APAS assina protocolo de colaboração das sacolas plásticas na abertura da maior feira de supermercados

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APAS assina protocolo de colaboração das sacolas plásticas na abertura da maior feira de supermercados


 
Medida, que visa a conscientização da população, será implantada em etapas até janeiro de 2012


A distribuição de sacolas plásticas descartáveis está com os dias contados nos supermercados paulistas. Acordo assinado nesta segunda-feira (9) entre o presidente da APAS – Associação Paulista de Supermercados, João Galassi, o governador Geraldo Alckmin e o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, prevê que até o início do próximo ano os supermercados deixarão de entregar as sacolas derivadas de petróleo ao consumidor. O objetivo é estimular o consumidor a utilizar sacolas permanentes, como a tradicional “sacola de feira’, reduzindo, assim, o descarte de plástico no meio ambiente.


Pelo acordo, os supermercados promoverão campanha nos próximos meses para estimular a mudança de hábito do consumidor, conscientizando-o para a necessidade de utilizar outros meios para o transporte das compras antes de cessar a distribuição de sacolas. A primeira etapa da ação começa no Dia do Meio Ambiente (5/6), seguindo-se um processo de intensificação progressiva da campanha, que passa por outras datas simbólicas, como o início da primavera (22/9), o dia do supermercadista (22/11), até ser lançada a campanha de massa – em 1º de janeiro de 2012 – e o projeto ser totalmente implementado no Estado em 25 de janeiro de 2012.


“O objetivo da iniciativa, apoiada pelo setor, é atender uma demanda da sociedade, que está cada vez mais atenta às questões ambientais”, diz Galassi. Se optar pela sacola descartável, biodegradável, o consumidor terá de arcar com o custo de produção da embalagem ecologicamente correta comercializada como alternativa às sacolas de plástico. Feita a partir de amido de milho, ela se desfaz em até 180 dias em usina de compostagem e em dois anos em aterro e estará disponível nos supermercados com valor estimado em R$ 0,19.


“Não se pretende apenas substituir o tipo de sacola descartável. Cobrar pela sacola separadamente é uma forma de incentivar o consumidor a utilizar as retornáveis e abandonar a cultura do descarte”, explica Galassi. “Se o cidadão for às compras com sacola retornável (como as de feira), ecobags (reutilizável e feita em material renovável), carrinho de feira, caixa de madeira ou mochila, o custo será zero.”


O País já produz mais de 500 mil toneladas anuais de plástico filme (matéria-prima das sacolinhas plásticas), produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD), resultando na produção de 135 bilhões de sacolas. Calcula-se que cerca de 90% desse material, com degradação indefinida, acaba servindo de lixeiras ou viram lixo. “Esse volume já ocupa espaço valioso nos aterros sanitários hoje – e o problema só aumenta de tamanho”, diz Galassi.


O uso das atuais sacolas plásticas descartáveis traz diversos impactos ambientais. Além de ocupar espaço nos aterros, sua produção utiliza grande volume de água e gera resíduos industriais. Há ainda o uso inadequado e descarte na rua, o que leva o material às galerias e bueiros. Isso causa entupimentos e enchentes, polui a água e o solo e traz prejuízo à vida de animais marinhos.


Foi pensando nesse impacto que a APAS decidiu entrar na luta contra o uso desenfreado de sacolas plásticas e passou a ajudar na implantação de medidas de adaptação visando a redução de consumo. Desde então, a entidade tem procurado incentivar o uso consciente, por meio da prática dos 4 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar).


Evolução – Quem acompanha a evolução dos debates não se surpreende com a medida: o tema vem sendo amplamente debatido com o governo e setores da sociedade civil desde 2007, quando a Prefeitura de São Paulo lançou uma campanha para que os paulistanos reduzissem o uso de sacolas plásticas. Já naquela oportunidade, a APAS apoiou a idéia, que visava estimular que o consumidor fosse às compras munidos de sua própria sacola, de pano, de lona, palha, TNT ou de qualquer outro material não-descartável.


No ano passado, em Jundiaí, foi implantando um projeto piloto em acordo com a prefeitura local, os supermercadistas e a associação comercial da cidade. A medida, que não tem força de lei, aboliu as sacolas plásticas nos supermercados da cidade, oferecendo como alternativa sacolas biodegradáveis compostáveis, feitas de amido de milho, além das sacolas permanentes. Houve uma adesão de 95% dos empresários locais e aprovação de 75% da população, de acordo com pesquisas divulgadas. Em seis meses, mais de 240 toneladas de resíduos deixaram de ser geradas. O sucesso no projeto de Jundiaí despertou o interesse de outras cidades, que passaram a estimular o uso de soluções alternativas, e também do governo do Estado.


“As sacolas plásticas foram adotadas pelos supermercados como serviço, pela comodidade e conforto que proporcionam ao consumidor. Porém, o resultado é o enorme volume de plástico que vem sendo despejado no meio ambiente”, avalia Galassi.


A restrição surge num momento em que a sociedade percebe que não pode ignorar a questão ambiental – um processo de conscientização da população que já acontece em muitos países. Na Itália e na França, só a distribuição de sacos biodegradáveis é autorizada. Para desestimular o consumo, Alemanha, Dinamarca, Irlanda, África do Sul, partes da Austrália e China proíbem a distribuição gratuita de sacolas. Bangladesh proibiu as sacolas em 2002, após diagnosticar que o entupimento de bueiros por plástico causou grandes inundações no país.


“Claro que as sacolas plásticas não são o único vilão, nem o único resíduo com impacto ambiental que precisa ter seu consumo reduzido – a questão é só a ponta do iceberg”, diz o presidente da APAS. “A indústria está cada vez mais cuidadosa com as características das embalagens que produz. Mas o setor supermercadista, por seu contato direto com o consumidor final, acredita que pode desempenhar um importante papel de conscientização da população”.


Sobre a APAS


A APAS – Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade conta com 1.500 associados, que somam 2.600 lojas.


Fonte: Assessoria de Imprensa