Reforma tributária exige nova estratégia dos resorts para preservar competitividade

Crédito/Foto: Resorts Brasil

 

Presidente do Conselho da Resorts Brasil afirma que adaptação ao novo cenário depende de uma gestão integrada entre todas as áreas do empreendimento e defende tecnologia, inteligência artificial e revisão dos processos como caminhos para manter rentabilidade e qualidade dos serviços

“A reforma tributária já começou a mudar a forma como os resorts brasileiros precisarão planejar seus negócios. Mais do que uma discussão sobre impostos, o novo modelo exigirá uma revisão das estratégias de compras, contratação de fornecedores, precificação, tecnologia e gestão financeira para preservar competitividade e rentabilidade”.

Essa foi a principal mensagem apresentada por Thiago Borges, presidente do Conselho da Resorts Brasil, durante o painel estratégico ‘Como empresas estão adaptando estratégias para preservar competitividade e rentabilidade’, realizado no MICE Meeting Business. Representando a hotelaria, Borges participou de um debate ao lado de especialistas dos setores de eventos, transporte e tecnologia, discutindo como diferentes elos da cadeia podem se adaptar às mudanças impostas pela reforma tributária.

Segundo Borges, a principal preocupação do setor não está apenas na regulamentação da reforma tributária, mas na necessidade de compreender como as novas regras impactarão toda a operação dos empreendimentos.

“A reforma tributária não é um assunto dos advogados, dos contadores ou da área financeira. Ela passa a ser um tema de gestão. Compras, RH, comercial, operações e controladoria precisarão trabalhar juntos para entender como cada decisão interfere no resultado final do negócio.”

Para o executivo, um dos maiores desafios será compreender toda a cadeia de fornecedores. Com o novo sistema tributário, a decisão de compra deixará de considerar apenas o menor preço.

“Às vezes, o produto mais barato não representa o menor custo final. Dependendo do regime tributário do fornecedor, ele pode gerar créditos que reduzem a carga tributária da operação. É preciso olhar para toda a cadeia antes de decidir.”

Essa mudança, segundo ele, exige que cada resort forme grupos internos dedicados ao tema, capazes de revisar contratos, fornecedores, modelos de compra e estratégias de precificação.

“A solução passa pelo conhecimento da própria operação. Cada empreendimento possui uma estrutura diferente, fornecedores diferentes e uma dinâmica própria. Quem conhecer melhor sua operação conseguirá tomar decisões mais inteligentes.”

 

Crédito/Foto: Resorts Brasil

 

Inteligência artificial como aliada da gestão

Além dos impactos tributários, Borges chamou atenção para outro desafio que já pressiona a hotelaria brasileira: a escassez de mão de obra.

Segundo ele, o setor enfrenta um desaparecimento gradual de profissionais em determinadas faixas salariais, cenário que exige ganhos de produtividade para manter o padrão de hospitalidade oferecido pelos resorts.

“A hotelaria é extremamente intensiva em mão de obra. Precisamos preservar a qualidade do atendimento e, ao mesmo tempo, fazer mais com equipes menores.”

Nesse contexto, ele defendeu o uso crescente da inteligência artificial e de soluções tecnológicas para automatizar processos administrativos e operacionais, liberando as equipes para atividades de maior valor agregado.

“A inteligência artificial precisa entrar definitivamente na administração dos resorts. Ela pode otimizar controles, cálculos, gestão de fornecedores e processos operacionais, permitindo que as pessoas estejam dedicadas ao que realmente faz diferença: gestão, tomada de decisão e atendimento ao cliente.”

Para Borges, tecnologia e inteligência artificial não substituem a hospitalidade, mas tornam possível preservá-la em um cenário cada vez mais desafiador.

Capacidade de adaptação

Ao encerrar sua participação, o presidente do Conselho da Resorts Brasil destacou que o setor já demonstrou capacidade de superar grandes crises e acredita que o mesmo acontecerá diante da reforma tributária.

“Sobrevivemos a uma pandemia. Isso mostrou nossa capacidade de adaptação. Agora o desafio é diferente, mas passa pelo mesmo princípio: entender o cenário, planejar, envolver todas as áreas da empresa e transformar esse conhecimento em melhores práticas.”

Na avaliação de Borges, embora exista preocupação com os impactos financeiros da nova legislação e com outras mudanças regulatórias que afetam o ambiente de negócios, a hotelaria continuará encontrando caminhos para preservar sua competitividade.

“O desafio é grande, mas o compromisso permanece o mesmo: entregar qualidade, hospitalidade e eficiência para quem escolhe os resorts brasileiros.”

 Cartilha de Boas Práticas para Adequação à Reforma Tributária

 Para apoiar os resorts na preparação de suas operações para a Reforma Tributária, a Resorts Brasil disponibiliza aos seus associados a Cartilha de Boas Práticas para Adequação à Reforma Tributária, elaborada pelo advogado e consultor de Relações Governamentais da entidade, Dr. Leonardo Volpatti, sócio da Volpatti Advogados.

O material reúne informações estratégicas e orientações práticas sobre as principais mudanças introduzidas pela reforma que demandarão adequações nos processos internos dos empreendimentos. Além de apresentar um panorama das alterações legislativas, a cartilha oferece um roteiro estruturado para conduzir a transição, com recomendações direcionadas à alta liderança, aos gestores das diferentes áreas e às equipes responsáveis pela implementação das mudanças.

Embora parte da regulamentação ainda dependa de normas complementares e de ajustes técnicos por parte da Administração Pública, a Resorts Brasil ressalta que a preparação antecipada representa um fator estratégico para assegurar a prontidão operacional, a conformidade tributária e a competitividade dos empreendimentos ao longo do período de transição para o novo sistema tributário.

Segundo o advogado Leonardo Volpatti, sócio da Volpatti Advogados e consultor de Relações Governamentais da Resorts Brasil, a cartilha foi concebida para transformar um tema complexo em um plano de ação aplicável à realidade dos empreendimentos.

“A Reforma Tributária ainda está em fase de implementação e diversos aspectos dependerão de regulamentação complementar. No entanto, isso não significa que os resorts devam esperar. A preparação precisa começar agora. A cartilha apresenta um roteiro prático para que cada empreendimento estruture um comitê interno de governança da Reforma Tributária, envolvendo a alta administração e distribuindo responsabilidades entre as diferentes áreas da empresa.”

Volpatti destaca que a adequação ao novo sistema tributário não é uma responsabilidade exclusiva do departamento jurídico, da contabilidade ou da equipe de tecnologia.

“A Reforma Tributária é transversal. Ela impacta processos, sistemas, precificação, contratos, operações, governança e estratégia. Por isso, exige uma atuação integrada entre todas as áreas da organização. As empresas que iniciarem esse planejamento desde já estarão mais preparadas para reduzir riscos, identificar oportunidades, otimizar sua carga tributária dentro dos limites legais e fortalecer sua competitividade em um ambiente de negócios que exigirá cada vez mais gestão estratégica e capacidade de adaptação.”

A cartilha está disponível no site da Resorts Brasil, através do link:

https://www.resortsbrasil.com.br/estatisticas-e-estudos

Divulgação: anagrama.com.br