
Empreendimentos da GAV Resorts em Pernambuco, Goiás e Pará apostam em insumos locais e traduzem, à mesa, a diversidade da gastronomia brasileira
A experiência de viagem começa muito antes do check-in e vai além da paisagem. Nos empreendimentos da GAV Resorts localizados em Porto de Galinhas (PE), Pirenópolis (GO) e Salinópolis (PA), a gastronomia tornou-se um dos pilares da hospitalidade, com cardápios que valorizam ingredientes regionais e priorizam fornecedores locais. Mais do que servir refeições, os empreendimentos propõem uma imersão nos sabores e na identidade de cada território.
“Trabalhamos hoje com uma base padronizada em cerca de 70% do cardápio em todos os empreendimentos, garantindo qualidade e consistência. Os outros 30% são dedicados à identidade regional de cada destino, o que permite valorizar ingredientes locais e criar uma experiência mais autêntica para o hóspede”, explica o chef Derikson Pacheco, que responde pela gestão de A&B de todos os restaurantes da GAV.
No litoral pernambucano, onde se localizam os resorts Porto Alto e Porto2Life, os menus exploram a riqueza dos frutos do mar, peixes frescos e ingredientes típicos como macaxeira e coco, reinterpretados em receitas que dialogam com a culinária tradicional nordestina, mas com apresentação contemporânea. A proposta é traduzir o mar e a cultura local em pratos que despertem memória afetiva e, ao mesmo tempo, surpreendam o paladar. “Em Porto de Galinhas, valorizamos muito ingredientes como rapadura, carne de sol, queijo coalho, macaxeira e banana-da-terra, explica o chef.
Na costa paraense, em Salinópolis, o chef conta que a influência amazônica se faz presente nos restaurantes do
Já em Pirenópolis, no interior de Goiás, os sabores do Cerrado ganham protagonismo no restaurante do Pyrenéus Residence com ingredientes como pequi, baru e frutas nativas inseridos em releituras que equilibram rusticidade e sofisticação. A valorização da produção regional fortalece a cadeia local e reforça a identidade do destino, conhecido por sua natureza exuberante e tradição cultural.
“Quando vamos para o Centro-Oeste buscamos essa identidade do Cerrado, com ingredientes como feijão, linguiça artesanal e preparações mais rústicas, mas sempre com um toque contemporâneo. Cada destino tem sua personalidade, e a gastronomia acompanha isso”, destaca Derikson.
“A base de tudo são os ingredientes e os temperos. Cada região tem sua característica. No Pará, por exemplo, os sabores são mais intensos, o tempero é mais marcante. Já em outras regiões, trabalhamos de forma mais equilibrada — e isso tudo faz parte da experiência.”

Crédito/Foto: Divulgação
Um cardápio que conecta o Brasil
No Porto2Life Resort, o restaurante Porto Okae é atualmente o único aberto ao público externo, que já compõe 50% dos clientes que recebe, entre moradores da região e hóspedes de hotéis do entorno. Em Porto de Galinhas, o foco está nos frutos do mar. “Trabalhamos com peixes como arabaiana, pargo, serra e carapau, que são abundantes na região, além do atum que trazem de Natal (RN). Partimos muito dessa base de peixes e frutos do mar, que já é forte na culinária japonesa – nossa principal referência, por isso acaba sendo o alicerce do menu”, conta o chef Leo, que entrou no projeto com foco total no cardápio — tanto na elaboração dos menus quanto na carta de saquês. “Foi uma construção bem autoral dentro da proposta da empresa”, define.
A ideia, segundo o chef, é mostrar que mesmo longe de grandes centros, como São Paulo, é possível incorporar referências contemporâneas e, ao mesmo tempo, valorizar o que a região tem de melhor. A questão dos temperos ainda está em desenvolvimento, assim como outras propostas e pratos que devem entrar aos poucos, porque tudo depende também da logística de insumos e da adaptação ao público. “O menu ainda vai evoluir bastante, como a operação do restaurante ainda é recente, queremos entender melhor os gostos, testar, sentir a aceitação e, a partir disso, ajustar os sabores.”
Na parte das bebidas, o restaurante tem uma carta exclusivamente dedicada aos saquês, com rótulos japoneses, além do espumante Amitié – amizade, em francês – marca de espumantes e vinhos premium produzidos na Serra Gaúcha que leva o selo da GAV e figura em todos os restaurantes dos seis resorts atualmente em operação. “A ideia é harmonizar com o conceito do restaurante e ampliar a experiência do público”.
Tendência em alta
O movimento acompanha uma tendência crescente no turismo: viajantes cada vez mais interessados em experiências autênticas e na cultura alimentar dos destinos visitados. A gastronomia deixa de ser complemento e passa a atuar como motivação de viagem, influenciando inclusive a escolha da hospedagem.
Ao integrar ingredientes regionais aos seus menus, os resorts da GAV reforçam um posicionamento alinhado à valorização da brasilidade e à construção de experiências que conectam sabor, cultura e paisagem. Porque, no fim, viajar também é descobrir um destino pelo paladar — e levar na memória o gosto do lugar visitado.
De acordo com o chef Derikson, a aceitação tem sido muito positiva, acima de 90%. “Existe uma troca, mas a nossa prioridade é respeitar o território. A gente pode trazer referências de outras regiões, mas sempre preservando a essência local de cada unidade”, afirma o chef que responde pela gestão do A&B de todos os resorts da GAV. “À medida em que o grupo cresce, a gente já começa a estudar a identidade gastronômica dos próximos destinos.
Em Gramado, por exemplo, onde o grupo vai estrear operações, a proposta será mais personalizada, acompanhando o clima e o perfil do público, com uma gastronomia mais voltada ao conforto e ao frio. “Lá no Sul, vamos valorizar elementos tradicionais como a cuca e dar mais destaque a preparações de café da manhã e confeitaria, além de inserir pratos mais encorpados, que combinam com temperaturas mais baixas.”
A escolha por insumos locais não é apenas estética ou conceitual. Ao priorizar fornecedores da própria região, os resorts reduzem a cadeia de transporte, garantem maior frescor e estimulam a economia local. O resultado é uma gastronomia que respeita o território e transforma cada refeição em parte essencial da jornada do viajante.