Um chef SEM PALADAR???
Grant Achatz, o chef nº 1 dos EUA, conta como foi perder o paladar com um câncer aos 33 anos
Como se não bastasse ser o comandante da sexta melhor cozinha do mundo e a primeira dos Estados Unidos, a do Alinea em Chicago, o chef Grant Achatz tem uma vida digna de cinema.![[01g]](http://guiagphr.com.br/Imagens/galeria_4006_0315092723.jpg)
Aos 33 anos, soube que estava com um câncer na língua, em estágio quatro (numa escala que vai até cinco).
Antes de descobrir a doença, foi vítima de diagósticos errados. Quando veio a confirmação do que de fato era o incômodo na boca que começou com uma manchinha na língua, parecia ser tarde.
Aconselhado a remover todo o órgão, resistiu e, durante um tratamento alternativo, perdeu o paladar.
“Entre muitas coisas, ouvi que tinha duas opções: remover a língua ou morrer. Se eu tivesse ouvido os primeiros quatro médicos com quem me consultei, eu não estaria aqui agora”, afirma.
O tratamento, com sessões intensas de quimioterapia, por 12 semanas, e de radioterapia, por mais seis, o fez perder todo o cabelo e teve descolada a pele da boca.
O paladar sumiu por um ano. Para continuar o trabalho, teve de confiar na sua equipe para saber coisas simples da cozinha, como se faltava sal em um prato.
A capacidade de sentir o sabor foi voltando aos poucos. A primeira coisa a reconhecer foi o doce.
“Como uma criança, o doce foi o primeiro sabor que voltei a reconhecer. Logo depois, o amargo. Quatro meses depois disso, reconheci o salgado. E, para mim, como chef, foi uma rara oportunidade. Hoje, acho que combino os ingredientes de forma a obter mais contraste porque foi a experiência que tive quando estava na fase de recuperação do meu paladar.”
A doença não o fez parar de trabalhar. Manteve sua rotina na cozinha, conseguiu vencer o câncer e, recuperado, comemorou com dois investimentos: o Next, que muda de cardápio a cada três meses e vende entradas pela internet, e o Aviary, um elegante bar de coquetéis.
CROQUI
O processo de criação de um prato começa com um croqui, pregado num quadro, para que os cozinheiros pensem em como executá-lo.
O próximo passo é filmar a história da doença. Achatz acaba de assinar o contrato do projeto, que será dirigido por David Dobkin (o mesmo de “Penetras Bom de Bico”).
Ele ainda não sabe quem o interpretará –cogita-se que seja Zac Efron, de “High School Musical”–, mas diz que quem quer que seja, terá de ir à cozinha. “Vai ter que conhecer bem os restaurantes e fazer algum prato”, diz.
O filme contará sua vida profissional desde o começo, quando lavava pratos, até o reinado em Chicago.
Na cidade, Achatz é uma majestade que trabalha 16 horas por dia, 12 delas em pé.