Comida Di Buteco: caravana percorre bares da Zona Portuária e Subúrbio

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Por Clarimundo Flôres/SRZD


Como já é tradição, uma caravana formada por amigos saiu do Largo do Machado para um passeio a alguns dos bares participantes do Comida Di Buteco.  O trajeto incluiu botecos localizados na Zona Portuária (Bar do Omar) e também os do subúrbio da cidade (Cachambeer, Tramelinha e Du Moçada). Como se vê, cenários diversos na busca do que a gastronomia popular pode nos oferecer. O retrado de uma cidade, entre obras controversas e acontecimentos imperdoáveis, mas que tende a sobreviver ao caos instaurado pelos governantes.



Subindo a Rua Sara, no Santo Cristo, numa área árida e pouco explorada pelo carioca – não sem razão, pois a região sofre de um abandono que as obras atuais parecem não vencer – nos damos com o simpático Bar do Omar. A vista que a sacada do estabelecimento oferece mostra uma Baía de Guanabara com ares industriais, mas ainda bela. Provamos o Caldeira de Yellowstone – cuscuz de milho temperado com bacon, queijo coalho, pimenta biquinho, cebola roxa e filé mignon. O cuscuz, em formato de vulcão com a pimenta no cume, faz referência ao Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos.


O conjunto é muito interessante, com os elementos combinando uns aos outros de tal forma harmoniosa, que é impossível não raspar o prato onde o petisco vem servido. O Omar demonstrou desenvolvimento em sua cozinha. O bar sempre apresentou petiscos simples, singelos. O da atual edição mantém esta mesma pegada, mas com um adicional de criatividade que deve ser festejada e brindada. Aliás, vale muito a pena experimentar a batida Omaracujá.



Depois, seguimos para o Cachambeer. O atendimento enfrentava problemas devido ao grande número de pessoas interessadas em conhecer e provar o petisco deste ano. De qualquer forma, após alguns desencontros, conseguimos provar De Coxinha não tem nada, nem Galinha – quatro coxinhas abertas recheadas com feijoada, costela no bafo, carne de porco e camarão no catupiry, acompanhadas de molho à base de mel e mostarda. Controverso, o petisco tinha contra si o fato de ser extremamente pesado e nem sempre os recheios estarem de acordo com a massa (grossa) da cochinha.  O camarão com catupiry talvez seja o exemplo mais claro da falta desta sintonia. Nos restou, como forma de fazer cumprir nossa estadia no bar, pedir a tradicional e deliciosa Costela no Bafo. Isso sim, um primor de comida.



Chegando à Piedade, demo-nos com o simpático Tramelinha. O bar tem dois andares, sendo que o de cima conta com ar-condicionado. O boteco fica numa área muito movimentada do bairro, espécie de entroncamento de diversos bares.  Lá, comemos o Maria Tramelinha – noisette de aipim com molho parmesão e ragu de carne de sol. Tudo funciona neste petisco, onde o sabor bem temperado se destaca desde a primeira garfada.  O bolinho de aipim não conta com recheio algum, mas ele se integra tão perfeitamente ao parmesão e à carne de sol, que nem precisaria. O Tramelinha, que é um dos estreantes do Comida, surpreendeu de forma bastante positiva em todos os quesitos.


Logo ao lado do Tramelinha, seguimos a pé até o Du Moçada. A porta, pequena e acanhada, não diz o que o bar é por dentro – um imenso salão bem organizado, com enfeites de bom gosto, refrigerado e acolhedor. O serviço funciona perfeitamente,  apesar do bar estar cheio.  O boteco, também estreante no concurso, tem um petisco batizado com o nome do bar – creme de catupiry com camarão e alho poro sob um massa frita de aipim com o queijo. O resultado, no entanto, não agradou muito. O uso excessivo de catupiry anulava por completo o sabor do camarão e castigava a massa de aipim, esta sim deliciosa. Alguém do grupo sentenciou: “parece empada do Belmonte”. E não houve quem discordasse, infelizmente. Esperamos que o Du Moçada possa adquirir algumas lições do concurso e aprimorar ainda mais sua cozinha. Potencial tem de sobra.