A receção do WC Beautique Hotel tem banheiras.
O segundo espaço do The Beautique Hotels abriu na Almirante Reis e tem banheiras na receção e azulejos nos quartos.
“Olha lá, tu sabes o que é que vai abrir na Almirante Reis? Passei por lá no outro dia e vi um edifício chamado WC. Aquilo parece-me um hotel mas, bolas, quem é que chama WC a um hotel?”.
Nas últimas semanas a minha vida foi assim. Quando colocaram o nome WC Beautique Hotel na fachada do número 35 da Almirante Reis, o meu telemóvel começou a receber mensagens em fúria. Toda a gente queria saber o que era aquilo. Teorias não faltavam: “De certeza que pertence a alguém que não sabe o que é que quer dizer WC” ou “foi uma infeliz escolha de iniciais” foram as mais frequentes.
Nos primeiros tempos, a minha resposta foi sempre a mesma: não sei. E não sabia, pelo menos até receber uma chamada do grupo The Beautique Hotels a convidar-me para conhecer o hotel. Sem uma única fotografia, acesso à descrição do espaço ou sequer ideia de quantos quartos teria, só me disseram duas coisas: chama-se WC Beautique Hotel, porque o hotel é de facto inspirado numa casa de banho. A decoração ficou a cargo de Nini Andrade Silva.
Esta sexta-feira, 27 de outubro, o WC Beautique Hotel começa a receber os primeiros hóspedes. As reservas podem ser feitas a partir desta segunda-feira, 23. O design hotel de quatro estrelas tem 41 quartos, um restaurante que serve pratos típicos da cozinha portuguesa e um bar. Há ainda um terraço com esplanada. Na decoração privilegiaram-se os elementos da água, bem como a cor azul-turquesa — é o tom que marca toda a decoração do hotel.
Quem passa pela porta de entrada do WC Beautique Hotel percebe imediatamente que chegou a um hotel diferente. E não, o nome não foi um equívoco, um erro ou uma escolha infeliz. Logo à entrada, na zona da receção, estão duas banheiras, rodeadas pelo vidro que dá forma ao balcão. É Nini Andrade Silva, uma das designers de interiores mais conhecidas do País, e responsável pela decoração do hotel, que nos chama a atenção para o facto de não ser uma banheira completa.
“Na verdade é meia banheira, mas parece uma versão inteira por causa do espelho que está por trás e faz reflexo”, diz-nos. “Eu sabia que queria ter uma banheira na receção, mas por questões de espaço não podia ficar completa.”
Esta é uma daquelas zonas que vale a pena olhar com atenção. Até porque há outros detalhes interessantes, como os chuveiros por cima do balcão que, confundidos com o painel da parede que simula a queda de água, parece mesmo que está a tomar banho. Além disso, há enormes frascos de perfumes de marcas de luxo a enfeitar o espaço, tanto na zona da receção como no bar, que fica mesmo logo ali ao lado. São 18 no total.
“É engraçado: à última hora, as coisas vão aparecendo. Esta coleção de perfumes arranjei do [joalheiro português] Virgílio Seco, que os reunia há mais de 20 anos. Um dia cheguei à loja dele e ele disse-me: ‘Nini, vê o que eu tenho aqui.’ E eu respondi-lhe: ‘Virgílio, eu preciso disso imediatamente’.”
“Este projeto já está a ser pensado há 30 anos, quando os dois irmãos [proprietários do The Beautique Hotels] disseram ‘vamos ter um hotel na Almirante Reis’”, recorda à NiT o diretor do WC Beautique Hotel, Mário Stromp Morais. “Este edifício penso que foi adquirido há quatro ou cinco anos.”
A ideia de fazer um hotel inspirado numa casa de banho partiu de Nini Andrade Silva. “Há muito tempo que eu queria fazer um hotel WC”, recorda à NiT. Pode parecer um pouco estranho, mas a designer de interiores tem uma explicação: “Para mim as casas de banho são extremamente importantes, são salas. Quando vou a um sítio, para ver se ele tem qualidade vou logo à casa de banho. É como vestir-se e olhar para uns sapatos.”
Nini Andrade Silva tinha noção de que era uma proposta arrojada. E de que não seria qualquer cliente capaz de a aceitar. No entanto, os donos do The Beautique Hotels, com quem Nini Andrade Silva já tinha trabalhado no Hotel Figueira Lisboa, adoraram a ideia.
“Quando falamos de wc, as pessoas que não conhecem o hotel dizem: ‘Que nome horrível, mas como é que foram pôr um nome desses a um hotel?’. E depois quando entram aqui ficam deslumbradas. Porque de facto ninguém imagina isto quando pensa num wc”.
É verdade, não pensam. Nós já estávamos deslumbrados com a zona da receção, no entanto eram os quartos que nos despertavam maior curiosidade. Havia uma dúvida que não me largava há mais de uma semana: se a ideia é pôr os hóspedes a dormir numa casa de banho, o que é que há na casa de banho? E quão longe é que eles decidiram ir? Eles vão pôr as pessoas a dormir numa banheira?
Nada disso. Forrados inteiramente a espelho e azulejo, estes quartos são o híbrido perfeito entre um quarto e uma casa de banho. Sem nunca cair em exagero, é de facto a acomodação de um hotel mas com todos os elementos de um (elegante) wc. Quanto à casa de banho, é perfeitamente normal mas tem uma particularidade: está dividida em módulos. Há a zona do sanitário e do chuveiro, ambos com portas para garantir a privacidade do casal. No meio está a virtude ou, neste caso, o lavatório.
Há quatro tipologias de quartos: standard (nove), superior (26), deluxe (cinco) e prime bathtub (um). A decoração é bastante semelhante, mas os deluxe têm a particularidade de ter camas redondas (os quartos também são circulares, atendendo à forma do edifício) e o prime bathtub tem uma banheira aos pés da cama.
Os espelhos, os azulejos, os painéis ligados à água e o azul-turquesa prolongam-se para o restaurante, que fica no piso inferior do edifício. É aqui que serão servidos os pequenos-almoços, das 7h30 às 10h30, bem como os almoços e jantares, das 12h30 às 23h30. Na ementa, privilegiaram-se os pratos típicos da cozinha portuguesa.
“O que nos motiva dentro do mercado hoteleiro é desenvolver uma hotelaria de charme”, explica à NiT Mário Stromp Morais. “E dentro dessa hotelaria de charme, tem de haver um conceito muito forte. Um tema marcante (…). No que diz respeito ao cariz que se quer dar a cada unidade hoteleira, este talvez seja o mais marcante e rompante.” E acrescenta: “E de facto todos os hotéis que vão surgir vão ter um tema muito forte.”
Então vêm aí outros? “Vão surgir mais. O nosso plano é, na Rua da Madalena, até ao final de 2018, haver um hotel chamado Madalena que representa a mulher portuguesa (…) e o dos reis, num edifício histórico, em 2019.”
Consoante a época e a tipologia dos quartos, os preços por noite variam entre 160 e 480€. Os valores apresentados são sempre para duas pessoas, com pequeno-almoço incluído.
Fonte: NIT – https://goo.gl/Nhzxfx