Dash transforma uniforme em estratégia de marca

Empresa aposta em design, tecnologia e expansão internacional para reposicionar o uniforme corporativo

 

O uniforme corporativo está deixando de ser tratado como uma simples necessidade operacional. Em empresas de hotelaria, gastronomia, saúde, varejo e serviços, a roupa usada pela equipe passou a integrar a experiência oferecida ao consumidor — e, consequentemente, a própria identidade da marca.

É nesse cenário que a Dash vem ampliando sua atuação. Com quatro décadas de mercado, a empresa aposta em personalização, tecnologia e estratégia para transformar a uniformização em um ponto de contato entre empresas, funcionários e clientes.

Para a executiva da Dash que acompanha a trajetória da empresa há quase 18 anos, essa mudança começa pela compreensão de que a comunicação de uma marca não acontece apenas por meio de palavras.

“A imagem tem poder. A forma como a gente se comunica vai muito além do verbal. A forma como a gente gesticula, a forma como a gente se porta nos lugares, ela transmite alguma coisa.”

A lógica se aplica diretamente ao ambiente corporativo. Segundo ela, a identidade de uma empresa também passa pela maneira como sua equipe se apresenta.

“Hoje a identidade das marcas passa completamente pela forma como a equipe se veste. Então o posicionamento da equipe passa a ser secundário e vira protagonista.”

A roupa como parte da experiência

A mudança também acompanha uma transformação no próprio mercado de luxo e hospitalidade. O valor de uma marca já não está necessariamente ligado apenas ao que ela oferece como produto, mas à experiência que consegue proporcionar.

Nesse contexto, a equipe ganha um papel ainda maior. O funcionário é, muitas vezes, o primeiro e o último ponto de contato entre o consumidor e a empresa. A roupa que ele veste, portanto, participa dessa experiência antes mesmo de qualquer interação verbal.

Para a Dash, esse entendimento muda a natureza do próprio negócio.

“Eu falo que o nosso negócio é estratégia. Mais do que a imagem das pessoas, a gente vende estratégia e posicionamento.”

A empresa desenvolve projetos personalizados por meio de seu Estúdio Criativo, considerando identidade visual, modelagem, materiais e acabamentos. A proposta é fazer com que o uniforme tenha relação direta com aquilo que a marca pretende comunicar.

“Seja um restaurante aqui em Ipanema ou um restaurante em Santiago, as preocupações são as mesmas: transmitir o DNA da marca através da comunicação não verbal”, explica.

Expansão internacional exige adaptação

A estratégia agora será levada para fora do Brasil. A Dash inicia um processo de internacionalização com planos de atuação no México, Chile, Argentina, Uruguai, Portugal e Espanha.

A proximidade cultural e linguística aparece como porta de entrada para esses mercados, mas a empresa não pretende simplesmente replicar projetos brasileiros em outros países.

A executiva explica que existe um ponto comum entre os diferentes mercados: a necessidade de traduzir os valores de uma empresa por meio da experiência.

“Por serem valores universais, a gente consegue encontrar pontos de contato com todos os países, não só os da América Latina.”

Ao mesmo tempo, cada mercado traz suas próprias características. Clima, comportamento e cultura precisam entrar na construção dos projetos. A estratégia, segundo a Dash, é preservar a essência da marca enquanto adapta a maneira como ela será percebida em cada lugar.

O primeiro foco está em empresas que já entendem o uniforme como parte da experiência do consumidor.

“O nosso primeiro ponto de contato com esses países são marcas e empresas que entendem a uniformização como um ponto de contato com seus consumidores, como uma forma de transformar uma experiência ordinária em extraordinária.”

Bem-estar também faz parte do projeto

A discussão sobre uniformes ganhou ainda outro componente: o bem-estar de quem usa as peças.

Conforto, funcionalidade e adequação à rotina deixaram de ser questões secundárias. Para a Dash, uma empresa não consegue construir uma boa experiência para o cliente ignorando a experiência de seus próprios funcionários.

“Hoje a gente se comunica muito bem com empresas que têm esses valores e essas percepções alinhadas”, afirma.

A relação entre equipe e marca, nesse sentido, é mais profunda do que uma questão estética.

“O que faz a diferença entre uma empresa no topo e uma empresa que ainda está tentando chegar é a forma como ela trata os seus funcionários, é a forma como ela se posiciona no mercado, através da comunicação verbal da equipe.”

A preocupação acompanha uma pauta que ganhou espaço entre empresas de diferentes setores: como criar ambientes de trabalho nos quais as pessoas estejam confortáveis e, ao mesmo tempo, representem os valores da organização.

Tecnologia para empresas de diferentes tamanhos

Outro movimento da Dash está na tecnologia aplicada à gestão dos uniformes. A empresa criou uma operação capaz de atender desde negócios com um funcionário até companhias com centenas de colaboradores.

A estratégia também abriu espaço para pequenas e médias empresas, que representam a maior parte dos negócios no Brasil.

“A gente conseguiu atingir uma fatia de mercado que outras empresas de uniformização, pelo menos no Brasil, não conseguiram, que é o pequeno e o médio, que é 90% das empresas no Brasil.”

Por meio da loja virtual, a empresa passou a atender diferentes volumes de demanda, mantendo a possibilidade de reposição das peças.

No Brasil, o modelo de pronta entrega online já apresenta crescimento expressivo: de acordo com a empresa, o faturamento da operação triplicou em relação ao ano anterior.

Próximo passo é estar mais perto do cliente

Com a expansão internacional e a evolução da operação digital, a Dash agora quer ampliar a relação com seus consumidores.

“O nosso próximo passo é estar cada vez mais perto dos nossos clientes”, afirma a executiva.

A ideia não é ficar restrita à venda ou reposição dos uniformes. A empresa pretende ampliar a oferta de conteúdo, informação e formação para criar novos pontos de contato com os clientes.

“Levar informação, levar conteúdo. O nosso consumidor pode estar aqui no Rio, como pode estar em outro país, que as necessidades são as mesmas.”

A Dash projeta aumentar sua carteira de clientes em cerca de 20% em relação ao ano passado. Para os próximos dois anos, a expectativa é que os negócios internacionais representem entre 10% e 15% do faturamento.

Os novos sites internacionais fazem parte desse plano, enquanto a operação brasileira continua avançando.

No centro dessa estratégia está uma mudança de percepção. O uniforme pode até continuar sendo uma roupa de trabalho. Mas, para empresas que entenderam seu potencial, ele também pode ser uma assinatura visual, uma ferramenta de posicionamento e uma parte concreta da experiência que a marca entrega todos os dias.