Foodservice cresce 8,1% em julho, aponta IFB

Vendas do setor avançam 2,6% em termos reais no mês; delivery mantém ritmo forte, com alta nominal de 36,1%

O setor de foodservice registrou aumento de 8,1% nas vendas nominais em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Índice de Desempenho Foodservice (IDF), do Instituto Foodservice Brasil (IFB). Considerando a inflação específica de alimentação fora do lar, o crescimento real das vendas totais foi de 2,6%. O indicador acompanha 21 empresas e 61 marcas, com dados ponderados pelo faturamento, e mostra um cenário de expansão do setor ainda marcado por diferenças entre canais e formatos de operação.

No recorte de mesmas lojas, que desconsidera o efeito da abertura e fechamento de unidades, as vendas cresceram 4,9% nominalmente em julho, porém com retração de 0,7% em termos reais. No acumulado de janeiro a julho, as vendas totais apresentam crescimento nominal de 6,9% e real de 1,4%. Entre as mesmas lojas, o avanço nominal foi de 4,0%, enquanto o resultado real ficou negativo em 1,6%. A diferença indica que a expansão da base de unidades continua tendo peso importante no desempenho agregado do foodservice.

Para Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do IFB, os números mostram um setor que mantém trajetória de crescimento, mas que precisa ser analisado para além do resultado nominal. “O desempenho de julho mostra que o foodservice continua avançando, especialmente com a força do delivery e a expansão das redes. Ao mesmo tempo, o resultado de mesmas lojas evidencia que o cenário para as operações já estabelecidas exige atenção. Mais do que crescer em faturamento, o desafio está em sustentar produtividade, frequência de consumo e eficiência diante de um ambiente ainda pressionado pela inflação”, afirma.

O delivery foi um dos principais destaques do mês, com crescimento nominal de 36,1% nas vendas em julho na comparação anual. Considerando apenas as mesmas lojas, a alta foi de 33,1%. O resultado contrasta com o desempenho do salão, que registrou retração nominal de 1,1% nas vendas totais e de 3,8% no conceito de mesmas lojas. A participação do delivery no faturamento das empresas acompanhadas pelo IDF ficou em 25,5% em julho, depois de representar 27,1% em junho.

O número de transações também avançou em julho, com alta de 6,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. No conceito de mesmas lojas, o crescimento foi de 4,5%. No acumulado do ano, o total de transações aumentou 2,6%, enquanto nas mesmas lojas houve queda de 0,6%. O ticket médio passou de R$ 44,30 para R$ 45,00, uma alta nominal de 1,4% em relação a julho do ano passado.

A expansão física das operações contribuiu para o resultado. Em julho, foram abertas 50 lojas, sendo 27 em centros comerciais e 23 em lojas de rua, enquanto 33 unidades fecharam, 17 em centros comerciais e 16 em lojas de rua. Com isso, o número de lojas acompanhadas pelo indicador apresentou crescimento de 1,6% na comparação anual. Entre os canais, as lojas de rua registraram alta nominal de 10,1% nas vendas totais e de 6,6% em mesmas lojas. Nos centros comerciais, os crescimentos foram de 5,5% e 1,4%, respectivamente.

Na análise regional, o Norte teve o maior crescimento nominal das vendas em julho, com alta de 11,0%, seguido pelo Sul, com 10,1%, e pelo Nordeste, com 8,6%. O Sudeste registrou elevação de 7,6%, enquanto o Centro-Oeste avançou 5,9%. O IDF também apontou redução da inflação acumulada em 12 meses entre os associados acompanhados pelo indicador, que passou de 6,1% em junho para 5,4% em julho.

Os resultados de julho mostram que o foodservice segue crescendo, mas com diferenças importantes entre os canais e entre a expansão das redes e o desempenho das unidades já existentes. O avanço do delivery e o aumento das transações ajudam a sustentar o resultado, enquanto o recuo real nas mesmas lojas reforça um cenário de maior pressão sobre a operação das unidades existentes.

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