Relatório aponta avanço nas vendas e redução de estoques no mercado de multipropriedade no Brasil

Caio Calfat, foto divulgação.

 

Décima edição do estudo “Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil” mostra melhora na absorção e crescimento sustentável do setor

O mercado de multipropriedade no Brasil vem evoluindo de forma significativa, com destaque para o avanço das vendas e a redução dos níveis de estoque. Esse é um dos principais insights do “Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil”. O relatório está sendo lançado hoje (6/5), durante o ADIT Share 2026, em Campos do Jordão (SP) e é produzido anualmente pela Caio Calfat Real Estate Consulting, uma das principais especialistas em multipropriedade na América Latina, com base em informações coletadas em banco de dados próprio e junto aos agentes do setor.

Na comparação entre 2020 e 2025, o número de empreendimentos saltou de 109 para 216. Em termos de expansão territorial, em 2025, a multipropriedade chegou a 97 cidades de 18 estados – 30 municípios a mais do que em 2020. Dados preliminares de 2026, obtidos até o fechamento do relatório, que comemora 10 anos, revelam que o mercado hoje conta com 224 empreendimentos em 99 cidades de 18 estados brasileiros.

Considerando o total da oferta, 119 multipropriedades estão prontas, 84 em construção e 21 em fase de lançamento de projeto. Considerando as unidades habitacionais, o número saltou de 42.569 para 44.027, na comparação de 2025 com 2026, um crescimento de 3,4%. O volume de frações seguiu a curva ascendente e avançou 5,1%, totalizando 1.265.403 frações neste ano.

No mesmo intervalo de tempo, o VGV potencial ultrapassou a marca de R$ 100,5 bilhões, um aumento de 8,5% na comparação com os R$ 92,6 bilhões de 2025. O desempenho comercial também se destaca na análise: o VGV vendido saltou 24,4% em 2026, saindo de R$ 53, 3 bilhões para R$ 66,3 bilhões. Isso fez o estoque cair de 42,5% para 34%, o que releva um ganho importante em absorção do produto pelo mercado.

A retração no estoque é observada em todos os estágios na comparação dos resultados de 2025 e 2026: entre os empreendimentos prontos, a queda foi de 16,5% para 8,9%; entre as multipropriedades em construção, o declínio foi de 48,2% para 41% e entre as unidades em fase de lançamento a redução foi de 87,8% para 69,5%. Os números mostram uma demanda maior em relação aos produtos já entregues, mas também revela o aumento da confiança em relação à compra de empreendimentos nas fases iniciais.

Na comparação entre os estágios de desenvolvimento, o relatório mostra movimentos diferentes em termos de conversão, mas segue a mesma lógica do estoque. Entre os empreendimentos prontos, o VGV potencial soma R$ 35,1 bilhões, dos quais R$ 32 bilhões já foram convertidos em vendas, enquanto nas unidades em construção, o VGV potencial está em R$ 50,6 bilhões e o VGV vendido chegou a R$ 29,8 bilhões.

Considerando somente os projetos em fase de lançamento, o VGV potencial é de R$ 14,9 bilhões enquanto o vendido registra R$ 4,5 bilhões.

Para Caio Calfat, “embora o crescimento seja considerado discreto, ele confirma um mercado consolidado, assim como o próprio relatório”, diz, antecipando uma mudança importante no estudo já para a edição de 2027. “Acompanhamos a evolução do setor a partir de diferentes perspectivas e impactos, entre os quais estão crises econômicas, políticas, pandemia, crescimento, retração e recuperação da indústria. Vamos iniciar uma nova década com um novo estudo, um modelo que observa e analisa todas essas frentes”, diz.

Para João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento da Livá Hotéis & Resorts, “a indústria do turismo continua crescendo e, neste cenário, o fomento e o desenvolvimento de equipamentos turísticos na hospitalidade também, o que inclui a multipropriedade nas várias regiões do País, especialmente no Nordeste, Sul e Sudeste, onde teremos aberturas ainda este ano, além de prospecções avançadas em estados como Bahia, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo”, diz.

O executivo também destaca o lançamento, durante o ADIT Share, da Livá Residences, com atuação no segmento de branded residences, modelo que ganha força no Brasil ao integrar moradia, serviços e experiência em um único conceito. “Nós lançamos a unidade de negócios já com o projeto Alma Aramis, na Península de Maraú, na Bahia, que entra em operação ainda no primeiro semestre deste ano”, finaliza.

‘’O Brasil ainda tem grande potencial de crescimento turístico, especialmente frente a mercados mais maduros como Estados Unidos e Europa. O avanço passa por novos destinos, diversificação, infraestrutura e, principalmente, profissionalização da gestão.

O consumidor busca previsibilidade, qualidade e melhor custo-benefício, o que fundamenta a evolução. Na WAM Experience, seguimos investindo em inovação, eficiência e experiência para contribuir com esse movimento no Brasil”, destaca Lucas Fiuza, CEO do Grupo Turismo Brasileiro e WAM Experience.

Para Alejandro Moreno, vice-presidente de Turismo da ADIT Brasil, “o crescimento da propriedade compartilhada nos últimos anos foi extremamente relevante, mas o que vemos agora é uma mudança importante de ciclo. O setor entra em uma fase de maturidade, em que governança, gestão e eficiência passam a ser determinantes para a sustentabilidade dos projetos. Nesse contexto, a ADIT Brasil tem atuado de forma consistente para potencializar esse fortalecimento, conectando o mercado, promovendo boas práticas e funcionando como uma verdadeira bússola para o desenvolvimento do segmento no País.”

Divulgação: comunicahub.com.br