Ricardo Amorim diz que profissional brasileiro está cada vez mais caro e mal qualificado, hotelaria sente efeitos da falta de mão de obra

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O economista Ricardo Amorim fechou o ciclo de palestras do 56º Conotel na noite de quinta feira, 10.  Em uma dinâmica apresentação, que durou cerca de uma hora, Amorim fez um panorama da economia do Brasil. Um dos pontos destacados por ele vai ao encontro de uma questão bem presente na hotelaria e que foi levantada pelo presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, durante a abertura do evento: a mão de obra.

Conforme publicamos em HOSTELTUR BRASIL Notícias de Turismo 56º Conotel destaca contrato de trabalho e critica Embratur, Sampaio comenta que o setor não é atrativo para os jovens. Para seduzi-los, seria necessário flexibilizar a carga horária do trabalhador. Por sua vez, o economista ressaltou que a escassez de mão de obra não atinge somente o setor hoteleiro.

O desemprego no Brasil caiu de 12 para 7%, e Amorim afirma que não dá para cair mais 5%. Apesar da demanda, ele afirma que osprofissionais brasileiros não são tão bem qualificados. Isso se evidencia, por exemplo, pelo fato do Brasil estar em 104º lugar em um ranking de qualidade de educação que envolve 148 países. Assim, ele explica que  ficamos na seguinte situação: o trabalhador está cada vez mais caro – por causa da relação entre oferta e demanda, mas é mal qualificado.


“Nos últimos anos, o Brasil gerou 18 milhões de empregos. Já os Estados Unidos geraram apenas um milhão”, enumera. A Europa gerou ainda menos empregos. Hoje o Brasil recebe até imigrante ilegal! Está cada vez mais fácil atrair estrangeiros para cá. E não há uma pesquisa sobre isso, mas eu estimo que pelo menos 600 mil brasileiros que viviam no exterior voltaram para o País – eu inclusive”, diz bem humorado.


Outra questão chave é a produtividade. “Um americano produz o mesmo que cinco brasileiros. Além de não ser tão bem preparado, ele não conta com os mesmos equipamentos. É como comparar um trabalhador com um trator [e que sabe operar o trator] fazendo o mesmo trabalho de cinco outros que só têm uma enxada cada um”, explica. “Não conheço o caso de um país que se desenvolveu antes de desenvolveras pessoas. O Brasil tem problema de qualidade da educação e de acesso a ela. É necessário resolver isso”, afirma.