Por Marcelo Copello
Josco Gravner, um dos produtores mais cultuados da Itália chegou ao Brasil esta semana para promover seus vinhos, trazido por sua importadora, a Decanter .
Tive o privilégio de visitar Granver em 2013, em sua vinícola no Friuli, norte da Itália, a poucos metros (literalmente) da Eslovênia. Lá provei todos os tintos e brancos que ele estava elaborando, cerca de 20 vinhos, direto das barricas. Gravner faz vinhos muito distantes do padrão do mercado. Seus brancos têm cor alaranjada, geralmente feitos com uvas sobremaduras, com longas macerações com suas cascas e longos amadurecimentos em madeira, e no caso de Gravner, fermentado em ânforas de barro, como faziam os antigos romanos. Seus vinhos são diferentes, instigantes e excelentes, merecem ser provados, seja para amar, seja para (duvido), deixar.
Proponho um experiência: sirva um de seus brancos em uma taça preta (na falta desta use uma venda para os olhos). Tenho certeza que este branco poderá passar por um tinto.
Abaixo estão dois dos vários vídeos que fiz quando visitei-o. Postei na época e repito aqui
Neste primeiro vídeo Gravner fala da magia do número 7. Ele só lança seus vinhos ao mercado aos 7 anos de idade e diz que faz vinhos para durarem 49 anos (7×7). Segundo ele mandar uma criança à escola aos 6 anos seria tolher-lhe um ano de infância. Ao provar vinhos inacabados direto das barricas, brincamos que estávamos provando as crianças no jardim de infância.
Neste segundo vídeo falamos da uva Ribolla Gialla, que está há mais de mil anos na região. Sua paixão pela Ribolla vem de seu pai. Em sua juventude a hora de degustar a Ribolla com a família, era a hora da alegria. Gravner colhe sua Ribolla muito tardiamente, em novembro, algo bem ousado, com risco de perda da colheita pela chegada do inverno. Ele diz ainda que pode arriscar pois, além de não querer comprar uma Ferrari, se perder uma colheira inteira, ele ainda terá 6 outras colheiras armazenadas em seus tonéis, para vender e sobreviver. Eu resumo dizendo que para fazer vinhos como ele é preciso ousadia, intuição e correr riscos.
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Anforas enterradas no chão
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Anforas na entrada da vinícola
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Toneis usados
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