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Por Pollyanna Brêtas
Os frutos da medalha de ouro olímpica para a economia do Rio serão colhidos na próxima alta temporada de turismo. Autoridades do setor esperam um incremento nas vendas de pacotes de viagens a estrangeiros, já que mais de 80% dos visitantes deixaram ou deixarão a cidade satisfeitos.
Nosso próximo grande evento será o carnaval, e já sentimos um aumento de 5% na procura por pacotes, em relação a outros anos. Acreditamos no efeito boca a boca como multiplicador observou a presidente da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav-RJ), Cristina Fritsch.
Segundo a Riotur, um milhão de turistas passaram pelo Rio, sendo 350 mil estrangeiros, gerando uma movimentação na economia em torno de US$ 1,8 bilhão. O Ministério do Turismo informou que, para 83% dos estrangeiros, a visita ao Rio atendeu plenamente ou superou as expectativas da viagem, o que deverá projetar a imagem da cidade. O item mais bem avaliado foi a hospitalidade, que recebeu 98,7% de aprovação dos estrangeiros e 92% de satisfação dos brasileiros. Além disso, 94,6% dos ouvidos elogiaram os aeroportos, enquanto 86,6% gostaram dos transportes públicos. Os Jogos deverão representar um acréscimo de até 1% no Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços do país), segundo uma projeção da faculdade Mackenzie Rio.
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Parque Olímpico lotado, na Barra Foto: Marcelo Carnaval / Marcelo Carnaval / 07.08.2016
Em 11 dias, o estrangeiro gastou mais de US$ 103,7 por dia, ou seja, R$ 335,66 pela cotação atual, segundo o Ministério do Turismo. Já o visitante brasileiro gastou, diariamente, R$ 337,90. O maior impacto foi sentido pelo setor de serviços, especialmente bares, restaurantes e hotéis. De acordo com o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), houve um aumento de 70% no movimento na Zona Sul, além de mais de 30% na Barra da Tijuca e de 45% na Tijuca. No Centro da cidade, área que abriga o Boulevard Olímpico, o fluxo de clientes cresceu mais de 30%. Em outros pontos da Zona Oeste da capital, o aumento registrado foi de cerca de 20%.
No Sindicato dos Garçons, Barmens e Maîtres (Sigabam), houve uma redução de 12% no número de homologações de demissões, na primeira quinzena de agosto, em relação ao mesmo período de 2015.
O evento olímpico foi um sucesso, e a categoria foi beneficiada. No setor hoteleiro, foram construídos vários empreendimentos de bandeiras internacionais, e os empresários vão fazer um trabalho de divulgação de cidade para justificar seus investimentos afirmou
Radar empreendedor
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Comerciante Célia Domingues: aumento de 40% nas vendas Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo
A Olimpíada também impulsionou os pequenos negócios. Para os comerciantes que receberam licenças temporárias para atuar no Boulevard Olímpico, no Centro do Rio, houve até 40% de aumento no volume de vendas, em agosto, em relação ao mês anterior. No quiosque que comercializa produtos artesanais ligados ao carnaval, na Praça Mauá, por exemplo, em 15 dias, cerca de 2.000 peças foram vendidas, segundo a Associação de Mulheres Empreendedoras.
Artesãs trabalharam quatro, cinco meses numa produção que acabou em cinco dias. Nós gostaríamos muito de continuar aqui, com uma licença permanente de trabalho, porque a região vai ser um centro de visitação constante disse Célia Domingues, presidente da associação.
Apesar dos bons números, economistas alertam sobre um desaquecimento natural nos próximos meses, passada a euforia dos Jogos Olímpicos.
A crise econômica ainda não foi superada, e a tendência é que os setores voltem a sofrer um pouco, voltando ao movimento normal disse o professor Marcelo Anache, da faculdade Mackenzie Rio.
A própria Associação de Mulheres projeta uma queda nas venda para o próximo mês da ordem de 20%.
Diversificação dos negócios
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Ana Paula Vieira atraiu novos clientes na fábrica de compensados Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo
Setores improváveis em regiões afastadas dos locais de competição também comemoram o bom desempenho durante o ciclo olímpico. É o caso de uma fornecedora compensados de madeira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Para negociar com entidades internacionais, a empresa com 55 funcionários precisou de certificação e qualificação.
Se não tivéssemos, teríamos que demitir, pelo menos, 20% do quadro de funcionários por causa da crise. Antes, só tínhamos um cliente, que era ligado à indústria de petróleo. Agora, não temos mais só um ovo na cesta, e contamos com vários projetos de negócio para depois dos Jogos comemorou Ana Paula Vieira, representante comercial da empresa Forex.
O Sebrae auxiliou micro e pequenas empresas a se qualificarem para atender à demanda e diversificar os negócios e os catálogos de clientes.
O setor que mais vendeu até o momento foi aquele ligado a materiais de uso publicitário disse Francisco Marins, coordenador do Sebrae no Pódio, projeto para a obtenção dos certificados internacionais.
Para economistas, as autoridades públicas devem, a partir de agora, se preocupar em preservar os ganhos gerados pela construção de estruturas de transporte, hotelaria e instalações esportivas, para aproveitar os efeitos deste legado no longo prazo, e superar a crise.
Nos últimos oito anos, influenciada por eventos esportivos, como a Olimpíada e a Copa do Mundo, houve a contribuíram para a elevação da renda por habitante no Rio de Janeiro, ou seja, o PIB (soma das riquezas do país) per capita (por pessoa) real, descontada a inflação. O número subiu 30%. Foi o maior ganho entre as capitais brasileiras disse o professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin.