APAS 2011: destaques do 2º dia

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APAS 2011: destaques do 2º dia


Endividamento do consumidor pode frear compras no varejo em 2011


“Embora a curva dos gráficos de pesquisas que apontam a confiança do consumidor na gestão da economia do país tenha entrado em declínio, em abril deste ano, o Índice de Confiança do Consumidor permanece bastante elevado, após recorde histórico registrado em novembro de 2010. Isso significa que nem mesmo o risco de inflação acima do esperado pelo governo pode impactar de imediato o consumo de bens duráveis”.


A avaliação é do economista da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, Aloísio Campelo, que na manhã desta terça-feira (10 de maio) proferiu palestra no Auditório Estratégia e Gestão, no Congresso de Gestão da APAS 2011.


O especialista ressaltou que o consumo no país explodiu a partir de 2008, ainda durante a crise internacional, com o aumento da oferta de crédito aliado às melhores rendas, principalmente das classes D e E. Em janeiro de 2010, as operações feitas com crédito no país chegaram a 46,4% do PIB.


Segundo o economista Aloísio Campelo, o Brasil ainda está bem aquém do que é verificado em países desenvolvidos. Na Itália, a oferta de crédito chega a 92,2% do Produto Interno Bruto e, nos EUA, a 87,6 %.


Contudo, o economista da FGV adverte que o consumidor das classes D e E já está com sua capacidade de compra saturada. Portanto, o crescimento do consumo por meio de crédito deve ser verificado, ao longo de 2011, no mercado imobiliário e não na compra de bens não-duráveis, como o registrado nos últimos dois anos.


Pesquisa revela como supermercadista decide sortimento
O professor da FIA, João Lazzarini, apresentou uma pesquisa nesta terça-feira, 10 de maio, durante o 27º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, que revela como o supermercadista brasileiro decide o sortimento de suas lojas.


Segundo Lazzarini, 75% possuem um guia ou manual que auxilia na definição do sortimento. De 1 a 10, cerca de 80% deu nota de 6,5 para esse material.


Dentre os critérios mais usados para a definição do sortimento estavam a participação de vendas SKUs e a margem de contribuição SKUs .


A pesquisa realizada em 2010 também revelou que 75% dos entrevistados têm autonomia de implementação e que 65% fazem uma revisão semanal do sortimento.


Marcas próprias e canais múltiplos serão as apostas dos varejistas
As marcas próprias e os canais múltiplos terão cada vez mais espaço no mercado varejista, de acordo com Natalie Berg, diretora de pesquisa da Berg Global e Paul Martin, diretor comercial da Planet Retail. A dupla apresentou algumas razões para essas expansões durante o 27º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, promovido nesta terça-feira, 10 de maio, pela Associação Paulista de Supermercados (APAS).


Segundo Martin, os varejistas deverão apostar cada vez mais no uso de canais múltiplos para a venda de seus produtos. Dentre as tendências para os canais múltiplos estão as vending machines – máquinas que podem vender produtos mais caros como o I-pad, além da abordagem pela internet e pelo celular.


Já Natalie focou seu discurso no tema da marca própria. A diretora de pesquisa ressaltou o crescimento dos produtos das marcas próprias e da modificação que elas sofreram nos últimos anos, passando de marcas que copiavam produtos para marcas com produtos de ótima qualidade e com preços mais competitivos.


Para ela, a tendência é que as marcas próprias se estabeleçam no mercado e assumam os lugares nas gôndolas de produtos que não estão entre as preferências dos consumidores. Natalie salienta que, com as marcas próprias, os varejistas conseguem fidelizar os seus clientes, que só encontrarão aquela marca na sua loja, diferente do que ocorre com os produtos de outras marcas, que podem também ser encontrados em outros varejistas.


