Estado de São Paulo terá o maior Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do mundo, com foco em ações que permitirão aos municípios ampliar o acesso da população a alimentos para erradicar, de vez, a fome no Brasil
Estudo da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados mostra que R$ 7,1 bilhões em alimentos foram para o lixo em 2016, enquanto o Brasil pode voltar ao Mapa da Fome. Apoiado pela FAO – órgão da ONU para a Alimentação e Agricultura e pelo Governo do Estado de São Paulo, o FARM nasce justamente para combater o desperdício e ajudar os municípios a promover boas práticas de integração e prevenção
Acontecerá em Sorocaba (SP), nos dias 20 e 21 de março, a primeira edição do FARM – Fórum de Ação e Recursos para o Município, o maior Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do mundo.
O FARM é um fórum com forte impacto social, que tem objetivos múltiplos, que vão desde melhorar a quantidade de alimentos e qualidade na produção local, incentivando as boas práticas, até a implantação de Banco de Alimentos, uma ferramenta importantíssima para a erradicação da fome, uma ação praticamente inexistente no Brasil (veja os objetivos detalhados abaixo).
Idealizado a partir da união de profissionais como o engenheiro agrônomo e professor Ubaldino Dantas, ex-diretor da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), da tecnóloga em Gestão Ambiental Meire Matos e do agente de segurança alimentar e nutricional José Ribas, criadores da CEAB (Cooperativa Educacional Ação Brasil), aliados ao publicitário Marcus Manfredi, da EnjoyBM Marketing, e ao especialista em eventos Matheus Oliveira, da Smart Eventos, o FARM será realizado em todo o Brasil, em diversas etapas que acontecerão ao longo de dois anos. “A ideia é alcançar todos os municípios brasileiros, envolvendo as autoridades municipais – prefeitos, vice-prefeitos, secretários de abastecimento e agricultura, vereadores e primeiras-damas –, produtores rurais de grande e pequeno portes; cooperativas e sindicatos; distribuidores de alimentos; restaurantes; ongs e, também, a sociedade, que é a maior beneficiada com os projetos apresentados e, posteriormente, colocados em prática”, explica o professor Ubaldino Dantas.
O FARM trará muito conhecimento aos participantes, principalmente no que tange à Segurança Alimentar e Nutricional da região. Por isso, ele será realizado gradativamente, abrangendo determinados municípios, até que se alcance todo o Brasil. “A etapa de Sorocaba abrange 79 municípios e terá palestras voltadas ao público desta região, de maneira que se possa aproveitar o conteúdo em benefício de melhorias locais, dentro dos conceitos de sustentabilidade. Por isso, é tão importante que as prefeituras se mobilizem para participar e que a sociedade cobre essa presença de seus governantes. Não dá para permitir que, num país como o Brasil, haja pessoas passando fome ou necessidade enquanto se desperdiçam R$ 7,1 bilhões em comida ao ano”, diz Marcus Manfredi, publicitário e também idealizador do FARM.
Números do desperdício de alimentos impressionam
É isso mesmo: segundo um levantamento da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados, 2% de todo o faturamento do setor, estimado em R$ 338,7 bilhões em 2016, vai para o lixo, algo em torno de R$ 7,1 bilhões. Lidera esse ranking negativo o desperdício com frutas, verduras e legumes, mas, também há muita perda de itens de padaria, comida pronta e carnes. Conforme a FAO – órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Alimentação e Agricultura, até 30% de tudo o que é produzido não chega às mesas, um dado que comprova que o aumento da eficiência na distribuição dos alimentos poderia deixar o Brasil numa posição muito mais confortável em relação à fome e à miséria. “O Brasil precisa de estratégias estruturais que evitem o desperdício e estabeleçam ações eficazes no combate a fome. O FARM é uma iniciativa que tem todo o apoio da FAO”, disse Alan Bojanic, representante da FAO para o Brasil, no evento de lançamento do FARM. Também apoia o FARM o Governo do Estado de São Paulo.
Objetivos e conteúdo do FARM
O FARM traz aos municípios a oportunidade de debater as necessidades e soluções do sistema de segurança alimentar e nutricional associado ao agronegócio com toda a cadeia produtiva, do pequeno ao grande produtor, envolvendo a indústria alimentícia, os distribuidores e, principalmente, as autoridades municipais.
Apesar de o Brasil ter um Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que determina, no Plansan – Plano de Segurança Alimentar e Nutricional as ações que devem ser realizadas para que se atinjam as metas de acesso universal à alimentação adequada e saudável, a maior parte dos municípios brasileiros não coloca nenhuma teoria em prática. Como citado, são praticamente inexistentes, por exemplo, os bancos de alimentos, nos quais são doados os alimentos que, atualmente, vão para o lixo, mesmo tendo plenas condições de consumo, e que são de responsabilidade do poder público de coordenar, em parceria com ongs, por exemplo.
Desta forma, um dos objetivos do FARM é o de informar e estimular todos os 5.570 municípios brasileiros, até março de 2020, sobre soluções do SISAN (Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional), do COMSEA (Conselho de Segurança Alimentar do Município) e Banco de Alimentos, bem como debater e apresentar soluções no Agronegócio 4.0 e a cadeia produtiva associada ao SISAN e Banco de Alimentos. “Também pretendemos estabelecer network de prefeituras com grandes produtores rurais e de pequenos e médios agricultores com setor da indústria alimentícia e organizações locais, bem como apresentar soluções para a agricultura familiar e de melhorias de serviços e produtividade para a comunidade regional”, explica a tecnóloga em Gestão Ambiental Meire Matos.
O conteúdo do primeiro FARM está riquíssimo, conforme conta Matheus de Oliveira, organizador: “As palestras abordarão a tecnologia energética como ferramenta de diminuição do consumo de água; novas ferramentas de segurança alimentar; como melhorar o acesso dos produtores a instituições financeiras e reduzir a burocracia; as parcerias entre o poder público e as empresas/produtores rurais; como implementar projetos; o futuro do agronegócio e a segurança alimentar e nutricional, entre outros”, comenta.
Oliveira enfatiza que a ideia é fazer com que os participantes saiam do FARM dispostos e capazes de realizar ações locais que permitam o aumento de rentabilidade do município, a diminuição da perda de produção e desejem buscar mais informações sobre oportunidades em sua região, aperfeiçoando a produção, o network e as parcerias de política social. “O reflexo se dará na sociedade, com a economia de inúmeras toneladas de alimentos e suprimentos ao dia, a diminuição da pobreza e da violência, a diminuição do êxodo rural e a retirada daquele município do Mapa da Fome. É um grande incentivo ao progresso regional”, mostra o empresário.
Impacto social: o maior benefício da segurança alimentar
Por conta da troca de informações e da rede de contatos que se iniciará a partir do FARM, a ideia é que se amplie, no Brasil, o impacto social a partir da adoção de medidas de segurança alimentar. “A partir do momento que existem políticas de segurança alimentar e nutricional, com ações locais bem estruturadas e permanentes, criam-se hábitos que levam à saúde e, assim, permitem a diminuição da frequência de pacientes na rede de saúde pública, evitando doenças crônicas, como diabetes, colesterol, obesidade, glicemia, hipertensão. Essas ações têm foco em um trabalho preventivo, que gera a diminuição de doenças em crianças, adultos e idosos, e, como consequência, a redução de uso de medicamentos. Automaticamente, há uma redução efetiva nos custos do Estudo com a saúde e melhoria da qualidade de vida familiar. É um ciclo importante para o desenvolvimento do Brasil”, diz Ubaldino Dantas.
Além disso, é comprovado que crianças mais bem alimentadas têm melhor desempenho escolar e formação física e mental ampliada, com taxa de evasão escolar diminuída. Com a fome reduzida, os índices de violência também caem consideravelmente, gerando um impacto positivo para o município.
Prefeituras devem aderir ao FARM
A equipe de divulgação do FARM está visitando cada uma das prefeituras para apresentar o projeto e buscar a participação efetiva dos municípios. “É de fundamental importância que as prefeituras participem, porque ainda existe a falta de informação legal e operacional do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional pela maior parte dos gestores e secretários municipais. Podemos apontar, também, a falta de qualificação operacional do sistema de segurança alimentar e nutricional das prefeituras, a necessidade de análise situacional, a necessidade de capitação operacional, o entendimento legal e a adequação das leis para fluxo de trabalho como pontos críticos para o não cumprimento de leis que já foram criadas para que se erradique a fome, mas, não são colocadas em prática. Com conhecimento, é possível aos municípios receber apoio do Sistema e Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional, receber captação de recursos, aumentar a imagem pública administrativa com a adoção dos sistemas e seus resultados e criar oportunidade de gerar receita. Caso contrário, o município pode sofrer impacto de mídia espontânea negativa nacional pela não adoção do sistema perder recursos estaduais pela não adesão. Então, a hora de se capacitar é agora”, alerta José Ribas, agente de segurança alimentar e nutricional.
Exposição completa o evento
Além do fórum, a FARM contará com área de exposição, no formato de feira, que dará a oportunidade de parceiros oferecerem seus serviços e produtos aos participantes. Assim, instituições financeiras, de insumos agrícolas e muitas outras são esperadas em cada evento.
Cidades contempladas com a primeira edição do FARM
A primeira edição do FARM contemplará 79 cidades do estado de São Paulo: Sorocaba, Águas de Santa Bárbara, Alambari, Alumínio, Angatuba, Anhembi, Apiaí, Araçariguama, Araçoiaba da Serra, Arandu, Areiópolis, Avaré, Barão de Antonina, Barra do Chapéu, Bofete, Boituva, Bom Sucesso de Itararé, Botucatu, Buri, Campina do Monte Alegre, Capão Bonito, Capela do Alto, Cerqueira Cesar, Cerquilho, Cesário Lange, Conchas, Coronel Macedo, Fartura, Guapiara, Guareí, Iaras, Ibiúna, Iperó, Iporanga, Itaberá, Itaí, Itaoca, Itapetininga, Itapeva, Itapirapuã Paulista, Itaporanga, Itararé, Itatinga, Itu, Jumirim, Laranjal Paulista, Mairinque, Manduri, Nova Campina, Paranapanema, Pardinho, Pereiras, Piedade, Pilar do Sul, Piraju, Porangaba, Porto Feliz, Pratânia, Quadra, Ribeira, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul, Salto, Salto de Pirapora, São Manuel, São Miguel Arcanjo, São Roque, Sarapuí, Sarutaiá, Taguaí, Tapiraí, Taquarituba, Taquarivaí, Tatuí, Tejupá, Tietê, Torre de Pedra e Votorantim.
Serviço
Evento:FARM – Fórum de Ação e Recursos para o Município, o maior Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do mundo
Data:20 e 21 de março de 2018
Local:Parque Tecnológico de Sorocaba – Av. Itavuvu, 11.777 – Sorocaba – SP
Inscrição:R$ 500,00
Capacidade:1.000 convidados
Informações e inscrições:forumfarm.com.br
Telefone:(11) 5587-1174
Divulgação: Em Pauta Comunicação