Criança não ocupa apenas uma cama, ela muda a operação do hotel

Por: Rui da Silveira Cruz Ventura

Crédito/Foto: Divulgação

 

Uma criança hospedada não representa somente uma pessoa a mais dentro da Unidade Habitacional.

Ela muda a operação.

Muda o café da manhã. Muda o enxoval. Muda o tempo de arrumação. Muda a configuração da UH. Muda a utilização das áreas comuns. Muda o consumo. Muda a atenção necessária com segurança. E, principalmente, muda aquilo que a família entende como experiência de hospedagem.

Durante muito tempo, a hotelaria discutiu crianças quase exclusivamente sob a ótica tarifária:

  • “Até que idade não paga?”
  • “Cama extra será cobrada?”
  • “Café está incluído?”
  • Essas perguntas são necessárias.

Mas são insuficientes.

Porque uma família não compra simplesmente três lugares para dormir.

Ela compra uma experiência na qual pais e filhos precisam funcionar juntos.

  • Um hotel pode ter apartamentos impecáveis e ainda assim tornar a hospedagem de uma família cansativa.
  • Pode não ter cadeira adequada no café.
  • Pode não prever uma toalha adicional.

Pode preparar o apartamento para dois adultos quando a reserva claramente informa a presença de uma criança.

  • Pode obrigar os pais a repetir na recepção aquilo que o sistema já deveria ter informado à operação.
  • É aí que hospitalidade e gestão se encontram.

Antecipar a necessidade não significa instalar um parque infantil em todo hotel.

  • Significa compreender quem está chegando.
  • Aliás, este princípio vale para qualquer segmento.

Executivos, famílias, grupos, idosos, esportistas, participantes de eventos ou hóspedes de longa permanência possuem comportamentos diferentes.

E comportamento diferente produz:

→ necessidades diferentes;

→ custos diferentes;

→ padrões de consumo diferentes;

→ percepção de valor diferente;

→ disposição de pagamento diferente.

Por isso, segmentação não deveria existir apenas dentro do relatório comercial.

Ela precisa chegar à operação.

Revenue Management também passa por aqui.

Quando entendemos melhor quem compra, entendemos melhor o que essa pessoa valoriza.

E quando entendemos valor, deixamos de discutir tarifa apenas como um número colocado na tela.

Hotelaria sempre foi feita de pessoas.

A tecnologia mudou. Os canais mudaram. Os sistemas mudaram. As formas de comprar mudaram.

Mas uma coisa continua exatamente onde sempre esteve:

o hóspede percebe quando o hotel estava preparado para recebê-lo.

E uma criança talvez não saiba explicar RevPAR, ADR, segmentação ou experiência do cliente.

Mas sabe perfeitamente dizer:

“Quero voltar para aquele hotel.”

Talvez essa continue sendo uma das avaliações mais importantes da hotelaria.