas como um aumento de custos. Ele mostra que restaurantes precisam operar de forma mais profissional. Quem tiver processos bem definidos e equipes preparadas conseguirá se adaptar com mais facilidade.”

A discussão ganhou força nos últimos meses com a tramitação de propostas no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada de trabalho. Embora ainda não exista uma definição sobre mudanças na legislação, o tema mobiliza empresários e entidades representativas, principalmente em segmentos que funcionam durante toda a semana e dependem de escalas para manter suas operações.

Gestão passa a ser prioridade

Na avaliação do empresário, um dos principais impactos estará na organização da operação diária. Restaurantes precisarão distribuir melhor suas equipes, reduzir desperdícios, revisar processos internos e utilizar indicadores para aumentar a produtividade sem comprometer a experiência do cliente.

“Durante muito tempo, muitos empresários resolveram problemas contratando mais pessoas. Esse modelo tende a ficar mais difícil. O caminho passa por treinamento, padronização de processos e gestão baseada em dados. Produzir mais não significa necessariamente trabalhar mais, mas trabalhar melhor.”

Segundo o CEO, operações que ainda dependem exclusivamente da presença constante do proprietário terão maior dificuldade para absorver mudanças. Já empresas que investiram em processos, liderança e tecnologia estarão mais preparadas para enfrentar um novo modelo de jornada.

Retenção de profissionais ganha ainda mais importância

O debate também evidencia outro desafio histórico dos bares e restaurantes: a dificuldade para manter equipes estáveis. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que a rotatividade de profissionais continua elevada no setor, fator que aumenta custos com contratação, treinamento e perda de produtividade.

Para o professor, qualquer alteração nas jornadas reforça a necessidade de investir na permanência dos colaboradores.

“Quanto maior o custo para contratar e formar uma equipe, mais importante será criar um ambiente onde as pessoas queiram permanecer. Liderança, cultura organizacional e desenvolvimento profissional deixam de ser apenas boas práticas e passam a fazer parte da estratégia financeira do restaurante.”

Tecnologia e eficiência tendem a ganhar espaço

Na visão do especialista, independentemente do formato que venha a ser aprovado pelo Congresso, a discussão acelera um movimento já observado nos restaurantes mais estruturados, a adoção de tecnologia para automatizar tarefas administrativas, melhorar o controle da operação e aumentar a produtividade das equipes.

Segundo Marani, acompanhar indicadores como tempo médio de atendimento, faturamento por colaborador, desperdício de insumos e rentabilidade dos produtos será cada vez mais importante para manter a competitividade. “O empresário que administra apenas pela experiência encontra cada vez mais dificuldade para crescer. O futuro dos bares e restaurantes passa por decisões baseadas em informação, processos bem estruturados e melhoria contínua da operação. O debate sobre o fim da escala 6×1 apenas reforça essa necessidade.”

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Fontes de pesquisa

Senado Federal
https://www12.senado.leg.br/verifica/materias-especiais/2026/fim-da-escala-6×1-foi-aprovado-veja-o-que-e-verdade-sobre-as-propostas-em-debate

Abrasel
https://abrasel.com.br/noticias/entrevistas/debate-sobre-fim-da-escala-6×1-exige-analise-de-custos-afirma-abrasel

Divulgação: carolinalara.com.br