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Por Alessandra Gomes Rodrigues/Enogastrô
O tipo de taça é importante, na hora de se beber um vinho? Sim, e quase diariamente é feita uma pesquisa em busca da taça perfeita, “que na verdade não existe e depende muito do gosto das pessoas”, diz Riedel.
Muita gente se esquece da importância do tipo da taça, na hora de beber um vinho. Pesquisas mostram como os aromas do vinho podem mudar de uma taça pra outra, dependendo da forma e do material com que elas são feitas. Pra começar, o vidro tem que ser incolor e bem fininho, de forma que se possa ter um visão real da cor do vinho, sem que haja distorções e se possa perceber as nuances e os reflexos do vinho. O vidro tem que ser liso, para que possamos ver como o líquido se comporta em volta da taça, “pelas paredes”, formando as gotas ou arcos. Outra coisa importante é o tamanho da haste da taça. De acordo com a medida (mais curta, mais longa), pode-se alterar a temperatura do vinho! A largura da boca da taça também influencia na forma em que os aromas sairão e chegarão às nossas narinas. Ou seja, o tipo de taça é extremamente importante para a degustação de um vinho!
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Georg Riedel, proprietário da empresa austríaca Riedel, que exporta taças para 127 países do mundo, estava em Palermo, na Sicilia, no final do mês passado. Junto com outros produtores de Nero D’Avola da ilha, estava escolhendo a taça perfeita para essa uva autóctone. Dez taças diferentes (alguns protótipos e algumas já comercializadas) estavam sendo analisadas.
A paixão herdada pelo pai “que tinha tanto talento, olfato e paladar – diz Riedel – me passou essa vontade de continuar a estudar, aprofundar, pesquisar.” Riedel se define como um “arquiteto de taças – pessoa que não tem vontade de ensinar nada, mas que gosta de se comparar com quem produz vinhos”. Por isso, diz ele, estou numa “luta” constante com os “vigneron”.
A sede da empresa Riedel fica em Kufstein e a fábrica, em Nachtmann, na Baviera. Ela produz mais de 55 milhões de peças por ano e tem mais de mil funcionários. Tudo é produzido nos dois locais, e o mercado de maior importação das taças são os Estados Unidos.
Segundo Riedel, “no mundo das taças, muito pouca coisa mudou, nos últimos anos. O vinho ao contrário, mudou muito! Há 50 anos, em Bordeaux, os vinhos eram menos alcoólicos que hoje. Então o modo em que o vinho se mostra na taça, já é diferente. A Riedel produz 3 linhas de taças: as artesanais (sopradas artesanalmente), as destinadas aos restaurantes, e as sopradas mecanicamente. São três linhas verticais, mas com desenvolvimentos horizontais. As taças são poucas, dedicadas principalmente às uvas do mundo, como a Syrah, a Pinot Nero, a Sauvignon, a Chardonnay, ou a Riesling. Já fizemos taças especificas para as uvas italianas, como a Sangiovese, a Nebbiolo, e para o vinho Amarone. Da mesma forma, faremos taças específicas para o Nero D’Avola e para os vinhos do Etna. A Sicilia sempre foi uma importante região para o mundo do vinho. Suas uvas autóctones são muito relevantes no mundo enológico italiano”, explica Riedel.
Alessandra Gomes Rodrigues
Bacharel em Química e apaixonada por “reações”. Se considera meio bruxa, meio alquimista. “Sempre adorei acompanhar minha avó e minha mãe nos trabalhos da cozinha, fazendo meu primeiro curso de culinária aos 9 anos”. diz Alessandra.
Pós graduada na Itália, estudou toda a cadeia vitivinícola através do curso “Tecnico Esperto della Filiera Vitivinicola” e se aperfeiçoou com o curso de sommelier da A.I.S. de Roma. “Procuro aprender sempre, e como se vê, a enogastronomia (vinhos, azeites, queijos, cafés, cervejas, licores,…) é uma das minhas maiores paixões”. finaliza Alessandra.
Fonte: Blog Enogastrô – goo.gl/41epwr