Comida oriental cai no gosto, gera concorrência e tem risco de saturação, em Manaus

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Redes de fast-food se expandem para todas as zonas da cidade e tentam manter clientela cativa.



Dono do Fast Temaki, Alexandre Loureiro investiu, inicialmente, R$ 20 mil no negócio ao
lado do sócio Jorge Santoro. Foto: Reinaldo Okita


A comida oriental, principalmente a japonesa, popularizou-se nos últimos sete anos em Manaus. Hoje, são mais de cem estabelecimentos espalhados por todas as zonas da cidade. Quem entrou no mercado só tem a comemorar a rentabilidade do setor que agora começa a dar sinais de saturação.


Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Restaurantes e Hotelaria do Amazonas (Abrasel/AM), Lilian Guedes, o mercado atual está chegando ao limite nessa especialidade. “Tivemos um ‘boom’ da comida japonesa nos últimos anos em Manaus. Acredito que o mercado já deu uma freada. Só vão sobreviver os melhores”, disse.


O motivo para essa multiplicação de estabelecimentos,  segundo Guedes, é o baixo aporte em relação a um restaurante tradicional. “O investimento no negócio é bem menor do que um restaurante de comida diversificada. Com até R$ 50 mil, a pessoa consegue montar o restaurante japonês. É barato porque requer uma estrutura menor, com poucos equipamentos e menos funcionários”, disse.


Mas a disputa pelo cliente é acirrada. “Nos lugares mais distantes de Manaus já tem uma temakeria. É uma concorrência desleal. O empresário enfrenta a dificuldade de ter uma mão de obra técnica, como o sushiman”, disse Déricles Galvão, que controla o Japa Food, ao apontar que a falta de planejamento  é um dos principais motivos que leva ao fechamento.


Na Abrasel, há apenas 17 restaurantes orientais associados. Mas, de acordo com a vice-presidente, há pelo menos cem estabelecimentos. “Muitos deles ainda nem formalizaram a sua empresa”, disse.


Um dos restaurantes pioneiros da comida japonesa em Manaus que enfrentou a forte concorrência foi o Suzuran. Segundo o proprietário, Hiroya Takano, isso ocorreu logo que surgiram as temakerias, há cinco anos. “Na época, fiquei muito preocupado e sentimos um pouco a concorrência. Mas, hoje, vejo que eles são parceiros e que quem come nessas casas, um dia, vem prestigiar a minha comida”, disse, acrescentando que ao longo desses 36 anos cativou um público fiel.


Com a proposta de atender ao público jovem e democratizar a comida japonesa com preços mais acessíveis, a dupla de empreendedores Alexandre Loureiro e Jorge Santoro abriu o Fast Temaki, há sete anos. “O primeiro dia de atendimento superou as nossas expectativas. Esperávamos vender R$ 400, mas conseguimos atingir R$ 3 mil”, disse Loureiro.


Inicialmente, a dupla investiu R$ 30 mil e, em apenas três meses de funcionamento, obteve retorno. “Hoje, temos 15 lojas do Fast Temaki espalhadas pela cidade, que empregam mais de 200 pessoas. A mais nova abriu na zona leste de Manaus, que é onde queremos expandir”, contou.


De acordo com o empresário, algumas zonas da cidade já estão saturadas, mas ainda há lugares para conquistar. “Manaus tem mais de 2 milhões de habitantes. Ainda tem muita gente, digamos que 50% dessa população nunca comeu comida japonesa. E é isso que queremos conquistar, as classes C e D”, ressaltou Loureiro.



Fonte: D24AM – Por Lílian Portela