Primeiro hostel sobre Michael Jackson fica em Campinas

 


Por Gustavo Abdel/Via Correo Popular


‘‘Você nunca viu um hotel assim: quartos são decorados com o que se pode imaginar sobre o cantor; o Rei do Pop está em adesivos nas paredes, roupas de cama, cortina, almofadas e até cestos de lixo’’


Há dois anos funciona em uma das ruas do Jardim Santana, em Campinas, sem despertar qualquer alarde na vizinhança, uma pequena hospedagem. O detalhe é que da porta para dentro do número 261 da Rua Valdemir Pereira existe um verdadeiro santuário, onde a música invade o ambiente e o Rei do Pop é tratado até como um arcanjo pela proprietária.


Trata-se do Hostel Michael Jackson, o primeiro do gênero no Brasil e no mundo, dedicado em detalhes, corpo e alma ao artista considerado um dos mais influentes dos anos 1990, e que faleceu há seis anos em Los Angeles, aos 50 anos.


A ideia não poderia partir de outra pessoa a não ser de uma apaixonada pelo cantor. A empresária Kátia de Almeida Bellomo, de 55 anos, fez da sua aconchegante casa, que ocupa dois terrenos, um local para acomodar fãs de todas as partes que queiram praticar, segundo ela, a “Terapia Michael”, ou seja, passar um fim de semana ouvindo, lendo e assistindo tudo sobre o artista.


O hostel acomoda até nove hóspedes, e possui duas suítes e um quarto grande que comporta até cinco pessoas. Todos eles decorados com o que se pode imaginar sobre Michael, como adesivos nas paredes, roupas de cama, cortina, almofadas, cestos de lixo, quadros e livros de diversos autores retratando a carreira de sucesso?—?e também as polêmicas envolvendo o artista.


O detalhe que chama a atenção e é considerado o toque final da proprietária é o desenho do rosto de Michael no fundo da piscina. Esse é um dos ambientes preferidos de Kátia, pois gosta de ligar um aparelho de som digital e propagar as canções para os hóspedes, enquanto tomam café na manhã na beira da água.


O salão decorado e equipado com os objetos mais raros do cantor é o “santuário” do hostel, denominado Studio MJ. O local tem acesso exclusivo por uma entrada separada das acomodações e capacidade para abrigar até 70 pessoas.


Kátia afirma que aos fins de semana, quando ocorrem matinês ao som de Michael, a média do público tem ficado em torno de 30 pessoas, mas que a divulgação está apenas começando. Mesas decoradas, sofá, um palco e um enorme espelho projetam a dimensão do amor de Kátia pelo cantor. Afinal, foram investidos aproximadamente R$ 50 mil do seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para deixar o hostel do jeito que ela imaginou.


“Eu já tinha uma paixão por Michael desde criança, mas foi depois de um show em São Paulo de um grupo da Inglaterra (Thriller Live), que vi toda a grandeza do artista, a sua beleza enquanto pessoa e como era defensor de inúmeras causas humanitárias”, lembra. Decidiu então investir no salão com equipamentos de som e projeção de últimas gerações e colocar os quartos que estavam “ociosos” em sua casa para os hóspedes.


Internacional
Em sua página no Facebook, o hostel se intitula como uma “atração turística”.


“Não temos Neverland, mas oferecemos MJ Hostel, onde poderemos curtir muito nosso amado: documentários e shows em telão, dança, bate-papo, piscina, sol, tudo ao som de Michael”, divulga a proprietária em sua página.


Kátia conta que já recebeu mensagens de fãs de Michael da Dinamarca, Itália, México, Espanha, Japão e outros países. “Pelas mensagens recebidas os internautas e fãs de Michael não conhecem algo semelhante em seus países”, conta.


As diárias custam R$ 90 por pessoa na suíte e R$ 75 no quarto simples. O hóspede tem direito a café da manhã e um lanchinho da tarde. A próxima matinê ocorre no dia 26 de setembro, e rola até às 22h, ao custo de R$ 15.


“É um horário em que as pessoas que vêm de São Paulo conseguem voltar com tranquilidade”, disse.


“Abri minha casa para os fãs. Quis proporcionar essa experiência única de estar num ambiente caseiro e aconchegante e nesse santuário, totalmente voltado para Michael. Abri minha casa, minha vida e minha amizade para todos que, como eu, têm em Michael sua inspiração e exemplos”, concluiu.



A ex-bancária revela que toda a devoção surgiu a partir do momento em que se aposentou, e sentiu então a necessidade de canalizar seu tempo a algo que realmente amava. Não viu outra saída a não ser o Michael. A partir do despertar do show assistido em São Paulo abriu o caixa para o investimento. Comprou DVDs, CDs, livros, revistas e criou um fã clube campineiro, o primeiro da cidade.


Morando sozinha, já que o filho de 22 anos estava vivendo fora, foi montando aos poucos o hostel e a estrutura do Studio MJ. Além disso, investiu em aulas de dança com profissional renomado e hoje consegue fazer diversos passos do artista, como o famoso moonwalk.


“Comecei a estudar a fundo quem era Michael e pude compreender toda a sua genialidade e humildade. Ele foi um arcanjo, que espalhou coisas boas para o mundo inteiro”, acredita.


Como uma fã que se preze, Kátia fala com tanto orgulho de seu ídolo que até revela coisas curiosas dessa paixão. Ela não escuta há anos outra música que não seja as do artista, por exemplo. Desenvolveu uma espécie de “bloqueio” a outro cantor ou cantora. “As músicas dele já me completam” , afirma a aluna da primeira turma de Artes Cênicas, da Unicamp.


A empresária disse que está tendo retorno financeiro, mas que essa preocupação não lhe tira o sono. “Afinal, se ninguém vier pelo menos tenho um sonho realizado e dentro de casa”, revela. Mas a cada dia mais fãs a procuram para se hospedar no “santuário”.


Fonte: MJBeats – https://goo.gl/FZz48V