A arquiteta está à frente do projeto do lobby, bar, restaurante, ballroom, SPA, kid’s club e centro de convenções do hotel
Cravado nos arredores do Parque Burle Marx, uma das áreas verdes mais expressivas da América do Sul, o Palácio Tangará brota na paisagem sob a bandeira da Oetker Collection, com projeto de interiores das áreas comuns e sociais capitaneado pela arquiteta Patricia Anastassiadis, sócia fundadora do Anastassiadis Arquitetos.
De nome emprestado do pássaro sul-americano que tinge a fauna brasileira em revoadas furta-cor, o Palácio Tangará, inaugurado em maio de 2017, é a mais nova avis rara da hotelaria brasileira. Com as asas abertas sobre 27 mil metros quadrados nos arredores do Parque Burle Marx – reserva praticamente intocável de Mata Atlântica onde o legendário paisagista carioca Roberto Burle Marx (1909-1994) atuou como diretor artístico em um dos lotes – a construção se debruça na propriedade que outrora abrigou a chácara de Francisco “Baby” Matarazzo Pignatari, neto do conde Francesco Matarazzo (1854-1937), uma das famílias mais nobres na antologia social brasileira. Destino perfeito para a Oetker Collection cravar sua bandeira no Brasil. Com 125 anos de história, mais de 400 empresas no portfólio, cerca de 30.800 funcionários e lucros anuais de 12 bilhões de euros, a Oetker está entre os mais importantes businesses da categoria, e sua Collection abriga os nove hotéis da rede, incorporando a mais refinada hospedaria tradicional do velho continente – como o parisiense Le Bristol, que está entre os endereços mais exclusivos do planeta.
Em sua incursão por sendas brasileiras, a revitalização da propriedade ficou sob responsabilidade dos escritórios B+H Architects, PAR Arquitetura e Bick Simonato. Mas é a arquiteta Patricia Anastassiadis, um dos nomes mais incensados da cena contemporânea brasileira, com importantes projetos no currículo desenhados em duas décadas de carreira e amplo know how em hotelaria (responsável pelo Hilton Barra, Grand Hyatt, Ritz Carlton, Club Med Trancoso e Tivoli Mofarrej), quem assina os interiores das áreas comuns e sociais do Palácio Tangará – com ênfase no lobby, bar, spa, restaurante e salões de eventos. Um trabalho de alfaiataria arquitetônica, da casca ao conteúdo, que se inspira em documentos naturalistas como os pintados por Debret, Eckhout e Rugendas, mas que foge das obviedades e alegorias folclóricas. “Não estamos trabalhando com um Brasil regional, nem caricato. Quero mostrar que dentro desse hotel tudo é nacional: a qualidade dos nossos minerais, a sofisticação das matérias-primas, o nosso design. Falamos, sim, de um Brasil riquíssimo em belezas naturais, mas também de um dos marcos mundiais do Modernismo, de um lugar absolutamente cosmopolita – tudo mantendo o DNA dos grandes hotéis da Oetker. É quase um olhar estrangeiro, só que de dentro para fora”, conta Patricia.
Quando a profissional assumiu as obras, em 2015, o invólucro era apenas uma estrutura de cimento e pilares áridos, com fechamentos austeros. Patricia encapsulou as paredes em delicadas boiseries de baixo relevo, acentuando uma certa leveza ao que poderia ser opulento demais. Revestiu o piso com mármore e, sobre ele, plantou um “tapete” elipsoidal em parquet francês, executado em padronagem solar de listras estilo chevron. Em cima de tudo, o recorte côncavo no teto criou uma espécie de domus para abrigar o espetacular trabalho de folhas de ouro da artista Laura Vinci, o Lux Capela, que também evoca, de um jeito moderno, os tempos do Brasil-colônia. “Não sei projetar sem história, ficaria vazio e sem sentido para mim. O que mais me inspirou foi uma aquarela do século XVIII do Debret, com matizes acinzentados que dizem tudo sobre o olhar que o forasteiro sempre teve daqui. Este foi o ponto de partida para a paleta cromática. Fizemos um estudo cuidadoso para chegar, inclusive à tonalidade das paredes, buscando um cinza que não fosse frio”, continua.
O counter da recepção faz uma releitura dos grandes hotéis franceses (em especial os legendários châteaux parisienses), em vidro, latão e couro, sinalizando a mistura fina de materiais que caracteriza o trabalho da arquiteta, que sempre tratou seu ofício como alta-costura. “Faço algumas interferências com camurça e pedra, de certa forma ‘vestindo’ a arquitetura de interiores, criando novas camadas que plasmam texturas, intrigam o olhar, acionam o tato”. Atrás do balcão, a obra Mixirica, de Artur Lescher, alinha a cena. Um detalhe curioso, emocional e pragmático no processo criativo da arquiteta é justamente a seleção das obras de arte: que determina o espaço somente após a escolha dos trabalhos para cada área. “Não acredito na obra que entra depois do projeto pronto, pois existe uma narrativa, estou contando uma história. O layout foi planejado a partir das obras, e não o contrário”, diz sobre a legitimidade da curadoria.
Sobre bases sofisticadas – que incluem um tapete de 200 metros quadrados desenhado por Patricia em degradê e executado na Índia – a mobília também é quase 100% autoral. Anastassiadis orquestra, em poltronas, sofás e cadeiras, referências Art Déco, Art Nouveau e orientais com certo mood aerodinâmico, curvas sensuais e proporções um pouco mais generosas, feitas sob medida. Um dos exemplos dessa originalidade é o sofá Jean, que tem shape delineado em homenagem a Jean-Georges Vongerichten, o poderoso chef três estrelas Michelin que capitanea a cozinha do Tangará – todas as mesas com vista para o parque, incluindo no reflexo dos brises de espelho que Patricia colocou para não privar ninguém do espetáculo verde do Palácio que já nasce com o status de mais racée do Brasil. O restaurante conta uma private dinner, chef´s table para 16 convidados e adega. “Estou muito feliz com o resultado do trabalho da Patrícia e como ela foi capaz de capturarexatamente a essência do que eu imaginei para este projeto. Em apenas uma reunião, ela conseguiu criar um ambiente modern, mas aconchegante para nossos hóspedes e clientes. O uso da luz natural no restaurante, a mesa do chef e o quarto privado são simplesmente incríveis. Burle Bar e suas peças de arte é um dos meus lugares favoritos para relaxar no Palácio Tangará” afirma Jean Georges.
O SPA é composto por um jardim privativo e ocupado pelo Spa Longevity by Sisley, renomeada empresa francesa de beleza. A piscina é revestida com mármore e possui detalhes em pastilhas para criar uma arquitetura simbólica e aproveitar a iluminação natural do local. Ainda parar o SPA, Patricia desenvolveu um modelo de ducha exclusivo, executada pela Deca.
Anastassiadis Arquitetos
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