Feira Anuga, na Alemanha, começa com boas expectativas para empresas brasileiras

Feira Anuga, na Alemanha, começa com boas expectativas para empresas brasileiras

Os três primeiros dias da feira Anuga, principal evento do setor de alimentos e bebidas do mundo que está sendo realizado em Colônia (Alemanha), foram bastante movimentados para as 70 empresas e entidades setoriais brasileiras que participam do evento com o apoio da Apex-Brasil. As expectativas são de bons negócios até o encerramento da feira, nesta quarta-feira (12/10).


Estão presentes na Anuga empresas de carnes bovina, suína e de frango, café e chás, biscoitos, doces, bebidas, sucos, frutas, alimentos regionais (típicos do Brasil), temperos, condimentos e preparações alimentícias.


“Estou muito satisfeito com os primeiros dias de feira. Fizemos uma média de 60 contatos por dia até agora, entre compradores que já atendemos e novos clientes de países como China, Índia, Tailândia e Vietnã”, relata Vlamir Breternitz, representante da Atlântica Foods, empresa produtora de frutas e sucos situada em Jundiaí (SP) e que já exporta para 18 países.


Para a Aquamare, empresa que oferece água do mar purificada, a feira tem sido uma excelente oportunidade para se lançar no mercado exterior. “Estamos começando agora a trabalhar o mercado internacional e, aqui na Anuga, já fizemos bons contatos com compradores de países como Portugal e Taiwan”, afirma Silvio Paixão, diretor da empresa.


“Nossos oito pavilhões estão entre os que oferecem a maior variedade de produtos aqui na Anuga. O Brasil está presente com empresas de 12 setores. Temos produtos de qualidade e competitivos. Várias empresas oferecem tanto linhas de produtos premium quanto linhas mais básicas, atendendo aos mercados emergentes, fortemente representados na feira, e também ao sofisticado mercado europeu”, comenta Vinícius Estrela, supervisor da Unidade de Imagem e Acesso a Mercados da Apex-Brasil.


As indústrias brasileiras que estão na Anuga são de todos os portes. “As pequenas se destacam pela qualidade do produto e adotam uma estratégia de nicho, para atender a consumidores com demandas específicas”, explica Estrela. Alguns exemplos de empresas de pequeno ou médio porte são a fabricante de chocolate Harald, a cachaçaria Weber Haus, a Aquamare e a empresa de frutas Polpa Eva, entre outras.


Sustentabilidade
Para setores já consolidados no exterior, como o de carnes bovina e de frango, em que o Brasil ocupa os primeiros lugares no ranking mundial de exportações, o foco da participação na Anuga tem sido divulgar a imagem de uma indústria que atende a todas as regras sanitárias, produz de forma ambientalmente sustentável, além de ter preço competitivo e oferecer produtos com valor agregado.


Nesse sentido, a União Brasileira de Avicultura (Ubabef) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) organizaram, com o apoio da Apex-Brasil, eventos na Anuga para jornalistas e formadores de opinião com o objetivo de apresentar os principais números do setor e demonstrar a sustentabilidade da produção.


O projeto Brazilian Beef, parceria da Apex-Brasil com a Abiec, fez uma apresentação para a imprensa local sobre a ferramenta de monitoramento das áreas de pasto via satélite, que está sendo utilizada pela indústria para garantir que não seja comprado gado da Amazônia ou de outras áreas de preservação ambiental. “Com essa ferramenta, a indústria tem total controle da localização geográfica de seus fornecedores e garante a sustentabilidade de sua produção”, afirmou Fernando Sampaio, diretor da Abiec.


O Procurador da República do Ministério Público Federal no Pará, Daniel Azeredo, apresentou o Programa Município Verde, que, desde 2009, já está sendo adotado por 95 municípios do Pará. Com o Programa, governo, produtores rurais e sociedade local fazem um pacto pela preservação e comprometem-se contra o desmatamento.


O projeto Brazilian Beef está representado na feira com um estande totalmente sustentável, feito de material 100% reciclável. No local, sempre lotado, estão sendo servidos churrasco de carne brasileira, vinhos nacionais e caipirinha.


Dados dos setores


Frango
Maior exportador mundial de frango, o Brasil é também o terceiro maior produtor, com um total de 12 milhões de toneladas. Em 2010, mais de 3,8 milhões de toneladas foram exportadas para 150 países, representando uma participação de 42% no comércio mundial. O frango é hoje o quinto produto da pauta geral de exportação brasileira, atrás apenas do minério de ferro, do petróleo, da soja e do açúcar.


