Bolos, doces, biscoitos, cremes, geleias, sobremesas, todas decoradas com esmero. As combinações possíveis ficam a cargo do talento do confeiteiro, profissional procurado por restaurantes, cafeterias, confeitarias e pela rede hoteleira. Encontrar funcionários qualificados e interessados, porém, não é tarefa simples. A escola de culinária Kasa Chique e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) iniciaram novas turmas em cursos profissionalizantes na área no fim de maio. A primeira está formando o 11º grupo de profissionais, enquanto o Senac, nos últimos 10 anos, chegou a capacitar 300 pessoas por ano. Ainda assim, a demanda do mercado não é atendida.
Gleides de Souza Ramos Ayres, 51 anos, abriu o Amor à Torta na 310 Norte em 1991 e passou por poucas e boas à procura de empregados. A saída, em um mercado com pouca gente qualificada, é treinar a própria equipe. “Minha chef confeiteira está comigo há 23 anos. Ela começou como balconista, e ensinei tudo a ela. Quando preciso substituir alguém, treinamos as auxiliares.”
No primeiro dia do curso de confeitaria na Kasa Chique, turma aprende com a professora Renata Miranda
As queixas da empresária são endossadas por Mariana Rollemberg, diretora da Kasa Chique. “Tem muito anúncio de vaga, recebemos telefones de confeitarias e hotéis atrás de profissionais. Indicamos alunos, mas não dá para suprir a necessidade total”, revela. Segundo ela, não faltam pessoas interessadas pela área, mas sim trabalhadores capacitados. “Muita gente não evolui por falta de formação técnica. É preciso estudar e conhecer as técnicas básicas até mesmo para trabalhar como microempreendedor individual (MEI), que é a escolha de muitos.” No curso da instituição, 70% dos alunos estão ali para melhorar o próprio negócio; outros 30% são iniciantes. As formações na área não são de longa duração e, segundo Mariana, estudar antes de trabalhar no ramo faz toda diferença. “Além de entender as técnicas, o aluno sai com um rol de conhecimentos em boas práticas e armazenamento; aprende os variados formatos e porções em que um produto pode ser apresentado e também a trabalhar em equipe.”
Professora do curso de confeitaria do Senac no DF, Sonia Aiko Takata, 49 anos, avalia que as diferenças entre os profissionais que estudaram e os que não procuraram formação são gritantes. “Quem não fez curso é um mero repetidor de receita, quando erra não sabe por que e não compreende a técnica. O empregador também percebe diferenças em higiene, boas práticas, saber não desperdiçar”, compara. Sonia observa que a falta de confeiteiros é um problema não só em Brasília, mas em todo o mundo. “As pessoas não têm noção do quanto é difícil formar um bom profissional. Não basta formação técnica, é preciso fazer cursos, investir em livros. Depois de estudar tanto — e gastar com isso —, a pessoa não vai querer ganhar pouco e, muitas vezes, parte para um negócio próprio para ter uma renda melhor. O mercado é promissor, mas cabe aos empresários valorizarem mais essas pessoas”, diz. Para quem opta pelo próprio negócio, o curso do Senac, que envolve confeitaria clássica e artística em 300 horas, ministra 20 horas sobre trabalho autônomo.
Fonte: Correio Brasiliense