Entre Brasil e desafio global: o plano da Oyo, unicórnio indiano de hotéis

Startup de hospitalidade e tecnologia estampa logotipo em 450 hotéis brasileiros e tem quase 700 funcionários. Nos maiores mercados, ainda busca crescimento sustentável

Uma startup ainda pouco conhecida por aqui já acumula quase 700 funcionários brasileiros. Seu nome está estampado em 450 hotéis nacionais em 40 cidades brasileiras, resultando em 12 mil quartos. A indiana Oyo está crescendo a passos largos, mas com pouco alarde no Brasil. A situação deve mudar em breve: para Henrique Weaver, diretor brasileiro para o Oyo, o encaixa da indiana com o mercado local é “nítido.”

“Vamos completar um ano de operação. O objetivo é trazer investimentos significativos e destacar os hotéis brasileiros inclusive para os viajantes de outros países”, disse Weaver a Pequenas Empresas & Grandes Negócios. No caminho, porém, está o desafio global de garantir um crescimento sustentável para a startup indiana.

Oyo: reforma, gestão e tecnologia
A Oyo foi criada em 2012, como uma startup de hospitalidade e tecnologia. O negócio já alcançou uma avaliação de mercado bilionária – tornando-a um “unicórnio”.

A startup indiana faz parcerias com hoteleiros independentes de pequeno e médio porte, que tenham entre 20 e 80 quartos. A empresa investe na repaginação desses estabelecimentos e em sistemas de gestão e de tecnologia.

A Oyo recolhe informações de diversos hotéis e sugere as reformas que gerarão mais receita e melhor avaliação do hóspede (como investir em uma televisão maior ou comprar lençóis de maior qualidade). A startup indiana também tem um algoritmo que analisa preço e ocupação para definir o valor ótimo por uma diária – pense nos preços dinâmicos do aplicativo de mobilidade urbana Uber.

Em troca, a Oyo cobra uma comissão sobre as receitas do hotel, variável de acordo com o tamanho das mudanças. “Calculamos que a receita tenha um incremento mesmo com a nossa comissão. Há hotéis que dobraram sua ocupação”, diz Weaver.

O hotel segue sendo do dono original, mas estampa o logo da Oyo em sua fachada. O objetivo é criar uma rede que consiga competir com grandes players de hotéis. O hóspede teria a mesma previsibilidade de experiência, mas com mais capilaridade e opções de preços.

Como a Oyo divide custos com os hoteleiros, pode expandir seus braços. Seu investimento não é tão agressivo quanto o de uma rede que precisa construir os próprios hotéis.

Planos para o Brasil, mas um desafio global
Os números da Oyo globalmente também impressionam: são mais de 43 mil hotéis em 800 cidades de 80 países. São 32 milhões de hóspedes únicos, com 750 mil pessoas por dia dormindo em quartos da Oyo. A startup já arrecadou US$ 3,2 bilhões com fundos de investimento, como o conglomerado japonês de telecomunicações SoftBank.

Mas o balanço de seu último ano fiscal aponta um desafio global: coordenar expansão agressiva e crescimento sustentável. A empresa teve uma receita de US$ 951 milhões, mas fechou o ano com perdas de US$ 335 milhões. Para o Oyo, os resultados vieram por conta da expansão para novos mercados, como a China – que já é o segundo maior mercado da startup indiana.

O caso pode lembrar a gigante do trabalho compartilhado WeWork, outra investida do SoftBank. A WeWork teve de cancelar sua oferta pública inicial de ações (IPO) e passa atualmente por um momento de reestruturação de suas métricas de crescimento e rentabilidade.

Para Weaver, porém, as situações são diferentes. “Estamos em uma posição melhor para o crescimento sustentável”, diz. Segundo o diretor regional, a Oyo trabalha para atingir um ponto de equilíbrio global “em curto prazo”. A margem bruta no mercado indiano subiu de 10,6% para 14,7% entre os anos fiscais de 2018 e 2019. Na terra natal, a Oyo saiu de 200 cidades que performavam abaixo do esperado. Nos últimos três meses, 3 mil funcionários foram demitidos – a maioria na própria Índia.

Mercados novos, como Brasil e México, não têm uma previsão de break even – mas estariam “no caminho certo”. A estratégia brasileira da Oyo para 2020 vai na toada do crescimento sustentável, após um ano de expansão acelerada. “Já estamos nas cidades onde queremos estar, com bom fluxo de viajantes a negócios ou a turismo. O próximo passo é expandir nossa capilaridade nessas regiões, estreitando a relação com hoteleiros e dando mais opções aos hóspedes”, diz Weaver.

A priorização em oportunidades de lucro inclui testes com o Airbnb, para disponibilizar os hotéis da Oyo entre as opções de hospedagem. Vale lembrar que o Airbnb é um dos investidores da Oyo.

A startup indiana também fará mais uso de sua análise de dados para melhorar a operação para si mesma, funcionários, investidores, hoteleiros e hóspedes. O último passo é focar em cultura e governança, reforçando valores como diversidade e performance.