Carne bovina
Maior exportador mundial de carne bovina desde 2003, à frente de países tradicionais como Austrália, Estados Unidos e Argentina, o Brasil conta com uma indústria eficiente, competitiva e moderna, que vem fazendo crescentes investimentos em tecnologia.


A indústria brasileira tem hoje inteiro controle sobre seus fornecedores e completa fiscalização sobre a origem do produto. Como resultado, a produção que não estiver de acordo com as normas legais é excluída da comercialização. Em 2010, os frigoríficos brasileiros exportaram 1,2 milhão de toneladas de carne bovina e contribuíram com quase US$ 5 bilhões para o superávit da balança comercial do país.


Carne suína
O Brasil exportou 540 mil toneladas de carne suína em 2010 e obteve receita de US$ 1,34 bilhão, 9,32% a mais do que em 2009. Mais importante fonte de proteína animal do mundo, a carne suína tem produção global de 100 milhões de toneladas, metade proveniente da China e o restante da União Europeia (UE), dos Estados Unidos (EUA) e do Brasil, quarto maior produtor e exportador. O Brasil é responsável por 3% da produção mundial e tem obtido crescente inserção no mercado internacional.


Na última década, as exportações cresceram de forma acelerada, passando de 4% para 11% do total mundial.


Frutas
Também no setor de frutas, o Brasil ocupa posição de destaque no cenário mundial. É o terceiro maior produtor, com um total de 41 milhões de toneladas em 2009. Em 2010, o país exportou US$ 609 milhões em frutas frescas, sendo o 18º no ranking. Os maiores volumes exportados foram dos seguintes produtos, em ordem decrescente: melão, banana, manga, maçã, limão, uva, laranja, melancia, papaia e abacate.


No segmento de frutas processadas, as exportações, em 2010, foram de US$ 2,2 bilhões, um crescimento de 7,69% em relação a 2009. O suco de laranja brasileiro continua o líder absoluto em volume de exportação (congelado e não congelado) na pauta brasileira, seguido de castanha de caju, suco de maçã, suco de outras frutas (exceto laranja e maçã), frutas em conserva, castanha-do-pará, doces, purês e pastas de frutas.


Chocolates, balas e confeitos
Quarto maior produtor mundial de chocolates, balas e confeitos, o Brasil exportou, em 2010, US$ 303,7 milhões, 3,6% a mais do que em 2009, quando teve um faturamento de US$ 293,2 milhões e vendas para 146 países nos cinco continentes. Balanço preparado pela ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados) revela que o setor exportou US$ 164,6 milhões de janeiro a julho de 2011, atingindo um crescimento 14,2% superior ao do primeiro semestre do ano passado. No setor de chocolates e de balas, o país ocupa o oitavo lugar no ranking global.


Biscoitos
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biscoitos, com 1,242 milhão de toneladas e faturamento de R$ 6,47 bilhões em 2010. As expectativas para 2011 são de crescimento do faturamento em cerca de 5% e de crescimento de volume produzido entre 2,5% e 3%. Em 2009, o setor produziu 1,206 milhão de toneladas, 2,5% a mais do que em 2008 (1,177 milhão).


Atualmente, existem 585 indústrias de biscoitos no Brasil, sendo que as 20 maiores representam 75% do mercado. As exportações brasileiras de massas e biscoitos vêm crescendo e chegaram a US$ 167 milhões em 2010, garantindo ao país a terceira posição no ranking dos maiores exportadores.


Café
Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil produziu 48,1 milhões de sacas em 2010 e exportou 33,017 milhões da sacas, um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. Uma impressionante diversidade geográfica, resultado de uma particular abrangência de latitudes, e diferentes altitudes de produção permitem que o país produza uma vasta gama de aromas e sabores de café.


Exportações do agronegócio
O Brasil é, dentre as potências produtoras do mundo, o país que mais cresce em termos da exportação de produtos do agronegócio. Quinto maior exportador mundial do setor, de 2005 a 2010, o país registrou um aumento de 14,8% ao ano nas vendas ao exterior desses produtos, que incluem alimentos industrializados. O Brasil duplicou suas vendas desses produtos no período, passando de US$ 31 bilhões em 2005 para US$ 62 bilhões em 2010.


Os outros quatro primeiros colocados no ranking cresceram menos no mesmo período, na média anual — EUA (12%), Holanda (7,7%), França (5,6%) e Alemanha (8,2%) — segundo o GTIS (Global Trade Information System).


Além da alta taxa de crescimento, as exportações brasileiras de alimentos e bebidas industrializados, que chegaram a 197 países e somaram US$ 38 bilhões em 2010, têm alta diversidade e crescente qualidade.


Divulgação: Apex-Brasil