Por: Ezequias Almeida Ferré
Estudos associam desmatamento na Amazônia à seca, conforme artigo The New York Times por Jim Robbins.
O Brasil está passando por uma das piores seca de sua história.A seca é geralmente vista como um desastre natural alheio ao controle humano. No entanto, à medida que os pesquisadores examinam mais detalhadamente as mudanças do bioclima da Terra – a complexa interação global entre organismos vivos e forças climáticas – eles começam a entender melhor o papel crucial do desmatamento.
A derrubada das florestas libera o dióxido de carbono armazenado pelas árvore, e esse gás, quando lançado na atmosfera, retém o calor e contribui para o aquecimento global. As florestas também afetam o clima de outras maneiras, por absorverem mais energia solar do que as pastagens e por liberarem grandes quantidades de vapor de água. O desmatamento está ocorrendo em uma escala tão grande, especialmente na América do Sul, que já alterou significativamente o clima mundial.
A expectativa de um grande El Niño em breve, disse Abigail Swann, ecoclimatologista da Universidade de Washington, referindo-se ao fenômeno climático causado pelo aquecimento excepcional das águas do Pacífico. ¨ Acredita-se que ele causará uma seca significativa sobre a Amazônia, o que irá alterar o volume de água disponível para as árvores.¨ As grandes florestas desempenham um papel crucial na geração confiável de chuvas. As árvores absorvem a umidade do solo e a expelem por transpiração. Uma árvore adulta libera mil litros de vapor de água por dia na atmosfera. A Amazônia inteira solta até 20 bilhões de toneladas por dia.
O vapor de água cria nuvens que são ¨ semeadas ¨ com os gases voláteis emitidos naturalmente pelas árvores, formando a chuva. Esses bancos de nuvens, ricos em água, viajam longas distâncias empurrados pelo vento, transformando-se em uma correia de transmissão para o fornecimento de precipitações, algo que os cientistas chamam de ¨ rios voadores ¨. O rio aéreo sobre a Amazônia contém mais água que o próprio rio Amazonas. Ele começa com o acúmulo de umidade sobre o Atlântico e então corre para o oeste, sobre o leito da floresta, onde vai reunindo mais umidade. As nuvens carregadas afinal se chocam contra os Andes e são desviadas para o sul e depois para o leste, o que significa chuva para a Bolívia e o Brasil.
A floresta pode movimentar água por um processo chamado ¨ bombeamento biótico ¨. Segundo essa teoria, à medida que a água é transpirada das árvores para a floresta, cria-se um sistema de baixa pressão que suga o ar ao redor, gerando um movimento contínuo de transferência de umidade do oceano para o interior. A derrubada de árvores degrada esses sistemas de baixa pressão. O desmatamento maciço, portanto, pode estar contribuindo para a grave seca no Brasil. Os cientistas há muito tempo sabem que a vegetação tem um efeito profundo sobre o clima. A principal teoria é que as plantas nativas, mais escuras, absorvem mais calor e o liberam na atmosfera, junto com a energia e o vapor de água que forma as nuvens.
Com modelos informatizados tentam entender os efeitos do desmatamento, uma tarefa difícil por haver tantos caminhos complexos pelos quais as árvores controlam o clima: precipitação, armazenamento de carbono e absorção da energia solar. O desmatamento em grande escala já pode estar afastando as precipitações dos lugares habituais alertam os cientistas. Cerca de 20 % da floresta amazônica já deixou de existir, e uma extensão semelhante está atualmente degradada. Um estudo da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, sugeriu que o desmatamento da Amazônia poderia contribuir para secas em lugares tão distantes quanto a Califórnia. Antonio Donato Nobre, veterano climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Brasil, advertiu recentemente que um desmatamento de 40 % da Amazônia poderia acarretar uma grande expansão do cerrado, o que alteraria substancialmente os padrões climáticos globais e ¨causaria um colapso do atual sistema climático¨. Em um sentido mais amplo, as florestas representam um tipo de infraestrutura ecológica que ajuda a manter condições de vida confortáveis do planeta, seja por absorver e armazenar o CO², por purificar a água através das suas raízes, ou por regular o clima.
Portanto a indústria sofre as consequências da falta d’água para todas as suas atividades, trazendo prejuízos sem uma solução imediata. Entretanto outras atitudes trazem malefícios ao ser humano causados pela indústria,como no recente caso da Volkswagen na matriz da Alemanha em que a companhia fraudou testes de controle de emissões de gases nos EUA (por Stanley Reed NYT). Cerca de 11 milhões de seus veículos, com motores a diesel foram equipados com um software destinado a enganar os testes de escapamento, entre eles Volkswagen, Audi, Skoda e Seat. Os carros a diesel representaram mais da metade dos automóveis novos vendidos na Europa ocidental no ano passado, atraídos pela maior economia de combustível dos motores a diesel em relação à gasolina e pelo preço mais baixo do diesel, apesar da tendência dos motores a diesel serem mais poluentes que os a gasolina. A premissa do ¨diesel limpo¨ que a Volkswagen promovia se baseava em parte no fato de que, no cálculo por quilômetro rodado, os motores a diesel emitem menos dióxido de carbono, que tem grande influência na mudança climática, do que os motores a gasolina. Porém, os gases emitidos pelo diesel, a menos que sejam limpos de maneiras que o software da Volkswagen visava ludibriar, incluem maior quantidade de outros gases prejudiciais – óxidos de nitrogênio – e partículas finas que contribuem para os persistentes problemas de qualidade do ar nas cidades europeias.
