As garrafas

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Por: Érika Mesquita


Esse é um assunto que já escrevi aqui, mas é sempre bom retornar a ele porque no meu dia a dia profissional, trabalhando com vinhos, as dúvidas sempre aparecem. Com elas eu aprendo e tenho oportunidade de dividir experiências aqui na coluna.


As perguntas mais frequentes a respeito das garrafas de vinho são essas: a qualidade da garrafa está ligada à qualidade do vinho O fundo da garrafa mais acentuado tem alguma ligação com o preço ou qualidade do vinho


Todos nós que bebemos vinho com alguma frequência já percebemos que algumas garrafas são imponentes, pesadas e com fundo bem acentuado, e assim dão a impressão de que contém até mais de 750 ml, algumas pesam tanto que parecem ter 1,5 kg. Mas essas características não estão relacionadas necessariamente à qualidade do vinho.


Em algumas regiões, o modelo da garrafa é determinado pela lei, pelas regras impostas aos produtores do lugar. Por exemplo, os vinhos da região de Bordeaux são colocados em garrafas com pescoço menor, com ombros mais altos, no estilo que conhecemos como bordalês, são mais retas. Na Borgonha, as garrafas têm pescoço mais longo, são mais bojudas e de longe podemos reconhecer seus pinot noir ou chardonnay pelo formato da garrafa.


Em Champagne, e também para todos os demais espumantes do mundo, existe uma garrafa própria, com paredes mais grossas e o fundo com uma curvatura bastante acentuada. Essa foi uma solução encontrada pela engenharia para que a garrafa suporte a pressão interna causada pelo gás carbônico acumulado, que é 6 vezes maior que a gravidade da Terra.


Já nos tintos e brancos o fundo chupado tem outra função: facilitar o armazenamento nas vinícolas, porque as garrafas são alinhadas na horizontal e o bico de uma encaixa-se no fundo da outra, travando a enorme pilha de garrafas.


Na hora de servir o vinho, se o fundo for mais acentuado, pode o garçom, sommelier ou mesmo você em casa encaixar o dedo polegar ali, dando um ar de elegância ao momento. Mas cuidado, é preciso prática para se fazer isso.


Tudo isso não está ligado necessariamente à qualidade do vinho, até porque o produtor não põe vinho ruim em garrafa cara. Isso é bastante lógico. Então, se um vinho está numa garrafa que pode custar duas ou três vezes mais que uma garrafa padrão, provavelmente, ele tem melhor qualidade. Mas vale lembrar que alguns grandes vinhos italianos da Toscana, por exemplo, estão em garrafas comuns, embora sejam ótimos.


Anote aí: as vinícolas que têm recebido selos de sustentabilidade são amigas do meio ambiente, utilizam garrafas mais leves, com menos vidro, porque isso é economia da própria matéria-prima, mas também de combustível na hora de transportar, poluindo menos. Uma tendência à qual devemos nos acostumar, assim como as rolhas de cortiça sendo substituídas por tampa de rosca.


Fonte: Correio de Uberlândia – http://goo.gl/0ZXRHu