
Crédito/Foto: Divulgação
Quem prova jambu pela primeira vez dificilmente esquece a experiência. Poucos segundos após a primeira mordida, surge uma sensação de formigamento seguida por uma leve dormência na boca, efeito provocado pelo espilantol, composto natural presente na planta. A reação costuma surpreender quem não conhece o ingrediente e fez do jambu um dos maiores símbolos da culinária amazônica.
Mas reduzir a erva apenas à curiosidade sensorial seria ignorar sua importância para a gastronomia da região Norte. O empresário Pedro Amaral, proprietário do restaurante Namazônia, em São Paulo, explica que o jambu está presente na alimentação amazônica há séculos e faz parte de receitas que atravessam gerações, ajudando a contar a história de um dos patrimônios culinários mais ricos do país.
É ingrediente indispensável do tacacá, caldo servido tradicionalmente em cuias, preparado com tucupi, goma de mandioca, camarão seco e jambu. Também aparece no pato no tucupi, considerado um dos pratos mais emblemáticos do Pará, além de receitas como arroz de pato paraense e diferentes preparações com peixes e frutos dos rios amazônicos. O ingrediente também aparece em cachaças e drinques.
Ao longo dos anos, o jambu também ganhou fama popular como afrodisíaco natural. Embora não existam evidências científicas que comprovem esse efeito, a crença permanece viva na cultura amazônica e contribuiu para ampliar a curiosidade em torno da erva entre visitantes e apreciadores da gastronomia regional.
Para Pedro Amaral, a curiosidade despertada pelo jambu costuma ser apenas o primeiro passo para que o público descubra a diversidade de sabores da região.

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“O jambu acaba sendo um convite para conhecer a Amazônia pela gastronomia. Muitas pessoas chegam curiosas pela dormência, mas saem encantadas com ingredientes como o tucupi, os peixes de água doce, as farinhas e os temperos típicos. Existe uma riqueza cultural enorme por trás de cada receita”, afirma.
Segundo Pedro, a cozinha amazônica ainda é pouco conhecida em boa parte do Brasil, apesar de reunir ingredientes únicos e técnicas culinárias preservadas há gerações.
“Quando alguém experimenta um tacacá ou um pato no tucupi preparado da forma tradicional, entende que não estamos falando apenas de pratos típicos, mas de uma herança cultural construída ao longo dos séculos. A gastronomia amazônica merece ocupar o mesmo espaço de reconhecimento que outras cozinhas regionais brasileiras já conquistaram.”
Nos últimos anos, ingredientes amazônicos passaram a aparecer com mais frequência em restaurantes de diferentes regiões do país, acompanhando o interesse crescente pela biodiversidade brasileira e pela valorização das cozinhas regionais. Nesse movimento, o jambu deixou de ser uma curiosidade restrita ao Norte para se tornar um dos principais representantes da identidade gastronômica da Amazônia, despertando o paladar e, principalmente, a curiosidade de quem busca conhecer novos sabores.
SERVIÇO:
Namazônia
Endereço: Rua Áurea, 361, Vila Mariana, São Paulo (SP)
Instagram: @namazoniaoficial
Telefone para reservas e informações: (11) 5083-4046