Cresce uso de moeda virtual em transações feitas na Bahia


No Hostel Family HospedaSalvador, no Centro Histórico, Davi Costa adotou a moeda há dois anos para receber pagamentos


A venda de produtos e serviços para uma clientela que não precisa mexer no bolso da calça, seja para pegar o cartão de crédito ou catar as cédulas de dinheiro, é a realidade dos negócios da cidade que aceitam a moeda virtual bitcoin como pagamento. A criptomoeda alcançou a casa dos US$ 5 mil no começo do mês, o maior valor registrado desde que surgiu no mercado, em 2009.


Há quase dois anos, os clientes do Hostel Family HospedaSalvador, no Centro Histórico, podem usar a bitcoin para pagar os valores da hospedagem. Depois de notar a constante valorização da moeda, o administrador de empresas Davi Costa, proprietário do estabelecimento, resolveu investir nas carteiras digitais, softwares em que ficam armazenadas as bitcoins recebidas.


“Sempre fui antenado com as novas tecnologias do mundo dos negócios. No caso da Bitcoin, percebi que ela estava com boa valorização, fato que me fez investir na carteira para ter condição de receber essa forma de pagamento”, diz.


Estudo de risco


A emissão da bitcoin não é controlada pelo Banco Central do Brasil, devido ao fato de não ser regularizada no país. O processo de produção, conhecido como mineração, é feito de forma descentralizada por computadores configurados para a criação das criptomoedas e registro das transações feitas.


“O processo de compra e troca com a bitcoin funciona bem entre pessoas que estabelecem relações de confiança. Como a moeda virtual ainda não é reconhecida pelo governo brasileiro, o empreendedor precisa ter o cuidado de não enviar ou receber as bitcoins em carteiras erradas, pois não existe órgão responsável por reclamações”, conta Davi.


O administrador de empresas Roberto Stein, dono da Adamos Tecnologia, empresa especializada em serviços de tecnologia da informação (TI), comprou as bitcoins em casas de câmbio virtuais e passou a estudar o comportamento das transações realizadas com as criptomoedas.


De acordo com as suas análises, por se tratar de unidades que crescem dentro do limite de 21 milhões até o ano de 2140, fixado pelos desenvolvedores, os investidores precisam ficar atentos para que as bitcoins não virem bolhas financeiras que estouram e criam prejuízos ao negócio, tornando desvantajoso, nestes casos, o uso da moeda.


Valorização


“Quanto maior a noção de que o ativo vai valorizar, mais gente compra e maior fica o preço da bitcoin. Como existe a possibilidade de o valor do ativo desviar do considerado real, a chamada bolha financeira, é bom o empreendedor evitar grandes transações com a bitcoin”, explica Stein.


Assim como Davi, após realizar pesquisas sobre a moeda digital, o contador Thales Silveira, sócio da empresa de contabilidade Contribute Contadores Associados, resolveu adquirir uma carteira. Há cerca de 20 dias, os computadores do escritório da empresa, localizado no Jardim Apipema, estão disponíveis para receber as bitcoins como pagamento.


“Apesar de ainda não ter recebido clientes que usam a moeda, acredito que esse é um ativo de grande potencial de valorização, uma forma de inovação nos negócios”, diz.


No mercado, costuma-se diferenciar o uso do termo: Bitcoin, com letra maiúscula, é usado para descrever o conceito. Já o uso da palavra com inicial minúscula é para tratar da unidade de bitcoin, a quantidade de moedas.



Fonte: A Tarde – https://goo.gl/Ar4P41