Por Alessandra Gomes Rodrigues / Blog EnoGastrô
Temperatura e umidade constantes o ano todo, e ausência total de luz, são as características de uma “cantina” muito especial: uma mina de talco (silicato de magnésio) abandonada no Piemonte. A vinícola L’Autin possui 3 mil garrafas de espumante método clássico, que maturam ali.
Essa ideia é de Mauro Camusso, formado em Agronomia, mas com um passado ligado a grutas de pedra. Segundo ele, o desafio foi produzir um espumante no próprio território, que está na metade do caminho entre Pinerolo e Cavour e aos pés dos Alpes; além de estar a uns 50 Km a sudoeste de Torino. “Sempre tive as uvas no sangue, então, decidi seguir uma tradição herdada do meu avô. Assim, em 2010, junto com um sócio, comprei quatro hectares de vinhedos de Chardonnay e de Pinot Nero.”
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A primeira colheita deles foi em 2013, e o primeiro vinho foi feito em 2014. Em 2015, Mauro decidiu acrescentar açúcar e leveduras aos vinhos. Assim, transformou as 3 mil garrafas que tinha, usando o método clássico, e colocou-as no fundo da mina de talco de Prali (To), no Val Germanasca.
Camusso continua: “Achei que esse era o lugar ideal para um vinho, depois de tê-lo visitado com minha filha.”
A mina, inaugurada em 1937, parou de produzir em 1995 porque suas galerias eram muito estreitas para os equipamentos modernos. Em 1997 ela foi transformada num ecomuseu, e reaberta.
“As condições da mina, diz Camusso, são muito especiais. A temperatura lá, é de 10 graus durante o ano todo, ela é escura, e tem 90% de umidade. Teoricamente, estes são os valores ideais para as “bolhas” se refinarem, ficarem mais elegantes.”
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As garrafas, de vidro espesso (para resistir à pressão da fermentação), ficam repousando horizontalmente por 30 meses em um pequeno túnel no fundo da mina, longe dos percursos turísticos. Lá, os vinhos adquirem notas aromáticas e o pérlage fica mais elegante. Passados os 30 meses, é feito o “remuage”, ou seja, as garrafas são colocadas verticalmente, de cabeça pra baixo, por 3 semanas, para que as borras desçam para o pescoço da garrafa. Segue o “dégorgement”, sem acréscimo de “liqueur” e as rolhas são colocadas.
O espumante brut obtido, se chama Eli, em homenagem à filha de Camusso. As primeiras garrafas foram abertas em outubro do ano passado, com uma certa antecipação, e prometem! “O produto recebeu criticas positivas!”, afirma orgulhosamente Camusso. “O espumante é fresco, possui boa acidez, espuma fina e cremosa. Os aromas são frutados, de leveduras e casca de pão. Fizemos um experiência, mas só o tempo nos dirá se os frutos colhidos serão duradouros. De qualquer forma, o retorno dado pelos nossos clientes, é animador!”
Com certeza as condições são ótimas para a produção de vinhos, e a presença deles ali, aumenta o interesse pela mina.
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Os franceses já produzem vinhos em grutas desse tipo e esse não é o primeiro caso de experimentação de vinhos em minas, no Piemonte. Experiências parecidas foram feitas com vinhos tintos da Viticultori Associati di Canicattì (Ag), com o Botticino DOC nas minas do Valle Trompia, e com o Gewürstraminer, nas grutas de Monteneve em Val Ridanna (Trentino). Existem vinhos também, nas minas de calcário de Cricova (perto da capital da Moldávia), que com os seus 60 km de galerias, é considerada a maior “cantina” subterrânea da Europa sul oriental.
Fonte: Il Sole 24 Ore – goo.gl/ZdGWil