![[01g]](http://guiagphr.com.br/Imagens/galeria_23807_0420091032.jpg)
A safra de 2016 pode ser considerada uma safra de extremos : um ano que começou bastante complicado com uma meteorologia caracterizada por grandes contrastes.“ Foi um dos anos mais deprimentes em seus primórdios”, segundo o enólogo Stéphane Dernoncourt.
A primavera, entre os meses de maio e junho, foi bastante fria e chuvosa, mais do que a média na região, aumentando o risco do surgimento de doenças e comprometendo a adequada floração das videiras. “Em junho, caiu quase a quantidade total de chuva do ano”, afirma Dernoncourt.
Apesar das chuvas, e como por milagre, a floração (período em que surgem as flores que serão fertilizadas e transformadas em bagos) pôde ocorrer corretamente na primeira semana de junho, graças a uma semana de estiagem. Mas a trégua foi rápida e voltou a chover nas semanas seguintes até o final de junho, quando o sol apareceu de vez.
Ao contrário da primavera, os meses seguintes, de julho e agosto, foram bastante quentes e secos. Na região de Saint-Emilion, por exemplo, somente 15 mm de chuva caiu no mês de agosto, contra 100 mm habituais*.
Depois das chuvas e do frio, a ameaça no início de setembro era o excesso de calor. “Três meses de verão sem nenhuma gota de chuva. Que eu me lembre, nunca havíamos visto isso antes”, explica o consultor e enólogo Hubert de Bouard.
Mas justamente quando os produtores começavam seriamente a se preocupar com o risco de estresse hídrico (falta de água que acarreta problemas para o metabolismo das videiras) e problemas de bloqueio de maturação das plantas, as chuvas reapareceram a partir da segunda semana de setembro, reequilibrando a relação açúcar x acidez dos cachos.
“Se somarmos todas as temperaturas de 2016, temos o ano mais frio das últimas duas décadas.É um ano ultra maduro, mas também ultra frio, pois a média de temperatura foi sabotada pela primeira parte do ciclo” explica Dernoncourt.
Estilos dos vinhos e diferenças com 2015 :
“Depois de um delicioso 2014 e de um suntuoso 2015, chegamos a um sublime 2016”, resume Jean-Paul Bignon, proprietário do Château Talbot, 3° cru classé em Saint-Julien, na região do Médoc.
Os tintos de 2016 são deliciosamente aromáticos, com cores densas e produzidos a partir de uvas que atingiram uma perfeita maturidade, sem cair nos excessos da sobrematuração. Apresentam estrutura e equílíbrio perfeitos, principalmente devido a :
– um teor alcóolico mais moderado : em geral, os teores alccólicos são mais baixos que em 2009, 2010 e 2015. Em consequência, os vinhos não deixam na boca nenhuma sensação de queimação. Ao contrário, após cada gole, o que fica na boca é uma sensação de frescor e de fruta explosiva, que atiça os papilos e deixa um gostinho de “quero mais”.
– Qualidade fantástica dos taninos : eles são perfeitamente maudros e não se mostram adstringentes, como pode ocorrer com os grandes vinhos de Bordeaux, principalmente do Médoc, quando jovens. Portanto, os vinhos de 2016 são densos, encorpados, mas a sensação na boca são de taninos aveludados e sedodos.
– PH baixos, o que se traduz pour uma acidez mais elevada : Essa acidez mais alta poderia reforçar a adstringêcia dos taninos e portanto não é o caso. Ao invés de tornar os taninos mais duros, ela contribui para uma deliciosa sensação de frescor, que torna os vinhos mais digestos e fáceis de beber.
Aliás, é justamente essa estrutura carnosa e rica, porém fresca, uma das principais diferenças entre a safra de 2016 e a de 2015. Os crus de 2015 têm um perfil mais solar, são mais potentes e generosos, com teor alcóolico mais elevado, enquanto 2016 tem um perfil mais clássico, aliando de maneira inabitual e à perfeição potência e elegância, concentraçao, maturidade e frescor.