Por uma pesca sustentável

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Por uma pesca sustentável
Malagueta Comunicação


Publicado em 07 dezembro 2010 Na última reunião da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (Iccat), realizada  no mês de novembro, em Paris, ficou decidido que a pesca da espécie azul do pescado se limitará a 12.900 toneladas em 2011. A cota é estabelecida para os oceanos Atlântico e Mediterrâneo. Neste ano, o volume foi de 13.900 toneladas. A França divulgou nota dizendo estar satisfeita com a medida, e alegou que ficará viável a atividade pesqueira. Já as ONG’s ambientalistas protestararam  a decisão do Iccat.


O Atum-azul pode medir até 4 metros, pesar cerca de 700 quilos e, ainda assim, ser veloz como um carro de corrida. De sua barriga  é extraído o toro, corte suculento e rico em gordura, considerado iguaria fina na culinária japonesa, e um dos peixes mais valorizados no mundo.  Um único sushi desta espécie pode custar mais de US$ 20 dólares, e um exemplar do peixe, nos leilões realizados no mercado Tsukiji, em Tóquio, chega a ser vendido por mais de  US$ 50 mil dólares. O consumo é maior nos países orientais, principalmente no Japão. Entretanto, com a ocidentalização da cozinha nipônica, a partir da década de 90, a Europa e os Estados Unidos esgotaram os cardumes de atuns, transformando-os em sushis e sashimis. Agora, os apreciadores, fornecedores e pescadores terão de nadar de acordo com a maré, que agora está a favor do precioso pescado.



Fábio Hazin, brasileiro que preside o órgão regulador, esclarece que o atum-azul não entrou em extinção. Houve uma sobrepesca no estoque do  Atlântico leste e Mar Mediterrâneo por ter sido capturado além do limite aceitável. De acordo com o presidente do Iccat, entre 1998 e 2008 houve uma grande demanda, em função do crescimento da gastronomia japonesa no mundo. Os atuns passaram a ser engaiolados para engorda, o que  facilitou a comercialização  e saciou a procura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a pesca legal e a clandestina de atum-azul no Atlântico oriental e no mar Mediterrâneo chegaram a 61 mil toneladas em 2007.


Até 2008, as medidas adotadas pela Comissão foram desastrosas,  conforme indica Hazin, permitindo níveis de captura acima da capacidade sustentável. “A partir de 2009 essa situação se reverteu, de forma que a cota atualmente estabelecida permitirá  a recuperação plena do estoque em torno de 10 anos”, explica o presidente que está à frente do Iccat desde 2009, e teve o mandato renovado nessa última reunião por mais dois anos. Hazin é especialista em tubarões e professor do Departamento de Pesca da Universidade Rural de Pernambuco (UFRPE).


O Brasil, um dos países-membros, está preparando iscas para fisgar o mercado de atum, especialmente a espécie espadarte. Já está em andamento cerca de 54 projetos, entre eles, os Terminais Públicos Pesqueiros. Os tipos consumidos no Brasil são das espécies albacora laje e albacora bandolim, com estoques em boas condições.


O especialista afirma que o país tem chance de ser competitivo sem ferir os preceitos de sustentabilidade. A pesca de atum no Atlântico existe desde meados da década de 50. Até hoje a grande maioria das espécies exploradas economicamente apresentam estoques bem preservados e em níveis compatíveis com o Rendimento Máximo Sustentável, definido pelo Iccat.  “A exceção foi o atum-azul, embora as medidas adotadas pela Comissão, a partir de 2009, devam restabelecer a sustentabilidade desse estoque em um futuro próximo”, justifica.


Quando assumiu a presidência, há dois anos, sua meta foi assegurar que todas as medidas de ordenamento estivessem em conformidade com a recomendação científica. Agora, o objetivo é assegurar que as regras sejam efetivamente obedecidas e implementadas pelos países membros, que somam 48. Quanto aos protestos das ONG’s, Hazin diz ser bem vindos. Segundo  professor, grande parte das reclamações são de um período anterior ao seu mandato, quanto as medidas de ordenamento adotadas pela Comissão estavam em flagrante desacordo com as recomendações científicas.


“Na medida em que os estoques do atum-azul mostrarem, entretanto, que estão se recuperando, os protestos deverão diminuir, mas jamais acabarão. Faz parte das ONGs ambientalistas protestarem e pressionarem sempre por uma pesca cada vez mais sustentável, o que é positivo”, aponta.


O presidente destaca que em 2010 a pesca sustentável ganhou visibilidade na imprensa, e as discussões em torno da atividade pesqueira evoluíram. “Acredito, que gradualmente, a atividade se tornará uma mais e mais sustentável”, finaliza.


Equipe Malagueta – www.malaguetacomunicacao.com.br
Texto: Juliana Dias
Fotos e edição de imagens: Carolina Amorim
Revisão: Vanessa Souza Moraes

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