Bourgogne Wine Tour – Descobrindo os Vinhos da Borgonha

por migracao

Bourgogne Wine Tour – Descobrindo os Vinhos da Borgonha


No último dia 19 de abril tive a oportunidade de participar, no Rio de Janeiro, de um evento realizado pelo BIVB – Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne. O dia começou com um almoço oferecido à imprensa, onde vinhos, escolhidos a dedo, foram harmonizados com a sempre espetacular cozinha do chef Roland Villard, do Pré Catelan. Foram dois brancos – Chablis e Pouilly-Fuissé – e quatro tintos – Mercurey, Clos de Vougeot, Mazoyeres Chambertin e Mazis-Chambertin. Só eles já bastariam para valer o dia…











Em seguida, participei de uma Masterclass conduzida pelo especialista francês Jean-Pierre Renard, da École des Vins de Bourgogne. Ele traçou um interessante histórico da região vinícola da Borgonha, que remontou até aos períodos de formação geológica da área, chegando ao panorama atual dos vinhos borgonheses, que somam nada menos de 60.000 diferentes rótulos, produzidos por 3.800 domaines e 250 négociants. Um belo relato feito por alguém que realmente entende do tema tratado.


Renard ainda conduziu a prova de 8 vinhos, sendo 4 brancos e 4 tintos, com destaque para o branco Chablis Grand Cru Valmur 2009, do Domaine Christian Moreau e para o tinto Corton Grand Cru Le Rognet et Corton 2008, do Domaine Michel Mallard & Fils.


 


Em seguida à Masterclass, pude provar alguns dos vinhos que estavam disponíveis na degustação que ocorreu em paralelo.



Sobre a Bourgone
Com uma estrutura fundiária ensandecida, em que não são raros os casos de proprietários de apenas 1 ou 2 fileiras de vinhas e com um sistema de denominações inalcançável para a maioria dos apreciadores, com 5 regiões – Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise e Mâconnais – divididas em centenas de denominações classificadas em diversos níveis – regionais, villages, premiers crus e grands crus – quase todas elas com nomes impronunciáveis e hifenizados, a Borgonha é muito melhor bebida do que compreendida.


Contrastando com essa confusão acima, estão as castas autorizadas: se é branco, é Chardonnay, se é tinto, é Pinot Noir. Não me vem à cabeça outra região do mundo em que o sistema de castas seja assim tão simples e direto (antes que reclamem, existem algumas exceções, mas são tão desimportantes no panorama vinícola borgonhês que podem ser omitidas sem prejuízo algum).


Tudo isso colabora com o mistério e o encanto de seus vinhos, posicionados dentre os mais caros, exclusivos e disputados do mundo inteiro. Um grande Borgonha branco é um espetáculo de elegância e complexidade, revelando-se em função de sua origem: se for um Chablis, será vivo e mineral; se for um Côte de Beaune, concentrado e cheio de finesse ao mesmo tempo, com aromas de nozes e até mesmo de trufas. Um grande Borgonha tinto é posicionado dentre os vinhos mais sensuais do mundo, com seus inebriantes aromas terrosos e de caça.


Novo bordão
Não bastasse a complexidade atual, os borgonheses agora querem tornar as coisas ainda mais complicadas. Os enófilos sempre tiveram uma grande dificuldade de entender o conceito de terroir, principalmente nós, de língua portuguesa, que tendíamos a traduzir por um prosaico “terreno”. Não era isso e ia muito mais além. Mas quando parece que a maioria dos apreciadores começa a entender esse conceito, desponta, das terras borgonhesas, uma nova e intrincada definição.


Conforme nos foi explicado, hoje em dia “até o Chile” usa o conceito de terroir (não me perguntem o que significa esse “até”). E, claro, a sofisticada Borgonha não poderia conviver com essa massificação. Portanto, eis que surge de dentro das caves milenares daquela região, uma nova buzzword: CLIMAT. Outra vez, para nosso azar lusitano, essa palavra quer dizer, em francês, simplesmente “clima”. E muitos anos ainda se passarão até que todos consigam internalizar que esse novo bordão quer dizer bem mais do que simples condições climáticas.


Tentando esclarecer, “climat” designa cada parcela ou grupo de parcelas de vinhedos – e só na Borgonha – conhecidas pelo mesmo nome há muitos séculos. A localização, o solo, o sub-solo, a exposição solar, o micro-clima e, em particular, a história associada e o trabalho humano por lá desenvolvido. Tudo isso em apenas 6 letrinhas! Mas, sei não, parece-me que o novo conceito pode ser resumido pela fórmula: CLIMAT = TERROIR + HISTÓRIA. É muita complicação e eu já estou achando que é melhor simplesmente abrir um bom Borgonha e desfrutá-lo sem pensar em mais nada…

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