JLS Comunicação entrevista Rogério Rebouças, organizador, há seis anos no Brasil, do Festival Sul da França.

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JLS Comunicação entrevista Rogério Rebouças, organizador, há seis anos no Brasil, do Festival Sul da França.


JLS- O que é o Festival Sud de France?


RR – É o momento em que os vinhos do Sul da França chamam a atenção para si e se oferecem à descoberta do público. É uma oportunidade que os produtores da região Languedoc-Roussillon têm para mostrar seus vinhos ao público fluminense e mundial.


JLS- Mundial?


RR- Isso mesmo. O Festival nasceu há seis anos atrás no Rio de Janeiro e poucos meses depois foi replicado em diversas capitais e cidades importantes. Hoje ele acontece em Paris, Nova Iorque, Londres, Dusseldorf, Colônia, Cidade do México, Shangai e também São Paulo.


JLS- Qual a fórmula deste sucesso? O que garante esta perenidade?


RR- O Festival tem como característica principal não ser um grande evento de apenas um dia, não é uma festa única, mas múltipla. Ele tem momentos importantes conforme o público a que se destina. Estamos na sexta edição e o primeiro trabalho foi nos aproximarmos dos principais formadores de opinião, no caso a Associação Brasileira de Sommeliers, ABS, e demais entidades ligadas ao vinho. Na França as pessoas não entendiam muito este esforço devido ao fato de que as associações de sommeliers são muito focadas nos profissionais. No Brasil é diferente a ABS fez um trabalho titânico de aproximação entre o vinho e o consumidor. Criou ao longo das últimas três décadas uma cultura sobre o vinho no Brasil. O Brasil já produzia vinhos, é bem verdade, mas o mercado era extremamente pobre. Hoje você vai numa livraria e encontra uma profusão de livros, em português, sobre vinhos. Se você vende livros, vende vinhos.O mercado de qualidade apareceu. Você vai em um restaurante e tem um serviço de vinho acima da média francesa. A ABS nivelou o serviço pelo alto. Sempre buscamos ter parceiros locais. Este ano temos novamente a ABIH, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio e o Sindrio, Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio. E, claro, trabalhamos a imprensa de forma privilegiada.


JLS – Nos explique melhor o que é esta multiplicidade no Festival?


RR- Os eventos clássicos acontecem numa data específica e acabam, são de curta duração, você tem de fazer um grande esforço de comunicação para atrair o público, juntar um grande número de pessoas. Nossa estratégia é diferente, estamos fazendo o que chamo de marketing de proximidade, que é mais adaptado aos nossos recursos que são muito modestos. Temos pequenos eventos específicos e importantes para o público ao qual se destina. Para o grande público entramos na vida cotidiana do consumidor e oferecemos uma oportunidade de conhecer os vinhos do Languedoc-Roussillon aonde ele tem costume de ir. Isto é, nós vamos ao público ao invés de ele vir a nós.


JLS – Como nasceu o Festival?


RR- A ideia do Festival nasceu dentro de um taxi na avenida Atlântica em 2006. Estava com Robert Amalric, o ex-diretor de vinhos de Sud de France, organismo governamental de fomento e promoção que é quem promove o Festival. Vínhamos da Expovinis, em São Paulo, onde havia acontecido uma degustação paralela no hotel Mercure e que não havia sido muito concorrida. A dificuldade natural de uma entidade francesa que representa uma região produtora menos concorrida no mercado internacional. Neste momento tivemos a ideia de inverter as coisas.


JLS – O Languedoc é um vinhedo pouco conhecido? Uma região em evolução?


RR- O Languedoc é, ao lado da Provence, o mais antigo vinhedo da França, o maior produtor francês e naquele momento o maior vinhedo do mundo. Sozinho é maior que o vinhedo da Califórnia ou da Argentina. Mas seu passado o condenava. No começo do século passado o produtor ganhou muito dinheiro produzindo vinho para o operário, vinho barato, mas em enormes quantidades. Em 1950 o francês bebia 100 litros de vinho por ano. Não um vinho com a taxa de álcool de hoje, bem menor mesmo. O vinho era usado para melhorar a qualidade da água, que nem sempre era boa para se beber. O vinho era um alimento. Nos quartéis e nas escolas o vinho era servido nas refeições, na escola cortado com água. Depois de 1950 o consumo começa a cair, o consumidor começa a buscar um vinho de melhor qualidade. Nos anos 70 o produtor do Languedoc começa a mudar de mentalidade. Passa a produzir menos e melhor. Nascem neste momento grande número de denominações de origem. É um processo lento que ainda não acabou. Hoje estão surgindo os crus, um nível hierarquicamente superior, como o Corbières-Boutenac e o Minervois La Livinière. O Languedoc-Roussillon é hoje reconhecido como o novo Eldorado francês pela imprensa internacional.


JLS- O vinho do Languedoc é caro?


