Onde o 10 vale mais que o 90
Por David Eleutério
Recebemos muitos pedidos de aberturas de empreendimentos na nossa área e, após várias reuniões, sempre vem o fantasma do Custo do empreendimento. Para a minha não surpresa, sempre é deixado para último plano a parte que, para mim, é a mais importante do negócio:
O Ser Humano.
Vou explicar melhor: um dia desses, estava eu em Salvador com um amigo cliente – um Cel da Força Aérea- e ele, em poucas palavras, passou-me um ponto de vista que achei muito interessante e completamente correto.
A ideia era a seguinte:
No custo total de 100% do empreendimento, 90% seria gasto na parte física do projeto e somente 10 %, na parte humana e na alma do negócio. Entretanto, esses 10% representariam 90% do sucesso do novo empreendimento. Achei essa linha de raciocínio sensacional e, a partir dessa premissa, ando percebendo o que se anda fazendo no nosso universo de FoodServices e, para minha não surpresa novamente, isso vem ocorrendo com muita frequência nos nossos empresários.
Mas por que essa linha de pensamento?
O piso de mármore, as cadeiras de madeira maciça, tudo isso perde totalmente o valor quando o produto e/ou o serviço não são adequados. Vários empresários não gastam nem 10 % em criar a alma do negócio – com um Plano Diretor norteando as ações e o negócio- e, quando vem para o treinamento, este deve ser feito o mais rápido possível, pois a casa tem que abrir.
Creio que existe uma visão muito míope do que realmente o consumidor procura quando vai em alguma de nossas casas. Será que não se faz um momento de empatia para saber o que nós queremos quando visitamos um empreendimento de alimentação?
Reclamamos, cobramos, mas, quando chega a nossa vez de fazer o correto, não o fazemos. Já abri casas com zero de treinamento, mesmo tendo alertado aos empresários do que iria acontecer e, claro, aconteceu.
Precisamos nesse momento crítico de custos altos, de concorrência cada vez mais próxima e de produtos muitos similares, prestar muita atenção nesse quesito que conta mais que móveis de luxo e tetos de vidro.
Não falo como consultor e sim como consumidor que vem percebendo que essa preocupação, no momento da montagem do negócio, não é tão valorizada. Depois, o ônus que pagamos por esse erro é muito mais caro que o valor pago inicialmente, como já falei na Lei de Sitter em material anterior.
Pensemos e reflitamos no que o consumidor realmente está procurando quando adentra as nossas portas, será que estamos sendo congruentes?
E lembrem-se sempre: os 10 % gastos no projeto e nos treinamentos refletem os 90 % do sucesso.