Com a flexibilização em BH, hotéis reabrem e tentam recuperar o tempo perdido durante a pandemia; alguns só reabrirão ano que vem

 

O setor hoteleiro de Belo Horizonte vai tentando aos poucos retomar seu espaço, com olhos bem atentos ao novo normal. Um dos mais antigos da capital mineira, o hotel Financial está entre os 20 empreendimentos de hotelaria na grande BH que estão sem previsão para reabrir as portas neste ano. A perspectiva é que a reabertura seja feita só depois do carnaval do ano que vem.

De acordo com o gerente do Financial, César Viana, a pandemia é, sem dúvida, a pior crise vista nos 72 anos de experiência. “Tivemos uma experiência muito amarga nos anos após a Copa de 2014 até 2018, e em 2019 a gente começou a recuperar, mas também foi uma crise bastante pesada. Nós não contraímos dívidas, temos algumas coisinhas em atraso, mas já estamos organizando isso e a gente deve liquidar tudo até o fim do mês.”

Viana conta que o hotel teve que se adaptar para conseguir passar pela pandemia sem ter muitos prejuízos, principalmente financeiros. “Nesse período nós mantivemos alguns funcionários sobre a medida provisória do governo com contratos suspensos, demos férias antecipadas, banco de horas, mas agora a gente decidiu que é hora de realmente dar um tempo maior.”

Considerado de alto padrão, o hotel Caesar, no bairro Belvedere, na região Sul de BH, é mais focado no público corporativo, esportivo e de artistas, e começou a movimentar a ocupação ainda baixa, entre 15 e 20%, porém considerada acima do esperado diante do contexto da pandemia.

Segundo a gerente geral do hotel, Franceli Lopes, um novo público tem ajudado nessa movimentação: hóspedes de Belo Horizonte. “A gente acredita que as pessoas estão cansadas de ficar em casa e estão procurando os hotéis porque elas entendem que em hotel elas têm uma máxima segurança”, pondera.

O hotel Mercure no Lourdes, na região Centro-Sul da capital, ficou fechado por quatro meses e reabriu no início deste mês, com redução de metade do quadro de funcionários. Conforme o gerente Rodrigo Mangerotti, a aposta agora é no turismo de lazer, no fortalecimento de delegações esportivas e ainda em visitas de trabalho na capital mineira.

“Sabemos que a capital mineira é muito vocacionada para o turismo de negócios e eventos então a gente continua apostando no turismo de negócios. Claro que durante os próximos 12 a 18 meses terão maior dificuldade ou até e quando a vacinar chegar a população, mas a gente continua apostando e fortalecendo nesse segmento. No turismo de lazer a gente tem fortalecido principalmente as viagens regionais, de até 300 km de distância, a gente tem feito maior divulgação, maior publicidade e promoções para que esses viajantes possam visitar a capital mineira e desfrutar de algumas novidades desse novo normal.”