Vinícolas do RS vendem mais de 50% da produção anual de espumantes entre outubro e dezembro


Segundo o Ibravin, volume é alto devido às festas de fim de ano, quando os mercados e os consumidores se abastecem para as celebrações de Natal e Ano Novo.


Fim de ano costuma ser movimentado nas fábricas de espumantes da Serra do Rio Grande do Sul. Entre outubro e dezembro, as vinícolas vendem mais de 50% da produção anual. De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o volume é mais alto justamente pelas comemorações de Natal e Ano Novo, quando mercados e consumidores se abastecem da bebida.

Os espumantes gaúchos têm sido reconhecidos inclusive fora do Brasil, como é o caso da vinícola Perini, que alcançou o quinto lugar na lista dos melhores vinhos do mundo pela Associação Mundial de Escritores e Jornalistas de Vinhos e Destilados. Além deste, outros 10 rótulos brasileiros também figuram neste ranking.

Outro fator importante é a procura pelo produto. Em 2008, a produção era de aproximadamente 9,5 milhões de litros, e, na última safra, chegou a cerca de 17 milhões, o que mostra o crescimento ao longo dos anos.

Além das festas de fim de ano, as compras feitas por turistas também aumentam. Nesta época, muitas pessoas visitam o Vale dos Vinhedos, tanto pela paisagem quanto pelos espumantes.
Para o presidente da Ibravin, Dirce Scottá, os atributos naturais aliados à tecnologia são os principais pontos da produção gaúcha.

“O nosso terroir [palavra francesa que designa uma extensão de terra cultivada], o clima, a variedade das uvas, todos esses pontos especificam uma melhor qualidade. O frio, a amplitude térmica, dias diferentes da noites e as tecnologias já implementadas também podem explicar o sucesso”, analisa.

Especialistas classificam o clima frio do inverno, o solo e a altitude característica da serra gaúcha como um lugar perfeito para a produção de vinhos espumantes. Com isso, o vinho base mantém traços importantes, como aromas neutros e um teor de acidez de moderado a elevado.

Esta estrutura moderada favorece a elaboração de espumantes pelo método charmat, com versatilidade para produzir vinhos estruturados e complexos, elaborados pelo método tradicional, por meio do qual a segunda fermentação ocorre na garrafa.

Além disso, o perfil de cultivo da terra se assemelha ao de lugares tradicionais de produção da bebida, como o Norte da Itália.

Para o enólogo Leandro Santini, esse sucesso se dá ao equilíbrio da bebida. “Muito delicado em boca, um perfeito equilíbrio também entre dulçor e acidez faz com que o produto realmente seja único”, Santini esclarece. A estimativa de comercialização é que até o final deste mês o setor feche com de 17 milhões de litros de espumantes vendidos no ano.



Fonte: O Globo – https://goo.gl/nvaWUm