Assim afirmo que as causas da poluição atmosférica, com a emissão de gases de efeito estufa, estão causando alterações climáticas que afetam diretamente o meio ambiente, causando a falta de água em várias partes do planeta, com a redução das chuvas e secando os rios.
Dados da Nasa mostram que a seca no Brasil é pior do que se pensava, com o sudeste perdendo 56 trilhões de litros de água em cada um dos últimos três anos, afirmou Augusto Getirana hidrólogo da Nasa agência espacial dos Estados Unidos, conforme informa Thomson Reuters Foundation. A pesquisa de Getirana, publicada nesta semana no Journal of Hydrometeorology, tem como base 13 anos de informações dos satélites de Recuperação da Gravidade e Experimento Climático (Grace, na sigla em inglês) da Nasa, que circulam a Terra detectando mudanças no campo da gravidade causadas pelos movimentos da água no planeta.
Com seca na Amazônia, nível de água no Rio Solimões chegou ao menor nível desde início das medições, em 1982. Já o Rio Negro Registrou, em Manaus, sua 12ª maior vazante desde 1902, publicado no jornal Gazeta do Povo.
A Folha de Vitória noticia que o Rio Doce, no Norte do Espírito Santo, sofre com o assoreamento e a pesca está sendo afetada na região. A Globo informa que a mais longa estiagem dos últimos 100 anos no Rio Grande do Norte está mudando hábitos e transformando paisagens interior a dentro. Mais 90 % dos rios do norte de Minas Gerais está completamente seco, sendo considerada a pior seca dos últimos 80 anos na região, conforme reportagem Jornal Hoje.
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Assim finalizou o mês de outubro de 2015, com inverno curto e calor em todo Brasil com temperaturas acima da média, agravando a falta água.
A ONU considerou que as reduções de emissão de gases poluentes que os países se comprometeram voluntariamente a cumprir são “insuficientes” para evitar a alta da temperatura global a valores inferiores a dois graus Celsius.
O aviso veio da secretária-geral da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, da sigla em inglês), Christiana Figueres, ao apresentar, em Berlim, o resumo dos planos nacionais, de 146 países, para combater o aquecimento global.
Citada pela agência EFE, Christiana explicou que, se a comunidade internacional não agir em conjunto e determinadamente, as temperaturas médias globais poderão subir entre quatro a cinco graus Celsius até 2100, tendo por base as estimativas feitas recentemente pela Agência Internacional da Energia (AIE).
A responsável da UNFCCC salientou que, mesmo que os 146 países implementem totalmente as medidas que aprovaram, a elevação das temperaturas atingirá os 2,7 graus, o que significa que os cortes propostos são “insuficientes”.
Pelas metas apresentadas as emissões globais em 2015 seriam, em média, de 55,2 bilhões de toneladas de CO² equivalente (unidade padronizada de medida para gases do efeito estufa), e de 56,7 bilhões de toneladas em 2030. Segundo levantamento da ONU, até 2012, as emissões globais não passavam de 50 bilhões de toneladas. Com as INDCs, vamos seguir uma trajetória crescente de emissões até 2030, e possivelmente depois.
A recuperação de 15 milhões de pastagens degradadas no país é uma das metas do governo brasileiro para reduzir em 43% a emissão de gases de efeito estufa até 2030. A proposta foi levada para a COP 21, a conferência sobre o clima que reuniu 195 países, em Paris, em dezembro 2015. O governo também pretende fazer a integração lavoura-pecuária-floresta em 5 milhões hectares e reflorestar 12 milhões de hectares. E, para acabar com o desmatamento ilegal, como anunciou, tem ainda um desafio pela frente: os números mostram que a derrubada de florestas diminui em algumas áreas e aumenta em outras.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, na Amazônia o desmate caiu de 7 mil quilômetros quadrados em 2010 para cerca de 4,6 mil em 2012. Por outro lado, a Universidade Federal de Goiás constatou que no Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro depois da Amazônia, o desmatamento aumentou no mesmo período, passando de 3,7 mil para 7,6 mil quilômetros quadrados.
A meta brasileira, anunciada pela presidente Dilma Rousseff no fim de setembro, em Nova York, prevê reduzir as emissões de poluentes em 37 % até 2025 e em 43 % até 2030, tendo como base 2005. A INDC foi considerada cômoda por muitos, já que, entre 2005 e 2012, as emissões do Brasil já tinham caído cerca de 40 % com a redução de 80 % do desmatamento. A meta prevê ainda que a matriz energética do país terá 23 % de fontes renováveis, excluída a hidrelétrica, até 2030.
Essa conferência do clima COP 21 aprovou um acordo para impedir que o aquecimento global supere dois graus centígrados até o final do século.
Pensar no clima é a única saída para ainda termos água potável no planeta. Assim não ficará igual a LUA !
Ezequias Almeida Ferré – Jornalista Profissional – MTB-SP 12121
Cursou na Universidade Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo