Destino dos hotéis está nos robôs e no fim da linha fixa

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Por MATTHEW KRONSBERG



Quando Daniel Politeski, um engenheiro que mora na cidade canadense de Vancouver, aproximou-se da recepção do hotel Henn-na, próximo a Nagasaki, no Japão, dois funcionários estavam aguardando para atendê-lo. Será que ele deveria abordar a jovem de terninho creme ou o colega dela, que se parecia com um Tiranossaurus Rex?


Ele acabou optando pelo T-Rex, não só porque interagir com um dinossauro parecia uma novidade ou porque gostou da gravata borboleta dele, mas porque era o único que falava inglês. A mocinha não se sentiu ofendida por ter sido ignorada, pois, assim como seu colega, ela era um robô.


E eles não são os únicos.


No Estado americano da Virginia, o hotel Hilton McLean Tysons Corner abriga uma espécie de divisão de pesquisa e desenvolvimento do grupo hoteleiro Hilton e tem sempre cerca de 30 experimentos em andamento. Na recepção, os hóspedes podem interagir com Connie, um concierge robótico de 60 centímetros de altura batizado em homenagem a Conrad Hilton, o fundador da rede de hotéis. Connie usa o raciocínio cognitivo do sistema Watson, da IBM, para responder questões básicas (por enquanto) sobre os serviços do hotel. Ele pode informar, por exemplo, onde fica a academia e a que horas fecha o bar.


No hotel Aloft, em Cupertino, Califórnia, hóspedes que pedem uma escova de dentes ou um barbeador na recepção vão se deparar com Botlr, um atendente baixo e desprovido de expressões faciais, quando abrirem a porta do quarto para receber a entrega. Nem Botlr nem Connie se importam se não receberem gorjeta.


Será que esses experimentos são o prenúncio de um futuro sombrio, no qual os modelos clássicos de hospitalidade darão lugar a uma fria eficiência alimentada por novidades tecnológicas? Não necessariamente.


Apesar de os robôs serem um elemento relativamente novo, a intenção por trás deles não é. Donos de hotéis vêm há tempos usando caros avanços tecnológicos para atrair hóspedes e melhorar os serviços. “Os hotéis sempre tiveram os recursos para inovar e incorporar novas tecnologias, […] muito antes de os custos baixarem o bastante para que os menos abastados pudessem adquiri-los”, diz Molly Berger, autora do livro “Hotel Dreams: Luxury, Technology, e Urban Ambition in America 1829-1929” (“Sonhos hoteleiros: luxo, tecnologia e ambição urbana na América 1829-1929”, em tradução livre).

Robôs na recepção do Henn-na, no Japão. Desafio dos hotéis é não perder o toque pessoal esperado pelos hóspedes