Produzidos em pequena escala na região da Sicília, que desponta na produção de vinhos de qualidade nas últimas décadas, cinco rótulos da Casa Scalecci acabam de desembarcar no Brasil
A presença do vinho é parte fundamental da cultura milenar da Sicília, uma das regiões mais fascinantes da Itália, com forte influência grega. Porém, por muito tempo, a ilha ficou apagada na produção de vinhos italianos, principalmente quando comparada a outras regiões como Toscana e Piemonte. Nas últimas décadas, no entanto, a enorme variedade de vinhos produzidos na ilha tem despertado para a modernização e a qualidade, resultando em excelentes rótulos, como os da Casa Scalecci, que desembarcam no Brasil neste mês.
A vinícola, que pertence à família Assennato há quase um século, produz vinhos em pequena escala e traz seus cinco rótulos para o Brasil: quatro brancos e um tinto. O Rocío é um assemblage da uva Grillo, uma grande estrela da região, e a Sauvignon Blanc. O Massasaro, único tinto, é um blend de Nero D’Ávola e Cabernet Sauvignon. Já o Cierzo tem 50% de uvas Chardonnay e 50% de Sauvignon Blanc. Além deles, há dois rótulos monovarietais: Sauvignon Blanc e Chardonnay.
“O vinho é muito mais que um negócio para nós, é uma paixão e uma forma de honrar o legado da família. Meu marido tem muito orgulho de continuar o trabalho do pai dele, que estaria orgulhoso se estivesse vivo hoje”, conta Maria Angeles Botello, responsável pela importação e distribuição dos vinhos no Brasil. Ela e o marido, proprietário da vinícola, moram no país há 46 anos. “Queremos levar à mesa dos brasileiros o mesmo vinho que servimos em nossa mesa, nos nossos almoços em família”, completa.
O terroir da região de Pachino, onde os vinhos são produzidos, se beneficia dos ventos do Norte da África, solo calcáreo e muito sol. A colheita é manual e um dos principais diferenciais dos rótulos da casa é que as videiras são cultivadas na modalidade a spalliera, a 80 centímetros do solo. “Dessa forma, evitamos o calor excessivo da terra, o que faz com que as uvas se beneficiem do clima do mediterrâneo na medida certa”, explica Antonino Dimarco, enólogo responsável. Na região, muito conhecida pela produção dos tomates cereja, mas também por frutas como melão, pêssego e melancia, além da azeitona, o terroir, que tem condições similares às da Grécia, é rico também na produção de azeitonas.
Os vinhos já começaram a ser vendidos em restaurantes e empórios do estado de São Paulo. A empresa também atende pedidos especiais para festas e eventos.
História
Em 1920, o jovem Rosario Assennato (avô do atual proprietário), que já vinha de uma família com experiência vitivinícola há mais de um século, comprou o “Feudo Scalecci” de uma princesa siciliana junto com alguns irmãos.
Houve um momento em que imperava uma grande crise no setor vinícola em toda a Sicília e por causa dela os vinhedos de uvas Nero D’Àvola e Moscato, introduzidas pelos gregos, foram destruídos. Com o tempo, criou-se uma cultura de preservação do patrimônio de variedades exclusivas, como Nero D’Ávola e Moscato Branco, presentes naquela época apenas na região.
O Feudo Scalecci continuou cultivando a uva Nero D’Ávola na forma tradicional, vendida como corte de uva para grandes vinícolas francesas e sicilianas, tais como Conde de Salaparuta, que a usavam para produzir seus próprios vinhos agregando a estes cor, teor alcoólico e estrutura. Nesta época o vinho era transportado por um canal diretamente ao Porto de Marzamemi, cidade costeira próxima de Pachino, onde eram levados para outros lugares da Europa.
Atualmente, o Feudo Scalecci, produz cinco tipos de vinhos, sendo quatro brancos e um tinto: Rocío, Massasaro, Cierzo, Sauvignon Blanc e Chardonnay, e se prepara para lançar mais dois tintos: Ron Ciccio e Ron Saro, além de um colheita tardia. Hoje, além da Europa, os vinhos são exportados para os Estados Unidos, China, Peru e Brasil. Além dos vinhos, a propriedade produz também uma quantidade considerável de azeite extra virgem, comercializado com o rótulo Gocia Doro, que chegará em breve ao Brasil.
Divulgação: Agência eComunica