RR- É a melhor relação prazer preço da França e uma das melhores do mundo. Oferece grandes vinhos a preços muito competitivos. Na França a partir de 3 euros (R$ 7,50) você pode comprar um vinho AOC de boa qualidade em um supermercado. Em um restaurante de Montpellier, a capital do Languedoc Roussillon, ele vai começar a ser vendido a R$ 30. Alguns fatores o tornam mais baratos. O primeiro é a menor notoriedade, o segundo é o preço do terreno, bem menor do que no Médoc, na Côtes de Beaune, em Champagne ou em Châteauneuf-du-Pape. No aspecto técnico o que o torna barato é o clima, mais quente, seco e com fortes ventos, que diminui a força dos ataques dos fungos – míldio e oídio, e diminui a intensidade e a quantidade de tratamento das vinhas. Mas existem alguns vinhos caros, que atingiram uma reputação internacional que os colocam em um patamar de preço superior.


JLS – Estes vinhos já estão no Brasil?


RR- No Brasil e no Festival. Este ano faremos pela primeira vez um salão voltado apenas para profissionais. É o I Salão Sud de France de Vinhos para Profissionais onde apenas donos de restaurantes, sommeliers, gerentes de A&B, diretores e monitores da ABS, a diretoria da SBAV e jornalistas são convidados. Vai ser uma oportunidade única para que estes profissionais conheçam de perto os principais rótulos presentes no mercado brasileiro. Serão 15 importadores, com mais de 60 rótulos de Tavel no Gard até Colliure no Roussillon. Teremos vinhos famosos como os tintos do Mas de Daumas Gassac, os brancos de Limoux do leilão de Toques et Clochers, os vinhos do vinhedo de Philippe Faure-Brac, melhor sommelier do mundo. O Lirac branco do Domaine Lafond Roc Epine de Dominique Lafond, que ganhou este mês o Regional Trophy do Decanter Wine Awards. Um prêmio enorme.


JLS – Novamente haverá o concurso sommelier Expert Sud de France. A prova será a mesma realizada em outros países?


RR – Não poderia ser diferente a prova que será realizada no Rio é idêntica a que os sommeliers parisienses fizeram em junho. Nossos profissionais têm-se mostrado de muito bom nível. Constatamos isto durante as viagens de formação dos sommeliers vencedores. Não devemos nada aos outros. Em breve teremos um finalista no mundial, tenho certeza.


JLS – Por que existem poucos produtores presentes no Festival?


RR – Tal qual na Alemanha e México o Festival acontece em outubro, exatamente no momento em que a colheita está acontecendo na França, o que impossibilita a vinda dos produtores, mas sempre temos diretores de vinícolas. No ano passado tivemos mesmo o presidente do CIVL, Comitê dos Vinhos do Languedoc, Frederic Jeanjean, que é um grande produtor. Este ano teremos a diretora de vinhos de Sud de France, Elodie Le Drean, que coordena toda a promoção e divulgação na França e no mundo.


JLS- Para concluir o que é exatamente Sul da França? Por que este nome?


RR- O governo e os produtores haviam constatado uma grande dificuldade de comunicação das principais zonas de produção da região Languedoc Roussillon. Você tem as denominações do Languedoc, as do Roussillon – a Catalunha francesa nos Pirineus Orientais -, e ainda os Vin de Pays d’Oc, a principal Indicação Geográfica Protegida da França. O primeiro vinhedo da França tinha dificuldade de se identificar. Assim, criou-se a marca guarda-chuva Sud de France, que inclui todos os vinhos produzidos na região administrativa do Languedoc Roussillon, mesmo vinhos que não fazem parte dos AOCs regionais, mas que ficam na mesma região administrativa e que pagam seus impostos para o mesmo governo regional como Lirac, Tavel e Costières de Nîmes, todos produzidos no departamento do Gard, na margem direita do Rhône. Sud de France é uma empresa de fomento e promoção pública. Boa parte dos recursos do Festival vêm dos sindicatos dos produtores como o CIVL, que promove uma ação junto aos restaurantes no Festival, onde oferece um lindo brinde – ice bag – aos consumidores que comprarem uma garrafa de vinho AOC de qualquer denominação do Languedoc nas boas mesas do Rio, Teresópolis e Búzios. Já Sud de France oferece nas delis e supermercados participantes um ice bag para cada duas garrafas de qualquer vinho do Sul da França ou se o cliente comprar apenas uma garrafa um inovador e charmoso termômetro de bolso. Este deve ser o que mais vai chamar a atenção do consumidor. É novidade no Brasil. Santé.


Entrevista feita por José Luiz Sombra, diretor da JLS Comunicação.


RESULTADO DA REVANCHE


Na revanche, Cassoulet ganha da feijoada no Aconchego Carioca


Na revanche promovida dentro do VI Festival Sud de France,  por 70 votos a 40, a clientela que pagou para ver qual era realmente o melhor prato decidiu pelo Cassoulet, do traiteur Pierre Vanquier, e não pela feijoada, da Kátia Barbosa, no Aconchego Carioca, neste último final de semana ( dias 6 e 7.10 ). Na França, no início do ano, o resultado foi exatamente o oposto.

O cassoulet teve o reforço do chef Roland Villard e , segundo alguns, os clientes franceses prevaleceram. Mas outros disseram que o prato francês se harmonizava muito bem com a Blanquette de Limoux,  servida na ocasião, e parecia mais leve e saboroso.

Já está sendo cogitada “a negra”, que pode ser em Bordeaux, no próximo ano.