Queda na ocupação e nas diárias. O que explica a crise na hotelaria de Foz?

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Aumento no número de visitantes nos atrativos de Foz não teve repercussão correspondente na hotelaria. (Foto: PMFI)

 

A baixa ocupação não é o único problema que a hotelaria de Foz do Iguaçu enfrenta. A ela se somam as diárias baixas, “que em alguns casos nem cobrem os custos”, segundo o diretor executivo do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Foz (Sindhotéis), Plácido José de Oliveira.

De janeiro a junho deste ano, a ocupação média dos hotéis de Foz foi de 57,1%, diante dos 58,05% registrados no mesmo período do ano passado. E julho, embora ainda não tenha sido divulgada a pesquisa mensal do Sindhotéis, também teve um resultado abaixo do esperado, segundo Plácido.

O que explica essa situação? Na verdade, segundo o diretor executivo do Sindhotéis, há inúmeros fatores.

A começar pelo aumento do dólar, a crise econômica, o pequeno número de feriadões no período e até as incertezas comuns num início de governo, quando até eventos foram adiados e, no caso daqueles patrocinados por empresas públicas, até mesmo cancelados.

Alguns são fatores que atingem vários setores, e não só na área de turismo. Mas há outros que afetam diretamente a hotelaria, o que explicaria também a queda no valor das diárias.

A sigla

Um deles é a atuação das OTAs. E o que são elas? OTAs é a sigla em inglês para Online Travel Agencies ou, em português, agências de viagens on line. Basta citar alguns nomes e todo mundo já vai saber do que falamos: Booking.com, Expedia, Trivago e Hotels.com, por exemplo.

Quando surgiram, as OTAs representaram até mesmo uma oportunidade para os hotéis aumentarem sua clientela, já que se conquistava hóspedes por sites especializados, com vendas via internet.

No entanto, Plácido destaca que os hotéis, atualmente, “sofrem pressão das OTAs para baixar os preços”. E ficam numa sinuca: melhor qualquer valor do que nada.

Esta pressão é ainda maior por causa também da concorrência entre essas agências de viagens on line, que querem oferecer preços mais baixos para atrair mais público e, claro, ganhar mais, às custas do lucro dos hotéis.

Aliás, na Europa, uma OTA de origem dinamarquesa, a Nustay, denunciou as gigantes do setor por truste, já que tentaram “sufocá-la” por oferecer preços mais baixos, punindo hotéis que apareciam em seu site.

Uma investigação governamental mostrou que alguns sites de distribuição hoteleira, na Europa, praticam descontos enganosos, manipulam preços e criam sensos de urgência com anúncios falsos, práticas “que prejudicam tanto os consumidores quanto os hotéis”, conforme apurou o inquérito.

A Nustay, conforme reportagens publicadas na imprensa europeia, cobra taxas mais baratas dos hotéis e, com isso, pode fazer ofertas melhores aos clientes, sem prejudicar o ganho dos hotéis.

Se há problemas entre as próprias OTAs, o que dizer dos hotéis, que ficam na linha de fogo?

Airbnb

À questão das OTAs se soma outra “invenção” bem atual, o aluguel de imóveis pra curta temporada, oferecido também on line. O site mais conhecido é o Airbnb, mas outros, que anteriormente só trabalhavam com hotéis, agora também oferecem aluguéis em residências particulares.

Se você procurar no Airbnb por Foz do Iguaçu vai encontrar, só pra este final de agosto, “mais de 300 lugares para estadias”, como informa o site.

Isto inclui apartamentos, casas, quartos, flats, lofts, quartos em hostels e até prédios inteiros. O preço varia muito, mas é possível encontrar alguma dessas estadias por R$ 40 a diária (e isso para dois hóspedes).

Desleal

Plácido José de Oliveira explica que Airbnb e assemelhados representam uma concorrência “desleal e predatória” para os hotéis. “É um problema que tem que ser enfrentado com urgência”, diz.

Ele compara que um hotel exige investimentos de milhões e tem um custo elevado de manutenção, com serviços que exigem muita mão de obra especializada, enquanto para alugar uma casa ou apartamento no Airbnb não precisa nada, nem sequer passar por inspeção da vigilância sanitária ou do Corpo de Bombeiros.

Além disso, lembra Plácido, numa região de fronteira isso deveria exigir mais atenção das autoridades. Quando se hospeda num hotel, a pessoa precisa se identificar, necessariamente. A livre circulação até em prédios inteiros pode tornar mais fácil a ação do crime organizado, com o tráfico de drogas, de armas e até de pessoas.

Táxis e Uber

Quando se fala em Airbnb, automaticamente vem a comparação com o Uber, plataforma de transporte por aplicativo, que realmente tem alguma semelhança.

Mas há uma grande diferença: há exigências para a atuação do Uber e de outros serviços semelhantes, e além disso os motoristas têm que atender a normas e trabalham às claras, enquanto o aluguel pela internet é feito sem qualquer controle, inclusive do lucro que os locadores têm.

Fontes: Sindhotéis, Asksuite.com e revistahoteis.com