Para Rick Kash, Brasil é a terra das oportunidades
Palestrante convidado da 27ª Feira APAS, Richard Kash, presidente do Cambridge Group – Nielsen, destacou o Brasil como a bola da vez no mundo dos negócios. “Em minhas viagens a países de todo o mundo, as pessoas sempre me perguntam o que o Brasil tem de diferente dos demais e eu digo: é a terra da alegria, das oportunidades, do sentido de aproveitar. E isto não existe em qualquer outro lugar”, afirmou.


Durante a supersessão que ministrou na tarde desta 3ª feira, 10 de maio, o especialista lembrou aos mais de mil participantes o momento ímpar de aquecimento econômico pelo qual o Brasil passa. “Vocês precisam agir agora! Não há mais o que se fazer pela era da Revolução Industrial ou Tecnológica. Mas há tudo o que se fazer por esta era da ‘Revolução da Exigência’, ou seja, descobrir quem é o seu consumidor mais rentável, qual é o desejo dele e satisfazê-lo.” E acrescentou: “É isto que vai levar você e sua empresa a terem o melhor momento de suas vidas e serem, não só a melhor de seu setor, como também do seu país e, quem sabe, em âmbito internacional”.


Novos questionamentos
O que Kash denomina “Revolução da Exigência” tem tudo a ver com o setor supermercadista, a vitrine do varejo. “É preciso que você e seus colegas de trabalho se façam algumas perguntas e tenham respostas para elas. Por exemplo: ‘Quem é o meu consumidor mais rentável?’ ou ‘O que nós sabemos sobre as expectativas de nossos consumidores mais rentáveis, que nossos concorrentes ainda não sabem?’, ou ainda ‘Nossa empresa possui um modelo mental, que nos deixe claro como vamos competir e como vamos ganhar?’. Se você souber responder a estas perguntas, é possível que sua empresa cresça não só mais rápido que o seu concorrente, como também mais rápido que a atual economia brasileira.”, considerou.


3,9 milhões de novos domicílios migraram para a classe C
Quase quatro milhões de domicílios ascenderam na condição de consumo, segundo dados da Kantar Worldpanel, que faz pesquisas semanais em mais de oito mil domicílios.


A classe C representa 71% dos 80% que englobam as classes C, D e E, sendo a maior fatia do mercado. “Seus gastos cresceram oito vezes em 10 anos”, afirmou a economista Fátima Merlin, durante palestra no 27º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados – APAS 2011.


Com a inversão na pirâmide, é preciso descobrir quem são os novos consumidores. “Temos que entender quem é esse público em termos de comportamento de compras, para podermos fidelizá-los”, ressaltou.


Hoje os shoppers são mais observadores e analíticos, pois gostam de saber tudo sobre o produto. “Para convertê-los, é necessário que se forneça todas essas informações”. Outro consumidor que tem crescido é o shopper buscador de preço e promoção. “Eles compram porque é mais barato. Esse acaba sendo muito mais infiel e está muito mais concentrado na classe C2”.


Para finalizar, a palestrante chama a atenção para quatro drivers de inovação: funcionalidade do produto, lojas menores, praticidade (com serviços adicionais, como pagamento de contas e entrega em domicílio) e facilidade no acesso.


Parceria contra as perdas
José Neto, gerente de Trade Marketing da divisão de Alimentos e Bebidas da Nestlé, patrocinadora da sala de Operações, trouxe para os participantes dois bem-sucedidos cases de pesquisa da empresa, com base nos estudos da indústria, em parceria com o varejo.


O conceito de ruptura de Nero dá a dimensão objetiva das ações a serem implementadas: “Falta de produto em gôndola gerando perda de venda” . Para ele, algumas causas da ruptura estão no abastecimento deficiente das lojas e nos erros de planograma, entre outros, mas a soluções, em todos os casos, é a colaboração não apenas dos funcionários da loja, mas do envolvimento também dos fornecedores.


