
Crédito: Ag. Enquadrar/RIW
Segundo o escritor e professor da Queens College, em Nova York, a humanidade precisa simplesmente aceitar os problemas atuais e ‘cuidar uns dos outros’
Por quatro dias, o Rio de Janeiro foi a capital da inovação. A 6ª edição do Rio Innovation Week reuniu cerca de 200 mil pessoas no Píer Mauá, de terça até esta sexta-feira, debatendo temas como Inteligência Artificial, futuro do trabalho, neurociência, artes e muito mais. Dos Prêmios Nobel Malala Yousafzai e Edvard Moser ao cantor Seu Jorge e ao artista plástico Vik Muniz, o evento procurou conectar diferentes setores da sociedade sob o tema “Simbiose – o futuro não acontece isolado”. O próximo encontro do Rio Innovation Week já está marcado: 24 a 27 de agosto de 2027.
Os números impressionam e não se restringem ao público. Foram 3.200 palestrantes de 22 países, com 30 delegações estrangeiras, gerando 1.650 horas de conteúdo e reforçando o título de maior conferência global de inovação e tecnologia. Do público que participou do RIW 2026, 12% vieram de fora do estado e 30% de fora da capital. A cidade também comemora. Foram gerados cerca de 22 mil empregos diretos e indiretos, e mais de R$ 150 milhões na economia do Rio em turismo, bens e serviços, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.
“Encerramos esta sexta edição com a certeza de que o Rio Innovation Week ultrapassou definitivamente os limites de um evento de tecnologia e inovação. O que construímos no Píer Mauá é uma grande plataforma de conexão entre pessoas, ideias, empresas, ciência, cultura e diferentes setores da sociedade”, Jerônimo Vargas, idealizador e diretor-geral do Rio Innovation Week.
Cerca de 40 palcos funcionaram simultaneamente, abrigando 16 trilhas de conteúdo. Foram mais de 60 conferências, 400 expositores e 2 mil startups. Bilhões em negócios foram gerados durante o evento.
“Mais do que crescer em público e em números, o RIW cresceu em relevância e diversidade. O Rio mostrou mais uma vez que tem vocação para ser uma grande porta de entrada para a inovação, para os negócios e para as novas ideias no Brasil e no mundo “, analisa Fábio Queiróz, cofundador da plataforma Innovation Week.
Carlos Junior, cofundador e diretor de Inovação Aberta, também comemora. “O grande resultado do Rio Innovation Week é transformar o encontro em oportunidade. Inovamos em várias áreas, colocamos no mesmo ambiente startups, empresas, investidores, pesquisadores e diferentes setores da economia, criando condições para que ideias saiam do papel e encontrem mercado, parceiros e investimento.”
Palestras concorridas
Um dia antes da abertura, o Cristo Redentor se “vestiu” com as cores do evento. Numa das palestras mais concorridas, a paquistanesa Malala ressaltou como a democratização da tecnologia pode auxiliar no acesso de meninas à educação e defendeu investimentos para mulheres no esporte. Já o Nobel de Medicina e neurocientista norueguês Edvard Moser discutiu com o físico Marcelo Gleiser a relação entre o “GPS do cérebro” e a memória; enquanto que o neurocientista David Eagleman mostrou como a mente constrói a realidade. À frente da conferência Ciência para Todos, Gleiser reuniu ainda nomes como a astrônoma Jill Tarter, o rabino Nilton Bonder, o físico Brian Green, a chef Bela Gil, a psicóloga Kari Gleiser, o neurocientista David Eagleman e a atriz Denise Fraga.
O físico Brian Greene apresentou o “Calendário cósmico”, numa discussão que levou o público do Big Bang ao fim dos tempos. Investidor global e referência em inovação e transformação tecnológica, Chris Rynning alertou que o mundo vive um novo “momento Oppenheimer”, afirmando que o surgimento da Inteligência Artificial exige que se discuta limites e responsabilidade.
Artistas, como Regina Casé; escritores, como Djamila Ribeiro; e filósofos, como Ailton Krenak, mostraram que a inovação vai muito além da tecnologia. Lendas do surfe e do skate, Carlos Burle e Bob Burnquist mostraram que preparação e controle mental são indispensáveis para conquistas. O goleiro cabo-verdiano Vozinha e a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia lotaram a plenária. Os desafios na liderança foram abordados pelo near futurist Neil Redding, por Patrick McGinnis, investidor e criado do termo FOMO (“medo de ficar para trás”), Julian Pistone, fundador da Corage ventures, e Simone Kliass, especialista em estratégia e investimento. E até um robô subiu ao palco, pela primeira vez, como palestrante.
O RIW 2026 também abrigou o lançamento de livros, como “Predictable income”, de Aaron Ross, Camila Farani e Matt A. Smith, e “O monge, o iogue e o faquir”, de Ronaldo Lemos. Eduardo Lima, cocriador do universo gráfico de Harry Potter, trouxe a magia para o palco.
Entre as novidades, o RIW 2026 trouxe o palco Palavras e Encontros, dedicado à literatura e ao pensamento contemporâneo, à beira da Baía da Guanabara. Por ele passaram o cantor e compositor Seu Jorge, a jornalista Cora Rónai, os artistas plásticos Beatriz Milhazes e Vik Muniz, os cantores Fernanda Abreu e Frejat e o escritor Itamar Vieira Junior, entre outros. Outras novidades foram o Immersive Talks, espaço voltado às tecnologias imersivas, e o Todas Group, dedicado ao protagonismo feminino.
O Rio Innovation Week 2026 trouxe novamente o NAM Atlântico, o maior porta-helicópteros da América Latina, que abrigou batalhas de games. Quem visitou o evento pôde ainda ver um foguete, o Microlançador Brasileiro (MLBR), com seus 12 metros de altura e potencial para se tornar o primeiro veículo do país capaz de colocar um satélite em órbita a partir do território brasileiro, e Tobias, o robô palestrante.
Com data já marcada para o próximo ano, o RIW 2027 promete mais novidades. Mais inovação, tecnologia e experiências estão a caminho.