Por Érika Mesquita/Correio de Uberlândia
Durante essa semana, em vários momentos, eu falei com amigos e clientes sobre o uso da madeira nos vinhos e percebi como o consumidor de uma maneira geral dá importância ao assunto e, ao mesmo tempo, tem muitas dúvidas.
Primeiramente, é importante observar que a madeira considerada de alta qualidade para o uso nos vinhos é o carvalho, seja de origem francesa, norte-americana ou do Leste Europeu. Outros tipos já foram ou ainda são utilizados na fabricação de enormes tonéis, mas com a finalidade principal de armazenamento, não de dar ao vinho as qualidades que se deseja com o carvalho.
Então, as barricas que vemos nas fotos ou nas próprias vinícolas não estão ali com a função apenas de armazenamento, mas também para o amadurecimento dos grandes vinhos. As barricas de carvalho, normalmente de madeira francesa, possuem a capacidade de tornar os taninos menos agressivos ao longo dos anos de guarda. Isso acontece porque há uma troca de oxigênio entre o interior da barrica e o exterior, o que os enólogos chamam de micro-oxigenação. Além disso, as substâncias presentes na madeira também conferem sabores e aromas especiais aos vinhos.
Se a vinícola utiliza barricas francesas ou do Leste Europeu o que pretende é dar ao vinho uma característica mais elegante, mais discreta na maioria dos casos. Já quando são utilizadas barricas americanas as sensações transmitidas aos vinhos são mais intensas, porque essa madeira transmite aromas e sabores mais abaunilhados, mais intensos. Nesse último caso, procura-se atender o gosto do consumidor de países com menos tempo de tradição no consumo do vinho, que preferem mais intensidade.
Além do tipo de madeira utilizada na barrica, a tostagem também é um fator importante. Ao serem fabricadas, as barricas sofrem uma tosta em suas paredes internas, feitas com fogo pelos fabricantes. O nível de tostagem indica quanto o vinho terá de aromas ou sabores lembrando a passagem por madeira, como café, por exemplo.
É comum na etiqueta dos vinhos você encontrar que o vinho passou por barricas de primeiro ou segundo uso. Se foi utilizada pela primeira vez (primeiro uso) essa interferência da tostagem é maior do que em uma que está sendo utilizada pela segunda vez. Da mesma maneira, existem informações sobre o nível dessa tostagem: alta, média ou baixa. Isso também indicará a intensidade da presença da madeira no vinho.
Outra prática bastante difundida, principalmente, nos vinhos de linhas mais baratas é a utilização de “chips”, que na, verdade, são lascas da madeira introduzidas no tanque de inox para transmitir sabor e aroma amadeirado ao vinho. Não é uma prática ilegal, mas serve apenas para dar a sensação de que o vinho pertence a uma linha superior e não traz os benefícios que apenas a guarda em barricas pode trazer.
Quando compramos um vinho jovem, barato, mas com uma forte presença da madeira em seus aromas e sabores, é bem provável que seja um produto que não passou por barricas, mas teve o uso dos “chips” em sua elaboração.
E você? Gosta de vinhos mais amadeirados?