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Uma região que permite chegar da neve ao calor do deserto em duas horas foi a figura usada esta sexta-feira para justificar a diversidade transmontana invocada como trunfo para candidatar a gastronomia regional a Património Imaterial da Humanidade.
Quais os produtos e o que contemplará a candidatura é o trabalho que será feito nos próximos dois anos, até ao início de 2018, data em que os promotores pretende formalizar o processo junto da UNESCO, o organismo das Nações Unidas para a Cultura, Educação e Ciência.
António Monteiro, grão-mestre da Confraria dos Enólogos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro, não tem dúvidas de que “vão ser selecionados bastantes produtos pela diversidade da região, que se reflete também na gastronomia, desde a simplicidade das casulas, a vagem do feijão seca, até à complexidade do butelo, o mais volumoso enchido à base de ossos.
“Conhece outra região do mundo onde em duas horas se vá dos Alpes suíços até ao deserto do Sahara, porque se vai de Montalegre até Barca D’Àlva, que refletem estas duas posições em tão pouco tempo?”, ilustrou.
Almoço de apresentação da candidatura
António Ribeiro é considerado um dos principais estudiosos e entendidos da matéria na região e garante ainda que em nenhuma outra do país existe “a infinidade de valores genéticos” como aqui, que considerou “de certa forma um ninho genético de muitos produtos, quer na área vegetal, quer na área animal”.
Antecipa que da candidatura constarão produtos como a amêndoa coberta de Torre de Moncorvo, o salpicão de Vinhais, o porco Bísaro, os vinhos, com muitas castas autóctenes, os cabritos transmontanos ou o borrego Terrenho.
O trabalho que segue é seriar os produtos para a candidatura e o trabalho está facilitado em muitos, elaborado para a obtenção da proteção comunitário com Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP).
O presidente da Comissão Executiva, Duarte Moreno, salientou que “não haverá noutro território do país tantas DOP e tantas IGP como em Trás-os-Montes e Alto Douro” e é isso que pretendem estudar “afincadamente, dar este saber-fazer às gerações vindouras e transmitir este património, que é a único, a todos aqueles que hão de vir”.
“A nossa vida é feita à volta da mesa e dos nossos produtos. Nós temos algumas tradições que já não existem em nenhum sítio, como merendar”, enfatizou.
No almoço desta sexta-feira, na emblemática aldeia do Romeu, em Mirandela, no distrito de Bragança, ficou o reptou a todos que queiram associar-se às três associações de desenvolvimento local que estão a impulsionar a ideia, a Desteque, a Corane e a Douro Superior, e que representam a maioria dos municípios do Nordeste Transmontanos.
Duarte Moreno vincou que “vai ser um trabalho de recolha muito grande, primeiro para entregar ao instituo do património imaterial nacional e, só a partir da sua publicação, de aí ser aceite é que pode prosseguir ir para a UNESCO”.
Os promotores acreditam na relevância desta candidatura e que “pode dar um impulso para o desenvolvimento económico de toda a região e atrair pessoas”.
Fonte: Correio da Manhã