<P align=justify><FONT size=3><STRONG>Chegada da magnum</STRONG></FONT></P>
<P align=justify>As garrafas magnum – de um litro e meio, o dobro do conteúdo de uma garrafa comum – eram proibidas de entrar no Brasil por um desses raciocínios burocráticos que compõem o anedotário nacional. Diziam os produtores de vinho de garrafão, aquele envolto em palha e consumido largamente no interior, que elas lhes faziam concorrência desleal, porque eram garrafões também. Ora, um garrafão de vinho do sul brasileiro – ou de Portugal ou do sul da França, onde os há em profusão – tem muito mais do que um litro e meio. É o vinho de atacado, muitas vezes levado em pequenos carros-pipa a distribuidoras.</P>
<P align=justify><STRONG>Vantagens da magnum 2</STRONG><BR>Uma garrafa magnum mantém o vinho por mais tempo. A explicação é físico-química. Quanto maior o número de moléculas em contato entre si e maior o volume armazenado, mais lenta será a evolução – leia-se maturidade – do líquido ali contido. Normalmente uma magnum se apresentará mais jovem, num estágio de evolução anterior ao da garrafa do mesmo vinho, do mesmo ano e da mesma safra e produtor. Todas as degustações o comprovam. Até dois anos atrás as autoridades fiscais consideravam o a magnum vinho de garrafão, concorrência direta ao velho São Roque ainda vendido em São Paulo – e beneficiavam os argentinos.</P>
<P align=justify><STRONG>Solução para oito</STRONG><BR>O cálculo que faço normalmente é de uma garrafa para cada oito convivas, se houver no almoço, digamos, uma quantidade de garrafas polidas ou suficiente. Se for o caso de uma garrafa só, o cálculo muda. Estamos falando de no máximo quatro pessoas. Qualquer que seja a conta, de almoço pequeno ou de banquete, a magnum vai ser mais apropriada. A outra vantagem é a qualidade. Existem magnuns no mercado de origem impecável, grandes vinhos da Borgonha, de Portugal, da Itália. Além disso, é só pensar na impressão que vai fazer uma bela magnum de um bom tinto na hora do almoço.</P>
<P align=justify><STRONG>O pós-vinho</STRONG><BR>Ainda em defesa das magnuns. Tenho uma pequena coleção, ainda modesta, de magnuns que andei recolhendo em degustações de poderosos. O que acontece é que a decoração da sala fica mudada para sempre. Ninguém mais vai olhar sequer os rótulos das garrafas de 750ml, não tanto pelo tamanho menor das letras, mas pelo porte das magnuns. Em outras palavras, uma magnum de um vinho menor atrai mais os olhares do que uma garrafa comum, digamos, de um Chateau Palmer 61. É o mundo das aparências, nem mesmo o vinho com toda a sua sisudez escapa dele.</P>
<P align=justify><STRONG>Quais sugerir</STRONG><BR>Pensei nas magníficas garrafas de Brunello di Montalcino 03 de Andrea Costanti, mas soube que agora o que existe são as 04. Ainda não as testei. Mas magnuns de borgonhas como os volnays da familia Montille, de chianti classici como os do Castello di Ama e mesmo de outras regiões da Itália, como Montepulciano d’Abruzzo, vão certamente cumprir melhor a função de irrigar um almoço de família. O que recomendo calorosamente são as magnuns de espumantes, sobretudo champanhe. Uma, duas, três garrafas não dão. O champanhe vai se desenvolver mais graciosamente, pleno de aromas, em grandes formatos.</P>
<P align=justify><STRONG>Texto :</STRONG> <STRONG>Renato Machado</STRONG> começou a carreira jornalística no rádio, em 1967. Foi repórter da BBC e do Jornal do Brasil e correspondente da TV Globo em Londres. Apresentou o Jornal da Globo, o Fantástico e o Jornal Nacional e, desde 1996, é editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil. Autor dos livros "Em volta da mesa" e "O assunto é vinho", este em parceria com Carlos Alberto Sardenberg, foi premiado pelo governo francês, em 2005, com o "Troféu do Espírito Alimentar" pela realização de documentários sobre vinhos na França. É titular de uma coluna mensal sobre vinhos, na revista Prazeres da Mesa, desde setembro de 2008.</P>
<P align=justify>Divulgação: CBN Express Vinhos – <A href="mailto:cbnexpress@cbn.com.br">cbnexpress@cbn.com.br</A><BR><A href="http://www.cbn.com.br">www.cbn.com.br</A></P>