Vendas de vinho pela Internet tendem a explodir

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Vendas de vinho pela Internet tendem a explodir
Por Jorge Lucki


Durante a conferência anual do Wine and Spirit Trade Association (WSTA), muitos economistas discursaram sobre o potencial de evolução que as vendas pela internet podem alcançar nos próximos anos no ramo de bebidas, com ênfase no segmento de vinhos. As projeções dão conta que as vendas online crescerão exponencialmente dentro dos cinco próximos anos, e devem criar mudanças radicais no modo como o comércio eletrônico de bebidas ainda é visto. Espera-se que até o ano de 2017 o volume de compras de vinhos duplique de tamanho, atingindo em torno de 18 bilhões de dólares. Vale, porém, ressaltar que ainda muitos setores do vinho não se utilizam da internet da melhor forma, e quem sair na frente, com planejamento correto para usar a web, fortificando a imagem da marca junto aos consumidores, principalmente os mais jovens, terá maiores chances de sucesso nesse cenário futuro.


Pequenos produtores de vinho da França pedem ajuda
Apesar da imagem e da fama que os vinhos franceses possuem, o que de certa forma lhes facilita atingir diversos mercados ao redor do mundo, a vitivinicultura na França se caracteriza por ser muito fragmentada, com uma enorme quantidade de pequenos produtores que dependem exclusivamente de suas colheitas para sobreviver. Uma união desses produtores independentes resultou num pedido formal encaminhado ao governo francês para que seja criado um fundo de segurança financeiro que os ampare nos momentos difíceis, como em épocas de safras ruins, caso deste ano, que tudo indica será a menor dos últimos 15 ou 20 anos. Cerca de 40% dos vinhateiros independentes têm receitas desequilibradas e por isso não conseguem fazer planejamentos para o futuro ou acertar suas dividas. O que se aguarda das autoridades é que esse fundo ajude produtores de regiões menos badaladas, diferentemente de Bordeaux e Champagne, por exemplo.


Americanos também querem ter seus “Châteaux”
Há algumas semanas, um impasse quanto à utilização do termo “Château” por vinícolas norte-americanas em vinhos elaborados a partir de uvas compradas de diferentes produtores e que são exportados para a Europa, vem aquecendo o tom da discussão na comissão da União Européia criada para mediar o assunto. Os produtores franceses se mostram preocupados com a proposta, alegando que ela destruiria o real significado do termo e confundiria os consumidores. Eles alertam que se realmente os americanos se apropriarem deste termo em seus rótulos, vão se preocupar em fazer vinhos de qualidade duvidosa, mas com uma marca forte e marketing agressivo, descaracterizando a noção de vinho produzido na propriedade. Embora esse gênero de apropriação de termos associados a vinhos franceses de prestigio não seja eticamente aceitável, nada comprova que é de fato danoso: até 2009 sua utilização era permitida desde que o rótulo informasse com clareza que era produzido no EUA; a partir de 2010, quando o termo passou a ser de uso exclusivo francês, as exportações americanas para a Europa cresceram mais de 10%.


Brasil sedia Conferência Internacional de vinho
O Brasil começa aos poucos a ganhar notoriedade no cenário vinícola sul-americano. É, ao menos, o que se pode deduzir da escolha de Bento Gonçalves, RS, para sediar a 27ª Conferência Anual da Associação Internacional do Direito do Vinho, que ocorrerá pela primeira vez na América do Sul. No evento, em que participarão diversos empresários, advogados e especialistas, serão discutidos de modo geral os entraves que prejudicam a expansão do setor vinícola do país, como a alta carga de impostos, as barreiras comerciais, leis de rotulagem e licenciamento, restrições aduaneiras, além de questões ambientais atreladas à sustentabilidade, e a recém conquista do reconhecimento pelo INPI da D.O. Vale dos Vinhedos. O presidente da OIV (Organização Internacional do Vinho), Félix S. Pérez Alvarez, estará presente durante o evento.


Jorge Lucki
Jorge Lucki é engenheiro formado pela USP e pós-graduado em administração pela FVG-SP. Fez cursos da Academie du Vin de Paris, do Comitê Interprofissionel de la Bourgogne e do Instituto de Enologia de Bordeaux. É membro da Confraria dos Enófilos do Alentejo, do Instituto do Vinho do Porto e da Confradía del Mérito Vinitivinícola de Chile. Foi consultor de livros especializados internacionais; coautor do “Guia Descorchados América do Sul”; e autor de “A experiência do gosto – o mundo do vinho segundo Jorge Lucki”. Colunista do Valor Econômico e das revistas ValorInveste e Prazeres da Mesa, visita rotineiramente regiões vinícolas, feiras e exposições no exterior.

Entre em contato pelo e-mail jlucki@uol.com.br