A arte do pão sob julgamento francês

Por: Glaucia Balbachan

Fotos: Empratado

 

São Paulo sediou a primeira edição do Concurso da Melhor Baguete de Tradição Francesa e do Melhor Croissant do Brasil — e o resultado consagrou talentos que prometem marcar o início de uma longa tradição

No dia 5 de maio de 2026, São Paulo foi palco de um evento inédito no calendário gastronômico brasileiro: a 1ª edição do Concurso da Melhor Baguete de Tradição Francesa e do Melhor Croissant do Brasil, parte do Prêmio Taste France – Boulangerie. A iniciativa, anunciada pela Embaixada da França no Brasil e pela Business France, contou com o patrocínio estratégico da Lesaffre, multinacional francesa referência global em fermentação e microrganismos há mais de 170 anos. Mais do que uma competição, o evento marcou o início de uma série de premiações que prometem se consolidar no calendário da panificação nacional.

 

Fotos: Empratado

 

O concurso avaliou, às cegas, a capacidade técnica de padeiros brasileiros na produção de duas das receitas mais emblemáticas da panificação francesa. O júri foi presidido por Bruno Cormerais, detentor do título de Meilleur Ouvrier de France (MOF) — distinção vitalícia de excelência suprema concedida pelo Ministério da Educação da França e considerada uma das maiores honrarias da gastronomia mundial.

O nível de exigência esteve à altura da referência. Para a baguete de tradição, os competidores precisaram apresentar peças idênticas de exatos 50 cm e peso entre 250g e 270g, com formulação restrita a farinha de trigo, água, sal e fermento ou massa madre — sem aditivos, sem congelamento. As cinco incisões superiores obrigatórias, a crosta sem farinha visível e o miolo de alveolagem complexa foram avaliados com rigor absoluto. O croissant, por sua vez, foi julgado pela simetria do formato em meia-lua, pela técnica do folhamento e pela homogeneidade das peças.

 

Fotos: Empratado

 

Ao final das provas, os vencedores da categoria Melhor Baguete de Tradição Francesa foram:

3º lugar — Breading & Co. (@instabreading)

2º lugar — Fabrique Pães (@fabriquepaes)

1ºLugar— Casa Allamanda Boulangerie e Bistrot (@allamanda223)

Na categoria Melhor Croissant do Brasil, o pódio ficou assim:

3º lugar — L’Atelier Sucré (@lateliersucre)

2º lugar — Fabrique Pães (@fabriquepaes)

1º lugar — Mich Mich / Padaria Artesanal (@michmich.padaria)

A cerimônia de premiação, realizada à noite na Residência Consular da França e conduzida pelo Embaixador da França no Brasil, contou com a presença da cônsul-geral da França em São Paulo, Alexandra Mias, que destacou a relevância do prêmio para o fortalecimento dos laços culturais e gastronômicos entre Brasil e França. A premiação também teve dimensão social: o valor arrecadado com as inscrições foi revertido para a ONG Arca do Crescer, instituição que atua na favela da Vila Prudente e que — em parceria com a Lesaffre — desenvolve o projeto Le Pain, voltado à formação e inclusão produtiva de jovens da comunidade no setor alimentar.

 

Fotos: Empratado

 

Para a Lesaffre, patrocinadora do evento, a primeira edição é apenas o começo. “Participar de um evento deste porte reforça nosso compromisso em incentivar a panificação de alta qualidade no Brasil. Como empresa de origem francesa, vemos nesta iniciativa uma uma oportunidade ímpar de valorizar o talento e a técnica dos profissionais brasileiros, demonstrando que o setor nacional está pronto para entregar produtos com o mesmo rigor das melhores boulangeries do mundo“, afirmou Amanda Paschoalini, gerente de marketing e comunicação corporativa da Lesaffre. A primeira edição terminou — e já anuncia que haverá muitas outras.

 

SERVIÇO:
Prêmio Boulangerie France Brasil
@bf_winesandfood.br
@beaufor_brasil
@lesaffrebrasil
@laboulangesp

Glaucia Balbachan

Glaucia Balbachan

É editora do site enogastronômico Empratado (www.empratado.com.br). Já foi colaboradora para a Revista Marie Claire, Site Fashion Up e Revista Adega. Tem expertise em ministrar aulas de vinho e comunicação e MKT digital de vinhos. É pós-graduada em jornalismo gastronômico pela FAAP e pós-graduada no Senac/SP em História e arte da gastronomia. É diplomada pela Wset (Wine & Spirit Education Trust) e membro da francesa Fijev (Fédération Internationale dês Journalistes et Ecrivains dês Vins et Spiritueux).