![[01g]](http://guiagphr.com.br/Imagens/galeria_20802_0704174636.jpg)
Apesar de toda a crise política e econômica, não dá para ser totalmente pessimista num país privilegiado como o Brasil
A cada dia deste aziago ano de 2016 surge um novo desdobramento da operação Lava Jato, na forma de prisões, indiciamentos, encaminhamentos ou conduções coercitivas de políticos das mais variadas ideologias e partidos. Os reflexos econômicos dessa crise política têm sido nefastos no nível de produção, emprego e renda, num processo recessivo que se auto-alimenta. Nossa primeira reação é de total pessimismo em relação às perspectivas da economia nacional, que parece rodar dentro de um túnel mais extenso que o acaba de ser inaugurado na Suíça. Com a diferença que o túnel suíço é uma obra-prima em todos os sentidos ? principalmente engenharia e gestão ?, enquanto nosso túnel metafórico é uma obra-prima de ineficiência e corrupção.
Seria o caso, então, o caso de sucumbir ao desânimo, jogar os botes salva-vidas ao mar e abandonar este enorme navio chamado Brasil? Esta é, realmente, ?a maior crise política e econômica de nossa história?, como apregoam alguns analistas? Justifica-se tanto pessimismo no país que possui a quinta superfície e, coincidentemente, a quinta população ? e, portanto, mercado ? do planeta? Que não tem grandes desertos nem catástrofes naturais, como terremotos ou furacões devastadores? E que, ao contrário, abriga imensos recursos naturais, como reservas de água doce, jazidas de minérios e terras férteis? Ser pessimista num país privilegiado como este é admitir a total incapacidade do povo que a habita ? ou seja, nós, brasileiros.
Crises sempre existiram, e sempre hão de existir, tanto políticas quanto econômicas. No caso da economia, existe inclusive o conceito do ?ciclo econômico?, caracterizado por uma alternância de períodos de crescimento relativamente rápido do produto (recuperação e prosperidade), com períodos de relativa estagnação ou declínio (contração ou recessão). Em poucas palavras, nenhuma crise ou bonança são eternos. Ainda bem! Já na política, pode até haver alternância entre partidos e ideologias, mas que, cedo ou tarde, acabam sucumbindo à mesma tentação de tirar proveito do poder ? que invariavelmente corrompe.
Já que o Brasil não vai afundar definitivamente, cabe tirar alguma lição do atual contexto político nacional, de modo a que, como nos ensina ? ou, deveria ensinar ? a História, os males não repitam. Imbuídos desse espírito otimista, vale observar que ?nunca na História deste País?, se pegou tanto corrupto com a mão na botija ou, pelo menos, com as evidências de ter colocado a mão na botija. Nunca se pegou tanto político, acólito ou cidadão comum comprometido com a corrupção, como agora. Obviamente, alguns deles vão escapar de um castigo exemplar, por se ?fingirem de mortos? ou por falta de provas. Mas só o simples fato de alguns ?peixes graúdos?, com foro privilegiado, terem sido indiciados e até condenados já um enorme avanço em relação à impunidade que sempre reinou neste País. É a prova incontestável de que corrupção pode ainda ser digna de uma República de Bananas, mas as instituições já são de um país evoluído. Cabe agora ao povo ? ou seja, todos nós ? preservar essa conquista, para que o Brasil evolua como um todo e seja digno de sua grandeza.
* Julio Gavinho é é executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis e criador da marca ZiiHotel.
Divulgação: Vervi