“Implantamos um pilotos para prevenção de perdas denominado Fluxo de Sistema Puxado, em que o fornecedor repõe à loja exatamente o mesmo produto que foi consumido pelo comprador”, informa Neto, que observa ser esse sistema mais eficiente por tomar como referencial o consumidor, foco da reposição eficiente em gôndola, pois deve ser o centro do atendimento tanto do comércio como da indústria.


Adivinhação x planejamento: garantindo um futuro seguro para sua empresa
“Jogos de adivinhação como tarô e búzios são coisas do passado. Planejamento estratégico é o que deve garantir um bom futuro para a empresa”. Foi com essas palavras que o professor da Fundação Getulio Vargas (FVG), Claudio Másculo Azevedo, abriu palestra sobre Planejamento Financeiro: Traçando Objetivos e Metas, nesta terça-feira (10 de maio), dentro da programação do Congresso de Gestão da APAS 2011.


Segundo ele, toda empresa deve ser conduzida com planejamento, que, variavelmente , está ligado ao cenário econômico. “Nenhuma empresa poderia prever o ataque às Torres Gêmeas nos EUA ou, mais recentemente, o terremoto seguido de tsunami no Japão, fatos que “balançaram” o mercado econômico mundial. Mas se há uma base forte, estruturada e bem planejada até para prováveis “quedas”, consegue-se passar pela turbulência sem algum estrago”, diz.


Másculo destacou os pontos fortes de um bom planejamento: estratégia, na qual a análise e o estudo são amplos; o planejamento,no qual é feito um levantamento real da necessidade do mercado; e orçamento, isto é, quando se transforma as ideias em números e o controle propriamente dito.


Definição de estrutura e de metas são o começo para o gerenciamento por categorias
Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Juracy Parente, “se você não mede, não conhece, se você não conhece, não controla e se você não controla, não melhora”. A frase dita nesta terça-feira, 10 de maio, no segundo dia do 27º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, explica a importância do gerenciamento de categorias no varejo.


Parente enumerou as etapas para se realizar um bom gerenciamento de categorias. Em primeiro lugar é necessário ter um gerenciamento de departamento. Em seguida, devem-se definir gerentes e metas para as categorias, assim como as estratégias para alcançá-las. Feito isso, é preciso avaliar o desempenho das categorias por meio do monitoramento e da cobrança semanal de toda a equipe em relação aos resultados requeridos.


“O gerenciamento de categoria não é um processo isolado, mas sim um processo permanente de melhorias contínuas”, salienta.


Produtividade e eliminação de desperdícios
Para aperfeiçoar os conhecimentos de loja, a sala operacional abordou um dos temas mais sensíveis ao funcionamento e ao bolso do supermercado: as perdas no PDV, que podem chegar a representar até mesmo outra loja jogada no lixo.


Os palestrantes Alexandre Ribeiro, consultor da R.Dias; Marcelo Tavares, gerente de Prevenção de Perdas da rede Russi – 15 lojas na região de Jundiaí; e José Neto, gerente de Trade Marketing da divisão de Alimentos e Bebidas da Nestlé, abordaram o tema das rupturas com enfoque técnico e com base na experiência prática de campo, de cases e parcerias com fornecedores.


Ruptura é desafio comercial e operacional
Para o consultor Alexandre Ribeiro, da R. Dias, há muitas afinidades entre as áreas operacional e comercial, e as rupturas estão presentes como desafios a serem enfrentados em ambos os casos. “Ruptura é ineficiência em servir o consumidor”, define ele.


Para o consultor, não basta checar estoques, mas medir e controlar, colocando prioridades. Outra constatação de Ribeiro diz respeito às responsabilidades pelas quebras em gôndola. “Quem é o encarregado pela reposição, pela categoria, pelo grupo? Quem responde pelo estoque? Qualquer um que for determinado, mas há que ter responsabilização”, constata ele.


Ribeiro questionou as equipes de operação acerca de reposição, logística, pedidos e treinamento, no sentido de preparar tecnicamente os colaboradores para agilizar os processos e eliminar as quebras.


Fonte: Assessoria de Imprensa